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Chuvas em Natal

“Nenhuma cidade do mundo consegue comportar” volume de chuva registrado em Natal

Capital registrou até 180 milímetros de chuva, teve alagamentos, famílias desalojadas e mobilizou ações da Defesa Civil municipal e estadual
Por O Correio de Hoje
22/07/2026 | 15:16

“Nenhuma cidade do mundo consegue comportar esse volume de chuva que Natal comportou nesses últimos dias.” A declaração da secretária municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Samara Trigueiro, resume a avaliação da Prefeitura sobre os impactos das chuvas que atingem o Rio Grande do Norte desde a última sexta-feira (17).

Com acumulados de até 180 milímetros em 24 horas em áreas do litoral potiguar e cerca de 90 milímetros registrados entre a segunda-feira (20) e a terça-feira (21) na capital, Natal enfrenta alagamentos, transtornos no trânsito, invasão de água em residências e comércios, além de ter deixado 14 pessoas fora de casa.

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Francisco Adelino é coordenador da Defesa Civil do RN / Samara Trigueiro é secretária municipal de Segurança - Foto: reprodução / tv tropical

Diante do cenário, a Defesa Civil Estadual criou um comitê de gerenciamento para acompanhar a situação, centralizar informações e apoiar os municípios afetados.

Segundo Samara Trigueiro, embora existam pontos de alagamento recorrentes na cidade, o volume de precipitação registrado desde o fim de semana ultrapassou a capacidade de resposta da infraestrutura urbana.

“A gente tem pontos que são recorrentes e o volume de chuva foi muito alto desde o final de semana, desde sexta-feira até hoje. Então nenhuma cidade do mundo consegue comportar esse volume de chuva que Natal comportou nesses últimos dias. Que veio causando todos esses transtornos. Mas nós estamos atuando de acordo com as especificidades de cada área.”

Desde o início do fim de semana, as chuvas provocaram alagamentos em diferentes municípios do litoral potiguar, dificultaram o trânsito e levaram água para dentro de casas e estabelecimentos comerciais.

Em algumas regiões de Natal, o acumulado chegou a 180 milímetros entre a sexta-feira e o sábado. Da segunda para a terça-feira, a capital registrou uma média de 90 milímetros de chuva.

Obras e pontos críticos

Um dos pontos mais afetados é a Rua Cauby Barroca, no bairro das Rocas. A via passa por obras na rede de drenagem desde abril deste ano. De acordo com a Prefeitura, a previsão é de que os serviços sejam concluídos em quatro meses.

Enquanto isso, moradores convivem com alagamentos recorrentes e cobram a conclusão da intervenção. Uma moradora afirmou que o problema se repete sempre que chove e criticou a demora na execução da obra.

Outro morador relata que a população já entra em alerta sempre que o tempo fica fechado e defende o reforço da estrutura de bombeamento da água acumulada. Também há reclamações sobre a atuação dos equipamentos utilizados durante os alagamentos.

Além dos transtornos causados pelos alagamentos, 14 pessoas precisaram deixar suas residências nos bairros de Mãe Luíza, Rocas e Igapó. Segundo a Prefeitura, as famílias estão sendo acompanhadas pela rede municipal de assistência social.

De acordo com Samara Trigueiro, as ocorrências estão relacionadas às condições estruturais dos imóveis, e a Defesa Civil aciona a assistência social sempre que identifica famílias em situação de vulnerabilidade.

“São situações bem específicas que estão relacionadas à própria estrutura do imóvel onde essas pessoas residem. A Defesa Civil tem um núcleo de assistência social diretamente ligada às Semtas. E aí quando a gente percebe a vulnerabilidade daquela família, daquele grupo de pessoas, a gente faz automaticamente o acionamento da Semtas e a equipe da abordagem social vai até o local e vê qual é a necessidade daquela família.”

Monitoramento e orientações

Enquanto a Defesa Civil Municipal atua no monitoramento das áreas de risco e no atendimento das ocorrências, o Governo do Estado instalou um comitê de gerenciamento para acompanhar os impactos das chuvas e prestar apoio aos municípios que registrarem situações mais graves.

O coordenador estadual da Defesa Civil, Francisco Adelino, orienta que a população evite áreas alagadas, locais de transbordamento e regiões com risco de deslizamentos ou acidentes envolvendo árvores e postes.

“As principais recomendações da Defesa Civil, na medida do possível, evitar locais que estão havendo transbordamento, lagoas, acesso de água, evitar adentrar o seu veículo em ruas que estejam alagadas, observar as áreas de encostos, evitar essas áreas de encostos, observando se há alguma árvore inclinada, se há algum poste na mesma rua que está tendo alagamento, esse poste está inclinado ou não. E, na medida do possível, evitar essas áreas.”

Francisco Adelino também orienta a população a procurar os canais oficiais em caso de emergência ou necessidade de registrar ocorrências relacionadas às chuvas.

“Em caso de solicitação dos nossos serviços de registrar ocorrências, pode ligar para o 190 e 193, que é o CIOSP, ou o telefone da Defesa Civil do seu município. Com relação aos outros municípios da região metropolitana, Natal, Parnamirim, Ceará-Mirim, Macaíba, nós também estamos em contato diretamente com essas coordenadorias e à disposição delas.”

A previsão é de que a instabilidade continue nos próximos dias, com possibilidade de novos acumulados de chuva no litoral potiguar. Em Natal, a estimativa é de aproximadamente 50 milímetros nas próximas 24 horas.