A indústria da construção do Rio Grande do Norte voltou a crescer em julho de 2026, após 12 meses consecutivos de retração. O indicador de atividade avançou 15,8 pontos, de 38,9 em junho para 54,7 pontos, segundo sondagem elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O resultado é o maior para um mês de julho desde o início da série histórica, em 2010. Na comparação com julho de 2025, quando o índice estava em 43 pontos, o crescimento foi de 11,7 pontos. Na metodologia da pesquisa, indicadores acima de 50 representam aumento da atividade em relação ao mês anterior, enquanto valores inferiores apontam queda.

A reação, porém, ainda não levou a produção aos padrões habitualmente observados no período. O indicador que compara o nível de atividade com o usual ficou em 38,5 pontos. Ao mesmo tempo, a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) caiu de 48% para 39% entre junho e julho. O porcentual ficou três pontos abaixo do registrado há um ano e oito pontos aquém da média histórica de 47%.
O emprego interrompeu três meses de queda, mas não apresentou crescimento. O índice avançou de 46,8 para 50 pontos, patamar que indica estabilidade no número de trabalhadores. Em julho de 2025, o indicador havia alcançado 52,3 pontos.
Para os próximos seis meses, os empresários potiguares esperam continuidade da recuperação. O índice de expectativa para o nível de atividade subiu de 50 para 61,5 pontos em agosto. A previsão para as compras de insumos e matérias-primas passou de 50 para 59,3 pontos, enquanto novos empreendimentos e serviços chegaram a 54,7 pontos.
Também há expectativa de ampliação do emprego, com indicador de 54,7 pontos. O resultado representa uma queda de 2,7 pontos em relação a julho, mas permanece acima da linha de 50. Em agosto de 2025, todos os quatro indicadores de expectativas estavam em 47,7 pontos, na faixa de pessimismo.
O movimento mais cauteloso aparece nos investimentos. O índice que mede a disposição das empresas para comprar máquinas e equipamentos, investir em inovação e desenvolver produtos ou processos caiu de 32,9 para 30,1 pontos. O resultado está abaixo dos 32 pontos de agosto de 2025 e da média histórica de 32,5.
O quadro potiguar contrasta com o nacional. No Brasil, a construção apresentou queda da atividade e do emprego em julho, com índices de 47,3 e 48,3 pontos, respectivamente. As empresas brasileiras também projetam redução dos novos empreendimentos, com 48,7 pontos, e estabilidade nas compras de insumos, com 50 pontos. A sondagem do RN ouviu dez empresas, duas pequenas e oito médias ou grandes, entre 3 e 12 de agosto.