A pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT) afirmou nesta quinta-feira, 23, que não escolherá uma de suas irmãs para as suplências da chapa nem entregará a vaga, depois de eleita, a empresários interessados em financiar sua campanha. Em entrevista ao podcast especial Eleições 2026, da TV Agora RN, a presidente do PT declarou que seus suplentes serão definidos a partir da capacidade de assumir o mandato, caso isso seja necessário durante os oito anos de legislatura.
“Não se preocupem que as minhas irmãs não vão sentar na cadeira de suplente. Não se preocupem que eu não estou procurando suplente para colocar dinheiro na minha campanha”, declarou Samanda.

A fala ocorreu dois dias depois de o senador Styvenson Valentim (Podemos) admitir que analisava indicar a irmã Anne Kelly Valentim para uma das vagas e revelar que dois empresários de fora do Rio Grande do Norte haviam procurado seu gabinete e oferecido recursos para a campanha em troca da suplência. Nesta quinta-feira, a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão (PSDB), irmã do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), anunciou que aceitou um convite para integrar a chapa do senador.
Samanda, que atualmente é vereadora em Natal, afirmou que reconhece a influência do poder econômico nas eleições, mas sustentou que suas campanhas nunca dependeram da escolha de financiadores para a composição da chapa. A petista classificou como uma espécie de venda da vaga a indicação de um suplente em troca de recursos e prometeu não trazer pessoas de outros estados para ocupar a função.
“A gente sempre fez campanha dialogando, pé no chão, ouvindo as pessoas. Eu sei do poder econômico que colocam nas eleições, mas a gente nunca dependeu disso. A gente não vai depender disso nas eleições. Eu jamais faria isso com o povo do Rio Grande do Norte: buscar um suplente, vender a cadeira de suplência para ter dinheiro para fazer campanha”, afirmou.
A pré-candidata também reagiu à possibilidade, revelada por Styvenson, de escolher empresários de fora do Estado. Segundo o senador, um dos interessados seria um “megaempresário” do Espírito Santo, enquanto o outro atuaria no setor de aviação e transporte aéreo. “Jamais eu vou trazer um forasteiro de outro estado para possuir meu suplente”, declarou Samanda, acrescentando que seus dois nomes deverão ser apresentados até sábado, 25, quando será realizada a convenção que homologará as candidaturas da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB.
“Serão pessoas que têm a plena capacidade de ocupar a cadeira do Senado, caso eu precise em algum momento me afastar. Enfim, são oito anos. A nossa vida pertence a Deus. Mas tenham essa certeza da seriedade com que a gente trata a coisa pública”, destacou a pré-candidata.
Para Samanda, a suplência deve ser analisada com atenção porque o mandato no Senado dura oito anos e diferentes circunstâncias podem levar o titular a se afastar. Ela ressaltou que suplentes já assumiram o cargo diversas vezes na história política do Rio Grande do Norte e, por isso, devem possuir condições políticas e técnicas de representar todo o Estado.
“Em oito anos, muita coisa pode acontecer. Por isso, os suplentes são figuras importantes, porque, no decorrer desses oito anos, pode acontecer de ocuparem, como já aconteceu muito aqui no Rio Grande do Norte, a cadeira de senador para representar quem votou e quem não votou”, argumentou.
“Balcão de emendas”
Ao apresentar as razões pelas quais pretende disputar o Senado, Samanda fez críticas à atuação dos atuais representantes do Rio Grande do Norte e afirmou que a Casa não pode ser reduzida à distribuição de emendas parlamentares. Segundo a pré-candidata, faltam à bancada potiguar produção legislativa, defesa dos interesses do Estado e capacidade de articulação política com o Governo Federal e os ministérios.
“Eu sei qual é o papel do Senado, que não é esse papel que os senadores atuais estão cumprindo. O Senado não pode ser reduzido a um balcão de emendas. Você não sabe as proposições dos senadores atuais. Lá não fazem leis, não defendem o nosso Estado”, declarou.
Sem identificar a quem se referia em cada crítica, Samanda afirmou que um integrante da bancada se limita à publicação de notas de repúdio, enquanto os demais concentrariam sua atuação na distribuição de emendas. Ela também questionou os critérios utilizados para direcionar os recursos, avaliando que as escolhas muitas vezes obedecem a interesses eleitorais e às alianças mantidas com prefeitos e vereadores.
“Quando não é nota de repúdio, porque tem um senador que só sabe fazer nota de repúdio, é distribuir emendas. E, assim, sem um critério lógico. É um critério fisiológico muitas vezes: é o prefeito que está comigo, é o vereador que está comigo, que pediu”, criticou.
A presidente do PT ressaltou que as emendas executadas no Estado utilizam recursos do orçamento federal e dependem do planejamento da União. Na avaliação dela, o Rio Grande do Norte precisa de senadores que atuem para incluir o Estado nas políticas nacionais, em vez de se limitarem a indicar a destinação de verbas.
“Onde você viu uma placa ‘Governo Federal’, aquela emenda chegou com recurso do Governo Federal e só foi possível chegar porque o governo tem um planejamento. Se não estiver no planejamento do Governo Federal, ela nem pode ser aportada para fazer aquela obra”, afirmou.
Samanda também ampliou a crítica para o conjunto do Legislativo e classificou a atual composição do Congresso Nacional como a pior da história do País. De acordo com ela, deputados e senadores deixaram de priorizar demandas concretas da população, o que estaria alimentando um sentimento de mudança para as eleições deste ano.
“Está na boca de qualquer pessoa que é o pior Congresso da história brasileira. E é o pior Congresso porque não tem priorizado as pautas reais, as necessidades reais do povo brasileiro”, disse. Para a petista, essa renovação não poderá se limitar à troca de nomes dentro dos mesmos grupos: “As pessoas sabem que não podem trocar seis por meia dúzia.”
“Samanda é Fátima”
Outro eixo apresentado pela pré-candidata para a campanha será a associação direta de seu nome ao legado político da governadora Fátima Bezerra (PT). Samanda afirmou que pretende defender a trajetória da correligionária e ocupar no Senado o espaço que seria disputado por Fátima, caso ela tivesse deixado o Governo do Estado para concorrer nas eleições.
“Eu não teria como fugir e, mesmo que tivesse, eu não fugiria. Samanda é Fátima, Fátima é Samanda. Eu vou estar nessa eleição também defendendo todo o legado da professora Fátima Bezerra”, declarou.
A presidente do PT alegou que Fátima sofreu um “golpe” e foi vítima de “violência política” ao perder as condições necessárias para disputar o Senado. A governadora decidiu permanecer no cargo até o final do mandato após o rompimento político com o vice-governador Walter Alves (MDB).
“Era legítimo ela fazer uma disputa e voltar para o Senado. Ela foi impedida, ela sofreu um golpe, foi uma violência política. Até quem é mulher, quem é da direita, reconhece o que aconteceu com Fátima. Foram tiradas as condições de ela ser candidata ao Senado”, afirmou Samanda.
Segundo a petista, a decisão de Fátima de permanecer no Governo representou um gesto de responsabilidade pública para impedir que o Rio Grande do Norte enfrentasse um cenário de descontinuidade institucional. Samanda disse que a governadora continuará participando da campanha e trabalhando pelo fortalecimento das candidaturas do campo governista.
“Ela continua no governo, mas com muita firmeza, com muita força. Ela é a nossa líder, e Samanda é Fátima, Fátima é Samanda nessas eleições para o Senado, porque essa cadeira que eu vou ocupar, se Deus quiser e o povo permitir, é uma cadeira para ser Fátima”, declarou.
Samanda afirmou que, se eleita, pretende reproduzir no Senado a capacidade de articulação que atribui à governadora, citando a expansão dos institutos federais e a inclusão do Rio Grande do Norte em programas nacionais como resultados que não dependeram apenas de emendas parlamentares.