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Política

Candidatura de Flávio definha, e mercado pressiona por troca

Segundo a Folha de S.Paulo, desconfiança sobre o senador cresce na Faria Lima, que já precifica vitória de Lula e busca uma alternativa à direita
Redação
28/07/2026 | 06:24

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência enfrenta crescente rejeição entre integrantes do mercado financeiro, que passaram a defender seu desembarque em favor de um nome considerado mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo publicação do jornal Folha de S.Paulo, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) ganha espaço na preferência da Faria Lima ao lado de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.

Gestores, economistas e executivos ouvidos sob anonimato pela Folha afirmaram que apenas uma parcela mais identificada com o bolsonarismo mantém apoio irrestrito a Flávio. Embora o senador apareça como principal adversário de Lula nas pesquisas, a avaliação predominante nesse segmento é de que sua candidatura pode não resistir à campanha e de que o atual presidente venceria um eventual segundo turno.

Convenção Flávio
Flávio com Javier Milei na convenção - Foto: PL/Divulgação

A desistência de Flávio, segundo essa leitura, abriria espaço para candidatos vistos como mais estáveis. Caiado é elogiado pelo perfil liberal na economia e pela política de segurança pública adotada em Goiás. A possibilidade de uma composição com Kassab tem conquistado apoio crescente no setor financeiro. Renan Santos (Missão), associado a uma imagem de renovação, e Romeu Zema (Novo) também são citados como alternativas.

A deterioração da imagem de Flávio no mercado estaria relacionada, principalmente, às contradições sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e ao pedido de recursos para o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo a Folha, empresários relatam que o senador perdeu credibilidade ao negar inicialmente a relação e apresentar versões consideradas contraditórias.

A existência de um inquérito sobre o caso também provoca desconforto. A percepção entre os interlocutores é de que novas mensagens ou vídeos podem surgir durante a campanha e ampliar o desgaste. Como Flávio ocupa o espaço de principal adversário de Lula e dificulta o crescimento de outros nomes da direita, há receio de que uma eventual denúncia seja divulgada apenas no segundo turno, favorecendo a reeleição do petista.

Outro fator apontado é a dificuldade do senador para construir alianças. O confronto público com Michelle Bolsonaro, sua madrasta e uma liderança com influência entre o eleitorado feminino, foi classificado como um erro estratégico.

A fragilidade atribuída à candidatura de Flávio levou bancos, gestoras e corretoras a incorporar aos preços dos ativos uma perspectiva de reeleição de Lula. A Folha cita como sinais desse cenário o Ibovespa abaixo de sua máxima, o dólar acima de R$ 5 e a alta dos juros futuros.