O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) declarou, em entrevista ao Flow Podcast, que não mantém mais qualquer relação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ao comentar um vídeo em que a madrasta faz críticas à sua atuação política, o parlamentar afirmou que sequer assistiu ao conteúdo para evitar ser influenciado pelo episódio e disse que o afastamento se intensificou após ser proibido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu não tenho mais relação com ela, ainda mais agora que eu estou proibido de falar com o meu pai. Eu ia lá na casa de vez em quando. É uma questão de bom senso e de fidelidade à escolha do nosso líder, que é o presidente Jair Bolsonaro. Eu nunca pressionei para entrar pra campanha ou para não entrar. Vem a hora que quer, vem se quiser também, porque assim… Eu estou dando o meu melhor. Eu sei qual caminho eu tenho que seguir”, afirmou.

Flávio disse não entender o motivo das críticas feitas por Michelle e negou que o conflito faça parte de qualquer estratégia política previamente articulada. Segundo o senador, a situação não evoluiu para um embate mais duro por respeito ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Ainda mais ela sendo a esposa do meu pai, que eu sempre respeitei. Se não fosse, certamente, eu acho que não teria chegado nesse ponto. A gente teria estancado antes. Obviamente que vão estar sempre as portas abertas para todo mundo, não apenas ela. Todo mundo que queira se engajar na campanha de corpo e alma, porque é contra o inimigo do Brasil, que é o atual governo”, declarou.
Durante a entrevista, o senador também falou sobre a produção do filme Dark Horse e sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Flávio afirmou que a decisão de gravar o longa nos Estados Unidos, com elenco internacional, ocorreu por receio de que o projeto enfrentasse obstáculos judiciais caso fosse produzido no Brasil.
“Sabe por que não foi feito aqui? Alguém do Supremo Tribunal Federal ia dar uma canetada, ia inviabilizar o filme. Ia perseguir os atores, ia perseguir a produtora”, disse. Segundo ele, o ator Jim Caviezel chegou a cogitar desistir do papel por receio do cenário político brasileiro e pelo fato de Eduardo Bolsonaro estar, segundo suas palavras, “exilado” nos Estados Unidos.
Flávio confirmou ainda que participou da captação de recursos para a produção cinematográfica e afirmou que sua aproximação com Daniel Vorcaro ocorreu antes de o empresário passar a ser investigado no escândalo bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com o senador, as negociações tiveram início em dezembro de 2024, período em que, segundo ele, não havia suspeitas públicas sobre a atuação do banqueiro, que mantinha relacionamento institucional com autoridades e veículos de imprensa.
“Foi um contrato privado, para um filme privado. Sem nenhuma contrapartida pública”, argumentou. Questionado sobre a repercussão das investigações, Flávio respondeu que, inicialmente, acreditava que Vorcaro conduzia negociações regulares para vender o banco e tratar do caso junto ao Banco Central, acrescentando que apenas posteriormente teriam surgido indícios de irregularidades.
Na entrevista, o senador também direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Flávio afirmou que ambos estariam utilizando a Primeira Turma da Corte para esvaziar as atribuições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e interferir no processo político.
Segundo ele, decisões recentes têm relativizado a imunidade parlamentar e atingido parlamentares de direita, citando como exemplo a condenação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, por declarações feitas na tribuna da Câmara. “Eles estão fazendo uma articulação para que essa primeira turma seja uma espécie de bypass do TSE durante as eleições”, afirmou, sustentando que essa atuação favoreceria o PT.
O parlamentar também criticou o que classificou como tratamento desigual por parte do Judiciário, contrapondo operações realizadas contra opositores por infrações que considera menos graves à condução de investigações envolvendo integrantes do governo.

Ao elevar o tom das críticas, voltou a afirmar que a inelegibilidade de Jair Bolsonaro decorre de uma articulação de adversários políticos e defendeu que o impeachment do ministro Alexandre de Moraes seja um dos principais temas da disputa pelo Senado em 2026. Flávio disse acreditar que a eleição de uma bancada mais robusta de centro-direita poderá viabilizar essa agenda no Congresso.
“Chegou num ponto em que o desequilíbrio de poderes é tão grande que todo mundo sabe que hoje tem que ter uma quantidade de senadores dentro da Casa que se proponha a fazer o impeachment”, concluiu.