Os dez maiores patrimônios declarados por participantes das eleições de 2026 no Rio Grande do Norte somam R$ 119.641.329,59. O levantamento realizado pelo AGORA RN considera candidatos a governador, vice-governador, senador, suplente do Senado, deputado federal e deputado estadual.

O empresário Eugênio Ribeiro, candidato a deputado estadual, lidera a relação, com R$ 35,18 milhões. A segunda posição pertence a Marcos Solano, primeiro suplente de Tércio Tinôco na disputa pelo Senado, com R$ 21,15 milhões declarados.
A presença de um suplente entre os primeiros colocados é um dos principais resultados do levantamento. Diferentemente dos candidatos proporcionais, os suplentes do Senado não recebem votos separadamente. Ao votar para senador, o eleitor escolhe uma chapa formada pelo titular e por dois suplentes, que podem assumir o mandato em caso de afastamento, licença, renúncia ou morte do titular. O Senado explica como funciona a escolha dos suplentes.
Entre os dez primeiros estão sete candidatos a deputado estadual, dois a deputado federal e um primeiro suplente do Senado. Nenhum candidato a governador nem titular de candidatura ao Senado entrou na relação.
Os dados foram consultados nesta quinta-feira 20 na base de candidaturas e bens do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e confrontados com os perfis da Central Eleições 2026 do AGORA RN.
Para aprofundar o levantamento, o AGORA RN também examinou as descrições individualizadas dos bens, declarações de eleições anteriores, biografias institucionais, registros empresariais, publicações oficiais e o acervo jornalístico do portal. O objetivo é mostrar não apenas o total, mas como ele está distribuído e qual é a trajetória profissional e política conhecida de cada nome.
Os documentos não permitem atribuir automaticamente a origem de todo o patrimônio. Participações societárias mostram onde parte dos recursos está alocada, mas não provam, sozinhas, como o capital foi formado. Da mesma forma, variações entre eleições são nominais, sem correção pela inflação, e podem refletir aquisições, vendas, reavaliações, mudança no modo de declarar ou retificações.
Ranking dos maiores patrimônios declarados no RN
- Eugênio Ribeiro — R$ 35.188.203,21
- Marcos Solano — R$ 21.157.192,07
- Jorge do Rosário — R$ 19.270.974,71
- Juninho Saia Rodada — R$ 8.485.006,17
- Robinson Faria — R$ 8.020.894,15
- Galeno Torquato — R$ 7.622.768,79
- Getúlio Rêgo — R$ 5.419.492,39
- Tomba Farias — R$ 4.859.921,22
- Kleber Rodrigues — R$ 4.816.965,47
- Neilton Diógenes — R$ 4.799.911,41
1. Eugênio Ribeiro — R$ 35.188.203,21

Candidato a deputado estadual pelo PSDB, Eugênio Ribeiro de Souza Neto declarou o maior patrimônio entre os concorrentes e integrantes de chapas no Rio Grande do Norte.
Os dois bens de maior valor são participações empresariais: R$ 15,60 milhões em quotas da Valex Produções Ltda. e R$ 13,65 milhões em ações da Eubanco Seguros e Garantias S.A. Juntas, as duas participações somam R$ 29,26 milhões.
Também aparecem na declaração R$ 3,67 milhões em ações preferenciais do Banco do Estado de Santa Catarina, R$ 1 milhão em obrigações da Eletrobras, um apartamento avaliado em R$ 650 mil, R$ 405 mil em debêntures, R$ 93,7 mil em quotas da Mineradora Bassotti e R$ 82 mil em dinheiro.
A ficha eleitoral enquadra sua ocupação na categoria “outros”. Sua trajetória profissional pública está ligada à gestão empresarial, investimentos e participações societárias. A base eleitoral consultada não registra candidatura anterior em seu histórico.
A composição ajuda a explicar a liderança no ranking: Valex e Eubanco representam juntas aproximadamente 83% do total declarado. Em consulta cadastral baseada nos dados públicos da Receita Federal, a Valex aparece com atividade principal de organização de feiras, congressos, exposições e festas e capital social de R$ 15,60 milhões — o mesmo valor informado por Eugênio ao TSE. A Eubanco atua no segmento de seguros e garantias.
Um perfil profissional público atribuído a Eugênio o relaciona à Moxep Private Equity e descreve experiência em operações de participação societária e reestruturação empresarial. A informação é autodeclarada na rede profissional e serve apenas como contexto; a apuração não encontrou entrevista pública robusta em que ele explique, em primeira pessoa, por que decidiu estrear nas urnas em 2026.
Também não há, na declaração eleitoral atual, indicação de herança entre os nove itens apresentados. Por isso, a reportagem não atribui origem hereditária a nenhuma parcela do patrimônio de Eugênio.
2. Marcos Solano — R$ 21.157.192,07

Marcos Solano Vale, do União Brasil, é o primeiro suplente de Tércio Tinôco na chapa de número 444 para o Senado. Ele aparece na segunda posição geral, à frente de todos os candidatos titulares ao Governo e ao Senado.
Do patrimônio declarado, R$ 20,61 milhões — aproximadamente 97% do total — estão concentrados em quotas ou quinhões de capital de pessoas jurídicas. A maior participação individual foi informada pelo valor de R$ 7,5 milhões. Outras participações aparecem com valores de R$ 2,37 milhões, R$ 2,25 milhões, R$ 1,5 milhão, R$ 1,25 milhão e R$ 915 mil, entre outras. Também foram declarados R$ 544 mil em proventos a receber.
Solano informou ao TSE a ocupação de empresário. Ele também é médico e já atuou como secretário municipal de Saúde de Cascavel, no Paraná. Em 2014, concorreu a deputado federal naquele estado pelo então PPS e recebeu 2.272 votos. Em 2026, integra como primeiro suplente a chapa de Tércio Tinôco, que tem Dadaia Ribeiro como segunda suplente.
A declaração de 2026 registra 14 participações em pessoas jurídicas, mas usa descrições genéricas e não informa o nome das empresas. Assim, não é possível associar com segurança os R$ 20,61 milhões a negócios específicos. Em 2014, quando disputou uma vaga de deputado federal no Paraná, Solano havia declarado R$ 8,38 milhões; o total atual é cerca de 152% maior em valores nominais, sem descontar a inflação do período.
Há, porém, um vínculo empresarial documentado no Rio Grande do Norte. Aviso público veiculado pelo AGORA RN informa que Marcos Solano é sócio da Avibase Serviços Aeronáuticos Ltda., empresa que recebeu do Idema licença para agricultura não irrigada no Sítio Boi Morto, na zona rural de Grossos. O registro comprova a participação e a atividade, mas não permite concluir que ela corresponda a qualquer uma das quotas declaradas ao TSE.
Na política potiguar, Solano foi homologado como primeiro suplente de Tércio durante a convenção da Federação União Progressista, integrada à coligação de Allyson Bezerra ao Governo. Reportagem do portal registra que ele participou das discussões da aliança. Não foi localizada declaração pública confiável em que o empresário detalhe a motivação pessoal para aceitar a suplência.
3. Jorge do Rosário — R$ 19.270.974,71

Empresário e candidato a deputado estadual pelo PL, Jorge Ricardo do Rosário declarou R$ 19,27 milhões.
A maior parte do patrimônio está concentrada em quotas da Repav — Rosário Edificações e Pavimentação Ltda., avaliadas em R$ 18,09 milhões. A participação empresarial corresponde a cerca de 94% de tudo o que foi informado.
A relação de bens também inclui um Volvo XC60 avaliado em R$ 425 mil, casas em Tibau e Mossoró, terreno, VGBL, fundos de investimento e saldos bancários.
Jorge do Rosário já concorreu a vice-prefeito de Mossoró em 2016 e em 2020. Também disputou uma vaga na Assembleia Legislativa em 2018 e em 2022. Agora, concorre novamente a deputado estadual, com o número 22000.
A Repav é o eixo patrimonial e profissional mais visível de Jorge. A empresa foi criada em 1989 e atua em construção, incorporação e pavimentação. Uma pesquisa acadêmica da Universidade Estadual do Ceará, baseada em entrevistas sobre a indústria da construção em Mossoró, relata que ele começou a trabalhar no setor ainda jovem, é filho de mestre de obras, cursou Engenharia Civil na UFRN e depois estruturou a companhia.
O site da própria Repav identifica Jorge como engenheiro responsável por um residencial de 401 unidades em Mossoró. A participação societária declarada, de R$ 18,09 milhões, concentra quase toda a riqueza informada e estabelece uma ligação direta entre seu patrimônio e o setor imobiliário e de infraestrutura no Oeste potiguar.
Os totais declarados ficaram relativamente estáveis: R$ 19,93 milhões em 2018, R$ 18,76 milhões em 2022 e R$ 19,27 milhões em 2026, sempre em valores nominais. Politicamente, Jorge passou por PR e Avante — partido que chegou a presidir no Estado — e hoje comanda o PL em Mossoró. Sua filiação e posse no diretório municipal do PL consolidaram a candidatura atual. Ele também participa do debate empresarial local; em evento da CDL, defendeu a unidade das entidades para fortalecer o comércio de Mossoró.
4. Juninho Saia Rodada — R$ 8.485.006,17

Juninho Saia Rodada, nome de urna de Antônio Alves da Silva, concorre a deputado federal pelo PL e declarou R$ 8,48 milhões.
A maior parcela está em aplicações financeiras: R$ 5,24 milhões em fundos de investimento, R$ 1,26 milhão em letras de crédito e renda fixa e R$ 1 milhão em letras de crédito do agronegócio.
Ele também declarou R$ 250 mil em quotas da empresa Saia Rodada Promoções Artísticas, R$ 235 mil em conta corrente e imóveis localizados em Natal e Caraúbas.
Empresário ligado ao setor de entretenimento, Juninho foi vereador de Caraúbas e cumpriu dois mandatos consecutivos como prefeito do município, após vencer as eleições de 2016 e 2020. Em 2026, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados.
A fotografia patrimonial atual é predominantemente financeira: fundos, letras de crédito e títulos ligados ao agronegócio somam cerca de R$ 7,50 milhões, ou 88% do total. A participação diretamente identificada na Saia Rodada Promoções Artísticas equivale a 2,9% do patrimônio declarado, embora a atividade musical e de eventos seja central em sua trajetória profissional.
Em perfil de campanha publicado pelo próprio grupo político, Juninho é apresentado como fundador da banda Saia Rodada, promotor de eventos e proprietário do Olho D’Água Parque Hotel. Essas informações são autodeclaradas e não significam que cada negócio pertença integralmente ao candidato ou esteja avaliado separadamente na relação de bens.
A evolução declarada foi de R$ 168,9 mil em 2008 para R$ 1,11 milhão em 2016, R$ 1,13 milhão em 2020 e R$ 8,48 milhões em 2026, em valores nominais. Sua passagem à disputa federal ocorre depois de dois mandatos de vereador e dois de prefeito de Caraúbas, município que segue como principal base política. Não foi localizada uma declaração específica atribuindo a candidatura de 2026 a uma razão pessoal além da ampliação de sua atuação para o Congresso.
5. Robinson Faria — R$ 8.020.894,15

Atual deputado federal pelo PP, Robinson Faria declarou patrimônio de R$ 8,02 milhões.
Os principais itens são R$ 1,04 milhão destinado a aumento de capital em pessoa jurídica, R$ 1 milhão em previdência privada VGBL, terrenos em condomínios de Parnamirim, apartamento em Natal, participações empresariais e aplicações financeiras.
Também aparecem imóveis rurais e urbanos, créditos, saldos bancários e veículos, entre eles uma Toyota SW4 e um Jeep Cherokee.
Robinson foi deputado estadual durante seis mandatos, vice-governador entre 2011 e 2014 e governador do Rio Grande do Norte entre 2015 e 2018. Está no mandato de deputado federal iniciado em 2023, conforme sua biografia oficial na Câmara dos Deputados.
A declaração de 2026 combina aplicações, previdência, imóveis e participações empresariais, sem apontar uma única empresa como origem dominante. Os dois lançamentos societários nominalmente identificados somam R$ 808 mil; o aporte para futuro aumento de capital aparece separadamente, com R$ 1,04 milhão. Os nomes das pessoas jurídicas não foram informados na base aberta consultada.
Robinson vem de família com atuação empresarial no Estado. Relato biográfico publicado pelo jornal De Fato relaciona seu pai, Osmundo Faria, à indústria salineira, especialmente à Salina Amarra Negra, e à entrada do filho na política. Esse contexto não autoriza concluir que os bens atuais sejam herança: a declaração de 2026 não classifica nenhum item dessa maneira.
Em valores nominais, ele declarou R$ 3,54 milhões em 2006, R$ 8,33 milhões em 2014, R$ 10,58 milhões em 2018, R$ 6,77 milhões em 2022 e R$ 8,02 milhões em 2026. A candidatura atual é a continuidade de uma carreira iniciada na Assembleia em 1987 e que já passou pelos cargos de vice-governador e governador; não representa uma entrada recente na política motivada pelo patrimônio empresarial.
6. Galeno Torquato — R$ 7.622.768,79

Candidato a deputado estadual pelo União Brasil, Galeno Torquato declarou R$ 7,62 milhões.
Os bens de maior valor são uma participação societária avaliada em R$ 2,44 milhões, valores aplicados em planos de previdência privada e R$ 1,47 milhão destinado a futuro aumento de capital de uma empresa. A declaração inclui ainda aplicações financeiras, debêntures, terreno rural e um Jeep Grand Cherokee.
Médico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Galeno foi prefeito de São Miguel por dois mandatos, entre 2005 e 2012. Foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2014 e atualmente cumpre o terceiro mandato, segundo o perfil oficial da Assembleia Legislativa.
Mais de R$ 6 milhões estão concentrados em três blocos: participação societária, recursos destinados a futuro aumento de capital e planos de previdência privada. O TSE, porém, não identifica a empresa nem descreve sua atividade econômica. A reportagem não localizou documentação segura que permita atribuir essa parcela a um negócio específico.
A série histórica mostra R$ 546,7 mil declarados em 2008, R$ 1,58 milhão em 2014, R$ 4,89 milhões em 2018, R$ 8,02 milhões em 2022 e R$ 7,62 milhões em 2026. O recuo nominal mais recente é de 5%. As comparações não demonstram ganho ou perda de renda, pois retratam apenas o estoque declarado em cada candidatura.
Sua entrada na política tem vínculos familiares e municipais documentados: o perfil oficial da ALRN informa que Galeno é filho do ex-deputado José Torquato de Figueiredo e iniciou a carreira eletiva em São Miguel, onde foi prefeito por dois mandatos. A atuação posterior se expandiu do Alto Oeste para a Assembleia; as fontes consultadas não trazem uma explicação pessoal específica para a nova candidatura.
7. Getúlio Rêgo — R$ 5.419.492,39

Médico e candidato a deputado estadual pelo PL, Getúlio Rêgo informou patrimônio de R$ 5,41 milhões.
A relação inclui R$ 1,10 milhão em previdência privada VGBL, casa de praia avaliada em R$ 802,6 mil, empréstimos concedidos, prédio comercial, apartamento, terrenos, salas comerciais, veículos e recursos mantidos em contas e aplicações financeiras.
Getúlio iniciou sua trajetória parlamentar em 1982 e foi eleito deputado estadual por dez mandatos consecutivos. Deixou a Assembleia em janeiro de 2023, depois de 40 anos de atuação parlamentar, conforme registro da Assembleia Legislativa do RN. Em 2026, tenta retornar ao Legislativo estadual.
A previdência privada é o maior item individual, mas o patrimônio está pulverizado: há imóveis residenciais e comerciais, veículos, aplicações, saldos e créditos. Entre estes, aparece um empréstimo de R$ 400 mil concedido a Leonardo Nunes Rêgo. Trata-se de crédito declarado, não de doação, renda ou herança.
Os totais nominais passaram de R$ 1,02 milhão em 2006 para R$ 1,49 milhão em 2010, R$ 2,25 milhões em 2014, R$ 3,17 milhões em 2018, R$ 3,50 milhões em 2022 e R$ 5,41 milhões em 2026. A declaração atual é 54,8% superior à anterior, sem correção monetária.
Antes da primeira eleição, Getúlio formou-se em Medicina e dirigiu o Hospital Regional de Umarizal, segundo o perfil oficial da Assembleia. Sua trajetória eleitoral está associada ao Oeste potiguar e a uma base regional construída ao longo de dez mandatos. Em 2026, a razão objetiva da candidatura é o retorno à Assembleia após ficar fora da legislatura iniciada em 2023.
8. Tomba Farias — R$ 4.859.921,22

Tomba Farias, candidato à reeleição para deputado estadual pelo PL, declarou R$ 4,85 milhões.
O maior bem é um plano VGBL de R$ 1,29 milhão. Em seguida aparecem um apartamento na Ribeira, em Natal, avaliado em R$ 1,15 milhão; uma casa de veraneio em Pirangi, no valor de R$ 511,7 mil; 217 cabeças de gado avaliadas em R$ 434 mil; e uma Toyota SW4 de R$ 387 mil.
A relação contém ainda imóveis em Santa Cruz e Areia Preta, propriedades rurais, terrenos, quotas de uma holding e saldos bancários.
Tomba foi prefeito de Santa Cruz por dois mandatos, iniciados em 2001 e 2005. Foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2010 e atualmente cumpre o quarto mandato na Assembleia Legislativa. Seu perfil oficial na ALRN registra atuação ligada ao municipalismo, agricultura e turismo religioso.
Este é o único nome do ranking cuja declaração atual identifica expressamente bens recebidos por herança. O TSE registra como herdados a casa de veraneio em Pirangi, avaliada em R$ 511,7 mil; parte do Sítio Bom Jardim; um imóvel comercial em Santa Cruz; e um quinto de uma propriedade rural em Mãe D’Água. Somados conforme os valores descritos na ficha, os lançamentos com menção a herança representam ao menos R$ 566 mil. Parte do Sítio Bom Jardim também inclui aquisição posterior, por isso não é possível tratar todo o valor do imóvel como herdado.
Tomba ainda declarou R$ 290,7 mil em quotas da Farias & Bezerra Holding Ltda. Registros públicos localizam a empresa em Santa Cruz; um edital publicado no Diário Oficial do Estado mostra a holding classificada em seleção da Defensoria Pública para locação de imóvel no município. A declaração não informa quanto da atividade da empresa gerou renda ao candidato. O rebanho bovino e as propriedades rurais conectam outra parcela do patrimônio ao setor agropecuário.
O patrimônio nominal declarado avançou de R$ 415,2 mil em 2010 para R$ 2,15 milhões em 2014, R$ 2,34 milhões em 2018, R$ 3,13 milhões em 2022 e R$ 4,85 milhões em 2026. Politicamente, sua base permanece em Santa Cruz; a biografia institucional relaciona sua atuação ao desenvolvimento municipal, à agricultura e ao turismo religioso, com destaque para o Santuário de Santa Rita de Cássia.
9. Kleber Rodrigues — R$ 4.816.965,47

Deputado estadual e candidato pelo PP, Kleber Rodrigues declarou R$ 4,81 milhões.
Um imóvel residencial em Natal, avaliado em R$ 4,28 milhões, representa aproximadamente 89% de todo o patrimônio informado. Ele também declarou R$ 485,1 mil em participação societária e cerca de R$ 48 mil distribuídos entre aplicações, fundos e saldos bancários.
Kleber Rodrigues está no segundo mandato na Assembleia Legislativa. Foi reeleito em 2022 com 61.074 votos e tem atuação relacionada à geração de empregos, inclusão, defesa dos municípios e apoio às micro e pequenas empresas, segundo seu perfil na Assembleia Legislativa.
O imóvel residencial concentra 89% da declaração, o maior grau de concentração imobiliária entre os dez nomes do ranking. A participação societária de R$ 485,1 mil aparece sem o nome da empresa em 2026. Na declaração de 2022, o mesmo valor era identificado como participação na Megafral Indústria e Comércio Ltda.; como a descrição atual é genérica, a reportagem não assume que se trata necessariamente da mesma participação.
Kleber declarou R$ 755,1 mil em 2018, R$ 2,04 milhões em 2022 e R$ 4,81 milhões em 2026, valores nominais. A maior parte da diferença recente é explicada, na fotografia atual, pelo imóvel residencial de R$ 4,28 milhões; isso não significa valorização automática de um bem anteriormente declarado, pois a base não estabelece essa correspondência.
O perfil institucional o apresenta como empresário com origem no comércio. A passagem do setor empresarial à política ocorreu na eleição de 2018. Na Assembleia, ele vinculou parte da atuação à micro e pequena empresa e à geração de empregos — uma conexão temática com sua trajetória profissional, não uma prova da origem dos bens.
10. Neilton Diógenes — R$ 4.799.911,41

Fechando a lista, Neilton Diógenes declarou R$ 4,79 milhões. Ele concorre à reeleição para deputado estadual pelo PP.
Os maiores itens são R$ 1,4 milhão aplicado em LCI, um apartamento em Natal avaliado em R$ 1,38 milhão e R$ 823 mil em CDB. Também foram informados uma casa em Mossoró, outro apartamento em Natal, aplicações em LCA e fundos, terreno em Apodi e veículos.
Neilton está no primeiro mandato de deputado estadual, após ser eleito em 2022 com 25.143 votos. Antes da atuação parlamentar, trabalhou durante 13 anos no Corpo de Bombeiros Militar e passou a atuar no setor empresarial de televisão e internet, segundo a biografia publicada pela Assembleia Legislativa.
A biografia institucional acrescenta que ele é filho de padeiro e professora, não pertence a família política tradicional e se tornou sócio-presidente de uma das quatro concessões de televisão e internet do Rio Grande do Norte, com presença em mais de 80 municípios. A fonte não identifica a empresa nem quantifica a participação societária, e a declaração eleitoral de 2026 não lista quotas empresariais entre os 13 bens.
Seu patrimônio informado é formado principalmente por aplicações e imóveis: LCI, CDB e LCA somam R$ 2,42 milhões; dois apartamentos e uma casa somam R$ 2,10 milhões. O total passou de R$ 1,24 milhão em 2022 para R$ 4,79 milhões em 2026, alta nominal de 286,7%. A comparação não permite afirmar que o aumento veio da empresa de telecomunicações.
Neilton foi candidato a vice-prefeito de Apodi em 2020 e se elegeu deputado estadual em 2022. Segundo a ALRN, chegou ao mandato com a bandeira de geração de oportunidades e desenvolvimento do Oeste potiguar; depois passou a defender pautas ligadas à modernização ambiental, ao Corpo de Bombeiros, à saúde e aos pequenos negócios. Esse é o motivo político apresentado publicamente por sua biografia, diferente de uma explicação contábil para a riqueza declarada.
Suplentes declararam R$ 34,8 milhões
Os 28 candidatos registrados como primeiros ou segundos suplentes das 14 candidaturas ao Senado no RN declararam, juntos, R$ 34.815.095,63.
Os cinco maiores patrimônios entre os suplentes são:
- Marcos Solano, primeiro suplente de Tércio Tinôco: R$ 21.157.192,07;
- Milena Galvão, segunda suplente de Styvenson Valentim: R$ 4.246.822,78;
- Jean Paul Prates, primeiro suplente de Rafael Motta: R$ 3.908.204,36;
- Netinho Lins, primeiro suplente de Zenaide Maia: R$ 2.180.845,00;
- Gabriela Fagundes, segunda suplente de Coronel Hélio: R$ 1.030.000,00.
Marcos Solano entrou no segundo lugar do ranking geral. Milena Galvão ficaria na 11ª posição caso a relação fosse ampliada, enquanto Jean Paul Prates apareceria entre os 15 maiores patrimônios.
O que significa patrimônio declarado
A expressão “candidatos mais ricos” é usada neste levantamento como referência aos maiores valores declarados à Justiça Eleitoral. Ela não representa uma avaliação independente da riqueza real de cada pessoa.
As declarações são apresentadas pelos próprios candidatos e podem utilizar valores históricos de aquisição, e não necessariamente os preços atuais de mercado. O total corresponde à soma dos bens e direitos informados, sem abatimento de eventuais dívidas.
As candidaturas ainda podem apresentar retificações. Os pedidos de registro também passam pelo julgamento da Justiça Eleitoral, o que pode provocar mudanças na lista de concorrentes até a conclusão do processo.
A declaração de Eugênio Ribeiro ilustra esse cuidado: uma versão anterior disponível em espelhos da base mostrava apenas um apartamento de R$ 650 mil. A carga oficial atualizada na terça-feira 18 passou a registrar nove bens, totalizando R$ 35,18 milhões. Esta reportagem usa a versão mais recente do TSE.
Fontes e critérios da apuração
A base principal é o conjunto de candidatos e bens de 2026 do TSE, atualizado na terça-feira 18 e consultado na quinta-feira 20. Para a série histórica, foram comparadas as declarações disponíveis nas eleições anteriores. Todos os percentuais foram calculados pelo AGORA RN sobre valores nominais.
As trajetórias políticas foram verificadas em perfis e notícias da Assembleia Legislativa do RN, da Câmara dos Deputados, em documentos públicos, registros empresariais e no acervo do AGORA RN. Informações provenientes de perfis profissionais ou de campanha são identificadas no texto como autodeclaradas.
Quando o TSE usa descrições genéricas como “participação societária” ou “quotas de capital”, a reportagem não atribui a participação a uma empresa específica. “Não declarado” significa que o item não aparece na ficha atual; “não localizado” significa que a apuração buscou, mas não encontrou fonte pública confiável; e “não comprovado” é usado para hipóteses que não têm documentação suficiente.
Dados consultados nesta quinta-feira 20. Fonte: Tribunal Superior Eleitoral.