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Acne

Adesivos para espinhas funcionam? Veja o que dizem os especialistas

Produtos com hidrocoloide podem absorver secreções e proteger algumas lesões, mas não tratam a causa da acne
Por O Correio de Hoje
12/08/2026 | 14:20

Os adesivos para espinhas ganharam popularidade nos últimos anos e passaram a ocupar espaço nas prateleiras das farmácias e nas redes sociais. Disponíveis em versões transparentes, coloridas e até em formatos de estrela e coração, eles são usados por adolescentes e adultos como uma alternativa para proteger e tratar algumas lesões de acne. Apesar da popularidade, especialistas alertam que a eficácia desses produtos depende do tipo de espinha e que eles não substituem o tratamento dermatológico.

Os modelos mais comuns são produzidos com hidrocoloide, material que ajuda a absorver a secreção da espinha e mantém a região úmida, favorecendo a cicatrização. Segundo a dermatologista Glauce Eiko, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o adesivo também funciona como uma barreira física, reduzindo o atrito e evitando que a pessoa manipule a lesão.

Pessoa segura um adesivo rosa em formato de estrela próximo a uma área com pequenas lesões de acne no rosto
Adesivos para espinhas podem ajudar na cicatrização e proteger lesões de acne no rosto - Foto: magnific

“Eles absorvem a secreção da espinha, mantêm o ambiente úmido e controlado, o que é o ideal para a cicatrização”, afirma a médica. Ela explica que o uso do adesivo também diminui o risco de infecção secundária e do aparecimento de manchas causadas por espremer ou tocar a espinha.

A maior eficácia ocorre quando a lesão já apresenta uma pústula com ponto branco. Nessa fase, o hidrocoloide consegue absorver o pus e o líquido liberado pela inflamação, reduzindo o inchaço, a vermelhidão e o volume da espinha. O produto também pode ser utilizado quando a lesão já foi rompida, funcionando como um curativo que protege a região e favorece a recuperação da pele.

Já nas fases iniciais da inflamação, quando existe apenas uma pápula sensível e sem ponto branco, o benefício é mais limitado. Nesses casos, o adesivo atua principalmente como proteção para evitar que a pessoa manipule a espinha. Em lesões profundas, como cistos e nódulos, e também em cravos abertos ou fechados, o produto não apresenta benefícios.

Além dos adesivos de hidrocoloide, existem versões com ingredientes como ácido salicílico, niacinamida e microagulhas dissolvíveis, desenvolvidas para liberar substâncias diretamente na lesão. Segundo a dermatologista Barbara Miguel, do Einstein Hospital Israelita, esses produtos podem oferecer uma ação química complementar, mas ainda há poucas evidências científicas sobre benefícios adicionais em relação aos modelos convencionais.

Para obter melhores resultados, os especialistas orientam que o adesivo seja aplicado sobre a pele limpa e completamente seca, sem cremes, séruns ou óleos na região. O produto deve cobrir toda a lesão e permanecer no local entre seis e 24 horas, ou até ficar esbranquiçado, indicando que absorveu a secreção.

Quem utiliza retinoides ou peróxido de benzoíla deve evitar aplicar esses produtos sob o adesivo, já que a oclusão pode aumentar a penetração dos ativos e provocar irritação. Após retirar o patch, a recomendação é hidratar levemente a área para ajudar na recuperação da barreira da pele.

Apesar dos benefícios em situações específicas, os especialistas reforçam que os adesivos não tratam a causa da acne. “É muito importante entender que esses produtos não tratam a causa da acne. Quem apresenta espinhas frequentes ou acne moderada a grave precisa de uma avaliação dermatológica para tratar o processo inflamatório e evitar cicatrizes”, alerta Barbara Miguel.