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Educação

Primeira-dama recebe Sinte e tenta negociar fim da greve dos professores de Natal

Nina Souza reuniu-se com comissão do Sinte-RN na Câmara de Natal e se comprometeu a intermediar diálogo com a Prefeitura; categoria está em greve desde 6 de agosto
Agora RN
22/08/2026 | 09:36

A primeira-dama e vereadora de Natal Nina Souza (PL) recebeu, nesta sexta-feira 21, uma comissão do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN) e abriu um canal de negociação para tentar encerrar a greve dos professores e educadores infantis da rede municipal. O encontro ocorreu no gabinete da parlamentar, na Câmara Municipal, enquanto integrantes da categoria realizavam uma mobilização em frente à sede do Legislativo.

Segundo o Sinte-RN, a primeira-dama comprometeu-se a atuar como interlocutora entre os profissionais e a administração do prefeito Paulinho Freire (União). A reunião não encerrou imediatamente a paralisação, mas representou a primeira aproximação política desde o início da greve e criou a expectativa de uma negociação direta sobre as reivindicações dos trabalhadores.

Vereadora Nina Souza reunida com representantes do Sinte-RN em seu gabinete na Câmara de Natal
Vereadora Nina Souza recebeu sindicalistas em seu gabinete na Câmara — Foto: Lenilton Lima/Sinte-RN

A categoria cobra mais 4,6% de reajuste salarial, além dos 5,4% referentes à atualização do piso nacional do magistério já concedidos pela Prefeitura. Os profissionais também defendem a recomposição de perdas acumuladas, a isonomia entre trabalhadores que exercem funções equivalentes, a unificação das carreiras, a garantia do tempo destinado ao planejamento e melhorias na estrutura e no funcionamento das escolas e dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).

O encontro com Nina Souza foi obtido depois de uma sequência de manifestações organizadas pelo sindicato. Na terça-feira 18, professores e educadores infantis realizaram um ato diante do Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura. Na ocasião, uma comissão recebeu a informação de que seria chamada para conversar após uma reunião entre Paulinho Freire e o secretário municipal de Educação, Aldo Fernandes.

Sem a confirmação da audiência, os trabalhadores retornaram à Prefeitura na quinta-feira 20 e montaram um acampamento diante do prédio. Durante a mobilização, dirigentes do Sinte-RN e integrantes da categoria entraram no Palácio Felipe Camarão para pressionar o Executivo a abrir a negociação.

Os manifestantes permaneceram por algumas horas no local sem receber uma resposta direta da equipe do prefeito. Depois de contatos por telefone, Nina comprometeu-se a receber a comissão sindical. Com a confirmação da reunião, o acampamento diante da Prefeitura foi encerrado e transferido para a Câmara Municipal. A mobilização no Palácio Felipe Camarão terminou no fim da tarde de quinta-feira.

Paralisação

A greve dos professores de Natal começou em 6 de agosto. A Prefeitura critica o movimento, afirma manter uma mesa permanente de negociação e sustenta que vem cumprindo um cronograma acordado com os profissionais. A gestão aponta como medidas adotadas a aplicação do reajuste de 5,4% do piso nacional na folha de março, o início do pagamento parcelado dos retroativos de janeiro e fevereiro e a antecipação de 40% do décimo terceiro salário em junho.

O reajuste já concedido alcançou, segundo o Município, 4.681 professores em atividade, 1.889 aposentados e 28 pensionistas. O impacto mensal informado pela administração foi de cerca de R$ 2 milhões sobre a folha dos servidores ativos e de R$ 816,1 mil para aposentados e pensionistas.

O sindicato, porém, considera o percentual insuficiente e reivindica uma complementação de 4,6%, para alcançar uma atualização total de 10% em 2026. A entidade também afirma que as perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos chegam a aproximadamente 60%.

Justiça

A greve dos professores continua mesmo após uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) determinar sua suspensão. A liminar foi concedida pelo desembargador Glauber Rêgo na sexta-feira 14 e estabeleceu um prazo de 24 horas para o retorno integral dos profissionais às atividades.

A decisão também ordenou que o Sinte-RN deixasse de promover, incentivar ou manter o movimento, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O Município recorreu ao Judiciário sob o argumento de que a entidade não apresentou um plano de contingenciamento indicando quais unidades, turmas e serviços continuariam funcionando. A rede municipal possui 147 unidades e atende 51.908 estudantes.

Mesmo após a liminar, os trabalhadores aprovaram a continuidade da greve em assembleia realizada na segunda-feira 17. O Sinte-RN argumenta que a Justiça suspendeu a paralisação, mas não declarou formalmente sua ilegalidade. A entidade informou que apresentará defesa no processo e assumirá as multas eventualmente aplicadas por causa do descumprimento da ordem judicial.