O turismo do Rio Grande do Norte atravessa um momento que merece ser celebrado. O crescimento da movimentação aérea, a ampliação das conexões nacionais e internacionais e os novos voos anunciados para a alta temporada mostram que o Estado recuperou espaço entre os destinos mais procurados do País. O cenário é resultado da força dos atrativos potiguares, do trabalho das empresas do setor e das ações de divulgação realizadas nos últimos anos. O desafio agora é transformar essa expansão em um ciclo duradouro, apoiado por uma política pública permanente de promoção turística.
Os números confirmam a boa fase. O Aeroporto Internacional de Natal recebeu 1,38 milhão de passageiros no primeiro semestre de 2026, crescimento de 18% sobre o mesmo período do ano passado. Foi o melhor semestre desde a inauguração do terminal, em 2014, e a maior movimentação registrada por um único aeroporto potiguar nos últimos 24 anos. O tráfego doméstico avançou 15%, enquanto o internacional praticamente dobrou, com alta de 92% e mais de 100 mil passageiros. O número de pousos e decolagens também aumentou 16%, chegando a 9.268 operações entre janeiro e junho. Os dados são da administradora do terminal, a Zurich Airport Brasil.

A próxima alta temporada tende a consolidar esse movimento. Entre 5 de dezembro de 2026 e 14 de fevereiro de 2027, a Azul programou cerca de 2,5 mil voos extras em sua malha nacional, com 370 mil assentos adicionais. O Nordeste receberá quase metade das novas operações. Para Natal, um dos principais reforços será a ligação com Congonhas, em São Paulo, que ganhará 107 operações adicionais de ida e volta durante o período.
Também foram anunciados voos diretos sazonais da Azul Viagens ligando Natal a Curitiba e Goiânia, entre dezembro e o fim de janeiro. As duas rotas abrem acesso mais fácil a importantes mercados emissores do Sul e do Centro-Oeste. No segmento internacional, a Gol terá uma operação semanal entre Natal e Montevidéu, aos sábados, de 5 a 26 de dezembro. A conexão com a capital uruguaia se soma às ligações com Buenos Aires.
Essas operações sucedem a programação especial montada para o inverno, quando a Azul disponibilizou 17 frequências semanais e aproximadamente 16 mil assentos para Natal, com partidas de Congonhas, Confins, Viracopos, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Uberlândia. A ampliação demonstra que a procura pelo destino já não está restrita apenas ao verão.
Cada nova frequência deve ser compreendida como uma porta aberta para toda a economia. O passageiro movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, receptivos, transportadoras, locadoras, bares, comércio, artesanato e serviços culturais. A atividade espalha renda por diferentes segmentos e sustenta milhares de pequenos negócios. Além de Natal, destinos como Pipa, São Miguel do Gostoso, Galinhos, Maracajaú, Genipabu e os municípios do interior podem aproveitar o crescimento, desde que estejam integrados aos roteiros e preparados para receber os visitantes.
O bom desempenho, porém, não autoriza acomodação. A disputa pelo turista é intensa, e estados vizinhos também ampliam voos, realizam campanhas e investem na qualificação dos destinos. Empresas aéreas mantêm rotas onde encontram demanda constante, ocupação satisfatória e condições comerciais competitivas. Sem promoção contínua, uma frequência comemorada hoje pode ser reduzida ou transferida amanhã.
Por isso, merece apoio o apelo de entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio Grande do Norte e a Associação Brasileira de Agências de Viagens no Estado para que a promoção do destino seja tratada como política pública estruturada. ABIH-RN e Abav-RN conhecem diretamente as oscilações do mercado e sabem que divulgação não pode depender de ações isoladas, da proximidade da alta estação ou das prioridades de cada governo. A própria Abav tem defendido integração entre instituições e empresas para transformar planejamento em comercialização, competitividade e resultados.
Uma política permanente exige orçamento previsível, calendário plurianual de campanhas, presença em feiras, capacitação de agentes de viagens, ações com operadoras, publicidade nos principais mercados emissores e metas objetivas. Também demanda continuidade administrativa, governança profissional e avaliação dos resultados.
A promoção, naturalmente, precisa caminhar ao lado de infraestrutura, segurança, saneamento, limpeza urbana e preservação ambiental. Não basta convencer o visitante a vir; é necessário oferecer uma experiência capaz de fazê-lo retornar e recomendar o Estado. O Rio Grande do Norte vive uma oportunidade concreta de alcançar um novo patamar turístico. Os voos e os indicadores mostram que o mercado respondeu. Cabe ao poder público assegurar que essa boa fase deixe de ser apenas uma temporada favorável e se transforme em desenvolvimento permanente.