Apagar a luz durante a relação sexual pode ser apenas uma preferência do casal, mas também pode estar relacionado à ansiedade, à autoestima e à forma como cada pessoa enxerga o próprio corpo. A avaliação é de especialistas em sexualidade, que afirmam que a decisão varia conforme a experiência individual e não deve ser interpretada automaticamente como sinal de insegurança.
Em entrevista ao portal Psychology Today, a psicóloga, mestre em Sexologia Clínica e Terapia de Casal Elizabeth Montaño explica que o contato visual nem sempre é prioridade durante a relação sexual e que muitos casais preferem concentrar a atenção nas sensações e no toque. Ainda assim, ela observa que a escolha da iluminação pode refletir aspectos da relação que cada pessoa estabelece com o próprio corpo.

Segundo Montaño, a insatisfação corporal aparece com frequência entre as mulheres atendidas em consultório. “Uma porcentagem significativa das mulheres que atendo relata algum grau de insatisfação corporal ou uma desconexão com o próprio corpo”, afirmou.
A codiretora do Instituto de Sexologia de Barcelona e autora do livro O Sexo que Nós, Mulheres, Queremos, Carmen Sánchez Martín, afirma que muitas mulheres se sentem mais confortáveis quando a iluminação é reduzida.
“Há mulheres que preferem fazer sexo com a luz apagada, principalmente porque se sentem desconfortáveis com o próprio corpo. Elas ficam incomodadas, por exemplo, com a forma como determinadas posições podem destacar sua silhueta. Por isso, preferem evitá-las ou praticá-las com a luz apagada ou com uma iluminação suave”, disse.
Para a especialista, esse comportamento também é influenciado pelos padrões de beleza e pela forma como a sexualidade é retratada socialmente. Segundo ela, a diferença entre ficção e realidade apresentada pela pornografia pode criar expectativas distorcidas sobre corpos e práticas sexuais.
Elizabeth Montaño explica que a escuridão pode funcionar como um mecanismo para reduzir a ansiedade durante a relação sexual. “Ter relações com a luz apagada funciona como um recurso de regulação emocional, reduzindo a exposição do próprio corpo e diminuindo a ansiedade”, afirmou.
Embora a situação seja mais frequentemente relatada por mulheres, Carmen Sánchez Martín observa que homens também podem enfrentar inseguranças relacionadas à aparência física, incluindo preocupações com o próprio corpo e com o tamanho do pênis. Segundo ela, alguns preferem ambientes com iluminação mais suave para se sentirem mais confortáveis.
As especialistas ressaltam, no entanto, que optar por uma iluminação mais baixa não significa, necessariamente, a existência de algum problema emocional ou sexual. A escolha pode representar apenas uma preferência estética ou uma forma de tornar o momento mais confortável para o casal.
Na avaliação das especialistas, a decisão de apagar ou manter a luz acesa deve ser tomada de forma livre e respeitar o conforto dos dois parceiros, permitindo que a intimidade seja vivida sem constrangimentos ou pressões externas.