O mercado de trabalho brasileiro renovou sua melhor marca: a taxa de desemprego caiu a 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível da série da Pnad Contínua, iniciada em 2012, segundo o IBGE. No Rio Grande do Norte, o retrato tem dois lados — a taxa de desocupação também está no piso da série estadual, mas a geração de empregos formais quase parou. Consulta do Agora RN à base Sidra, do próprio IBGE, mostra o estado com 5,6% de desocupação no segundo trimestre, queda de 2 pontos percentuais sobre os 7,6% do primeiro trimestre e de 1,9 ponto em relação aos 7,5% de um ano antes.
O contraste está no emprego com carteira. Pelos dados do Novo Caged, o RN abriu apenas 716 vagas formais no primeiro semestre — queda de 89,4% sobre as 6.744 criadas no mesmo período de 2025. Em junho, o saldo foi de 287 postos, o menor do Nordeste no mês, com 19.584 admissões contra 19.297 desligamentos e um estoque de 530.604 empregos celetistas no estado. Serviços, comércio e construção sustentaram o saldo positivo: os serviços abriram 4.620 vagas no semestre, a construção, 1.174, e o comércio, 588.

No país, o resultado nacional divulgado na quinta-feira 27 mostra 5,8 milhões de desempregados — 503 mil a menos em três meses — e ocupação recorde de 103,3 milhões de pessoas, conforme registrou O Correio de Hoje. O rendimento médio, de R$ 3.762, ficou estável na margem de erro. Um ano antes, a taxa do trimestre encerrado em julho era de 5,6%, segundo a série do Sidra.
A queda potiguar já vinha se desenhando: o RN teve a maior redução do desemprego do país no segundo trimestre, embora siga acima da média nacional. A convivência entre taxa em queda e poucas vagas formais aparece também na ponta da oferta: entidades como a ABIH-RN relatam falta de mão de obra e abriram 400 vagas em cursos de hotelaria para tentar preencher postos no turismo.
A Pnad Contínua mede o trabalho formal e informal e considera desempregado apenas quem procura vaga; o Caged registra somente o emprego celetista. Os dois indicadores de julho do Caged, com o detalhamento estadual, serão atualizados pelo Ministério do Trabalho no fim do mês.