Quando eu tinha meus 23 anos – não faz nem dez anos ainda – me vi diante de um livro colocado sobre o sofá da minha casa. Era um livro de bolso, usado – surrado –, com o estranho nome, até então, para mim, de “O Evangelho, Segundo o Espiritismo”.
De início, me causou estranheza. Nunca ouvira falar do Espiritismo.
Mas me senti atraído para lê-lo e foi o que comecei a fazer. Num só dia, de uma só tacada, li para lá de 60 páginas, e me senti diante de algo novo.
O Livro “destrincha” o significado das palavras e ensinamentos do Maravilhoso Homem.
Situações que eu já ouvira no Catecismo ou nas missas, me vinham à mente através daquela leitura, só que agora preenchidas com significados para mim acima de qualquer suspeita.
Era todo um sentido da vida que se dispunha ali, através dos sábios conceitos do Mestre.
Hoje, após muitas leituras do Evangelho, e também de leituras complementares, me sinto um homem que se conhece um pouco mais, conhece o próximo e sabe um pouco mais a respeito do que é a Vida, a Verdade e o Caminho.
Venho por meio deste, caros amigos, neste momento em que se recorda o nascimento de Cristo, dar meu testemunho de fé e razão:
Amar a Deus sobre todas as coisas – eis o primeiro mandamento. Amar ao próximo como a si mesmo – o segundo, “eis aí toda a lei e os profetas”, ele disse.
Pois é nisso que devemos nos concentrar, quando nos lembrarmos de Jesus.
Amar a Deus é entregar nossos destinos a Ele, confiar na Divina Providência, mas fazendo a nossa parte, amando a Criação e as suas criaturas e trabalhando porque o trabalho é Lei Divina.
Amar ao próximo – coisa difícil, sim – é o nosso dever diário.
O Espiritismo vem nos ensinar que a Vida é incessante. Que estamos encarnados, que já estivemos encarnados outras vezes, e que ainda estaremos no futuro noutras reencarnações, noutras oportunidades, seja neste, ou noutros planetas.
E só assim, confesso pessoalmente, encontro sentido para a Vida, de tantas injustiças aparentes e desigualdades necessárias, pois somos desiguais e cada qual precisa de situações específicas de experiência, de oportunidade e de amadurecimento.
Um pouco acima na escala evolutiva, um homem há 2012 anos, veio até nós, cheio de sabedoria e revelação, nos ensinar com seu exemplo, como deveríamos viver.
Até hoje, contudo, somos renitentes na acomodação. Não renunciamos, somos orgulhosos e egoístas, quando na verdade deveríamos ser humildes e caridosos, gerando em nós o Bem, a força maior que conduz ao Pai.
Que neste Natal, tenhamos renovada a Divina Inspiração que nos legou Jesus.
Que vive.