O herpes zóster, conhecido popularmente como “cobreiro”, pode provocar dor intensa e prolongada, além de complicações neurológicas, principalmente em pessoas acima dos 50 anos e pacientes com imunidade comprometida. O alerta foi feito pelo médico infectologista Antônio Araújo.
Segundo o especialista, o herpes zóster é causado pelo mesmo vírus da varicela, conhecida como catapora. Após a infecção na infância, o vírus permanece no organismo e pode ser reativado anos depois.

“O herpes zóster é uma doença viral que compromete bastante as pessoas mais idosas, principalmente aquelas pessoas que tiveram varicela, a famosa catapora. A catapora fica adormecida no gânglio nervoso e, com algum problema que o paciente poderá ter no futuro, a idade, um estresse, um sol, uma quimioterapia, HIV, uma imunodepressão qualquer, a pessoa pode apresentar esse herpes zóster. É muito doloroso e bastante prolongado quando se apresenta com a neuralgia do zóster”, afirmou.
Ele explicou que o termo popular “cobreiro” surgiu porque as lesões costumam se distribuir em faixa pelo corpo. “Cobreiro porque ele faz uma volta, tipo uma cobra. Antigamente também se chamava de zona”, disse.
O infectologista também esclareceu a diferença entre herpes simples e herpes zóster. Segundo ele, o herpes simples costuma apresentar recorrências frequentes, enquanto o herpes zóster permanece adormecido até que algum fator provoque sua reativação.
“O herpes zóster está adormecido no corpo da gente e o que faz despertar? Pacientes que têm HIV, que estão iniciando o quadro de HIV, pacientes que começam a fazer quimioterapia, pacientes que têm uma neoplasia, um paciente diabético, um paciente que tem um estresse profundo, isso são fatores que fazem com que as pessoas adquiram esse herpes zóster, que está adormecido.”
Ele acrescentou que pessoas que tiveram contato com o vírus da varicela na infância podem desenvolver a doença décadas depois. O médico destacou que o surgimento da doença pode indicar queda da imunidade e, por isso, exige investigação clínica.
“A importância de fazer a avaliação é porque, se a pessoa tem herpes zóster, é porque tem uma baixa da imunidade. E pode ser alguma doença que esteja aparecendo também.”
Além da infecção em si, a principal complicação é a neuralgia pós-herpética, caracterizada pela permanência da dor mesmo após o desaparecimento das lesões.
“Essa dor é muito profunda e as pessoas podem permanecer até um ano com essa dor. A gente sabe que tem alguns medicamentos que aliviam, mas não passam totalmente a dor. É uma dor neuropática que compromete mais as pessoas mais idosas”, afirmou Antônio Araújo.
Segundo ele, pacientes com melhor resposta imunológica podem apresentar sintomas menos intensos. “Mas aquelas pessoas que têm o sistema imunológico já um pouco abatido vão ter uma dor mais profunda.”
Complicações
O infectologista alertou que o herpes zóster pode provocar outras complicações além da dor.
“Além da dor, você tem a fase inicial do quadro, que é uma astenia, febre e cefaleia. Logo em seguida vêm as bolhas. Depois vem a dor. E pode fazer um quadro de encefalite, uma mielite, uma pancreatite, uma hepatite e doenças neurológicas, como Guillain-Barré.”
Segundo ele, a neuralgia pós-herpética é a complicação mais frequente. “A maioria das pessoas que têm herpes zóster vai ter uma neuralgia do zóster, que é bastante dolorosa e que pode se prolongar por um ano.”
Quando o vírus acomete a região dos olhos, os riscos aumentam. “Às vezes, até perda da visão. Pode acontecer quando é um herpes zóster oftálmico. Você pode ter uma perda da visão permanente.”
Tratamento precoce
De acordo com Antônio Araújo, o início rápido do tratamento antiviral reduz a gravidade da doença.
“Se você iniciar logo, assim que aparecem as primeiras bolhas, no segundo ou terceiro dia, o tratamento vai diminuir e faz com que você não tenha tanta possibilidade de ter um herpes zóster mais grave.”
Segundo ele, o tratamento também reduz o tempo de evolução da doença.
“O uso do antiviral vai amenizar a dor e vai amenizar o tempo, que vai ser mais ou menos de 10 a 12 dias, diminuindo para sete ou oito dias.”

Transmissão
O infectologista explicou que pessoas com herpes zóster podem transmitir o vírus para indivíduos que nunca tiveram catapora ou não foram vacinados. Segundo ele, a transmissão ocorre principalmente pelo contato.
Por esse motivo, ele orientou o isolamento enquanto houver lesões ativas. “Se uma pessoa numa residência tem herpes zóster, ela deve ficar isolada.”
Vacinação
Antônio Araújo defendeu a vacinação para pessoas com 50 anos ou mais. Ele reconheceu que o imunizante tem custo elevado, mas recomendou sua aplicação para quem tiver acesso.
Segundo o infectologista, a vacinação reduz a gravidade da doença caso ela ocorra.
O médico também afirmou que manter doenças crônicas controladas pode contribuir para reduzir a gravidade do quadro.
“Se você é diabético, não descompensar. Se você tiver uma dieta perfeita, uma atividade física perfeita, isso ajuda bastante a você não ter um herpes zóster mais violento.”
Segundo ele, controlar doenças como diabetes e hipertensão favorece uma evolução mais branda.
“Uma alimentação adequada, evitar o diabetes ou a hipertensão descompensada faz com que esse herpes zóster se torne ameno.”