BUSCAR
BUSCAR
Dor crônica

Dor crônica afeta 40% dos brasileiros

Especialista explica que condição dura mais de três meses, compromete a qualidade de vida e pode estar associada
Por O Correio de Hoje
22/07/2026 | 14:13

Cerca de 40% da população brasileira convive com algum tipo de dor crônica, condição que passa a contar com uma data nacional de conscientização e com a garantia de assistência integral aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A avaliação é do médico Levi Jales, presidente da Sociedade Norte-rio-grandense de Estudo da Dor.

Segundo o especialista, a criação do Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica, celebrado em 5 de julho, integra o Projeto Brasil Sem Dor, desenvolvido pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República.

young black woman suffering from backache home portrait young girl sitting couch home with headache back pain beautiful woman having spinal kidney pain Copia
Prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e controle da ansiedade ajudam na prevenção da dor crônica.

Além de instituir a data, a legislação determina que pacientes com dor crônica atendidos pelo SUS tenham acesso à assistência integral. Levi Jales explicou que a dor crônica é caracterizada pela persistência dos sintomas por mais de três meses e afirmou que o elevado número de pessoas afetadas reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o tema entre profissionais da saúde.

“O projeto institui que todo paciente atendido no SUS, portador de dor crônica, deve ter assistência integral. Então a responsabilidade é muito grande.”

Para o médico, o estudo da dor deve fazer parte da formação de todos os profissionais da área. Segundo Levi Jales, o tratamento da dor crônica exige uma abordagem multiprofissional, envolvendo médicos, enfermeiros, odontólogos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde.

Ele afirmou que a condição provoca limitações importantes na rotina dos pacientes, reduz a qualidade de vida e frequentemente está associada à depressão e à ansiedade, formando um ciclo que dificulta a recuperação.

Entre as doenças que mais provocam dor persistente, o especialista destacou a lombalgia crônica e a fibromialgia. Além da dor, pacientes com fibromialgia costumam apresentar fadiga, distúrbios do sono, ansiedade e sintomas depressivos, fatores que comprometem a capacidade para o trabalho.

De acordo com Levi Jales, a dor crônica está entre as principais causas de afastamento das atividades profissionais. O especialista afirmou que a prevenção depende principalmente da adoção de hábitos saudáveis, com destaque para a prática regular de atividade física.

Além dos exercícios, ele citou alimentação equilibrada e controle da ansiedade como medidas que contribuem para reduzir o risco de desenvolvimento da dor crônica.

Levi Jales chamou atenção para a dificuldade de muitos pacientes em obter um diagnóstico preciso. Segundo ele, é comum que pessoas com dor crônica passem por diversos consultórios sem uma definição da causa do problema, o que compromete o início do tratamento adequado.

“O diagnóstico é necessário para um tratamento adequado. Quando a pessoa não tem um diagnóstico, fica passando de consultório em consultório sem uma definição do que possa ser.”

O tratamento da dor crônica, segundo o médico, envolve tanto medicamentos quanto terapias complementares. Entre os medicamentos utilizados estão analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos, anticonvulsivantes e opioides. Levi Jales alertou que estes últimos podem provocar dependência, motivo pelo qual o uso deve ser acompanhado por um médico.

Além da terapia medicamentosa, ele destacou recursos como fisioterapia, acupuntura, estimulação elétrica e estimulação magnética transcraniana, técnica que utiliza campos magnéticos para fortalecer os mecanismos cerebrais de modulação da dor e que também pode contribuir para o tratamento da depressão.

O especialista também ressaltou que a acupuntura é reconhecida como especialidade médica no Brasil e atua estimulando mecanismos naturais do organismo relacionados ao controle da dor.

Levi Jales também convidou médicos e acadêmicos para a celebração dos 95 anos da Associação Médica do Rio Grande do Norte, marcada para 29 de julho, às 19h, no Teatro Riachuelo, em Natal.