O aumento da circulação de informações sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) nas redes sociais tem ampliado o número de pessoas que acreditam ter a condição sem passar por avaliação especializada. O alerta foi feito pela neuropsicóloga Gleyna Lemos. Segundo ela, embora a divulgação do tema contribua para reduzir o estigma, também favorece interpretações equivocadas e a banalização do diagnóstico.
De acordo com a especialista, o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, de base neurobiológica e com forte influência genética. A prevalência é estimada em cerca de 8% da população, com maior identificação entre crianças e adolescentes. Ela observou, porém, que muitos adultos recebem o diagnóstico apenas anos depois, ao revisarem sintomas que estiveram presentes desde a infância.

A neuropsicóloga explicou que o principal problema é quando pessoas passam a se identificar com conteúdos publicados na internet e concluem, por conta própria, que têm o transtorno. Segundo ela, a identificação com características isoladas, como desatenção ou dificuldade de concentração, não é suficiente para confirmar o diagnóstico.
“O problema é você fazer um autodiagnóstico ou rotular-se de uma forma equivocada”, afirmou.
Ela ressaltou que o TDAH não pode ser confundido com distrações comuns do cotidiano. Segundo Gleyna, o transtorno envolve alterações persistentes da atenção, impulsividade e hiperatividade, que causam prejuízos na vida acadêmica, profissional e social.
A especialista explicou que existem três apresentações clínicas do transtorno: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa/impulsiva e combinada. Mesmo nos casos em que predomina a hiperatividade, os sintomas de desatenção também estão presentes, ainda que em menor intensidade.
Segundo ela, a hiperatividade costuma aparecer de forma mais evidente na infância, principalmente em comportamentos como dificuldade para permanecer sentado, excesso de movimento e fala constante.
Já a impulsividade está relacionada à tendência de agir sem refletir, o que pode resultar em decisões precipitadas e maior exposição a situações de risco.
Nos casos de predominância da desatenção, os sinais podem ser menos perceptíveis, especialmente entre meninas. Gleyna explicou que elas costumam desenvolver estratégias para mascarar as dificuldades e tendem a apresentar menos comportamentos que chamam atenção em sala de aula, o que pode retardar o diagnóstico.
Ela destacou ainda que fatores ambientais influenciam a intensidade dos sintomas.