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Política

Governo Fátima foi um ‘zero à esquerda’ para pessoas com deficiência, diz Tércio

Vereador de Natal e pré-candidato ao Senado afirma que governo estadual não apresentou ações concretas para o segmento e defende ampliação da rede de atendimento especializado
Por O Correio de Hoje
16/07/2026 | 13:26

O vereador de Natal e pré-candidato ao Senado Tércio Tinoco (União) fez duras críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) na área das políticas voltadas às pessoas com deficiência. Ele — que foi o primeiro cadeirante eleito para um mandato na Câmara Municipal de Natal — avalia que o desempenho do governo estadual nesse segmento foi um “zero à esquerda” e que não houve avanços concretos para esse público durante os quase oito anos de gestão.

“Zero à esquerda. Horrível, péssimo. A governadora, infelizmente, nunca fez nada pelas pessoas com deficiência nos quase oito anos. Não tem nada concreto”, afirmou, sustentando que o Rio Grande do Norte permanece atrasado em relação a outros estados da região na oferta de políticas públicas específicas.

Tércio foto Francisco de Assis CMN
Vereador de Natal Tércio Tinoco (União) - Foto: Francisco de Assis / CMN

Como exemplo desse atraso, o parlamentar afirmou que o Estado seria o único do Nordeste sem um centro especializado voltado ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Segundo ele, a ausência dessa estrutura evidencia a falta de prioridade dada pelo governo ao tema.

Tércio também criticou a demora na entrega de equipamentos essenciais para pessoas com deficiência física, como cadeiras de rodas, órteses e próteses. “Temos estados onde a pessoa dá entrada numa cadeira de rodas e recebe com três, quatro, cinco meses. Aqui no Estado, se passa cinco, seis, sete anos. Uma órtese, uma prótese, as pessoas têm que judicializar para pedir o bloqueio das contas do Governo do Estado”, declarou.

“Tem pessoas que já morreram e não recebem uma cadeira de rodas”, lamentou o vereador do União Brasil.

O pré-candidato afirmou que pretende levar essa pauta ao Senado caso seja eleito. Segundo ele, uma das prioridades será ampliar e descentralizar a rede de atendimento especializado, permitindo que serviços de reabilitação sejam ofertados em diferentes regiões do Rio Grande do Norte.

Como exemplo, Tércio Tinoco citou o Vale do Açu, que, segundo ele, não possui Centro Especializado em Reabilitação (CER). “A gente quer brigar e descentralizar para todas as regiões. O Vale do Açu não tem nenhum Centro Especializado de Reabilitação. Infelizmente, o Governo do Estado atual ainda é muito ruim para as pessoas com deficiência. Isso eu falo sem sombra de dúvida. Eu tenho propriedade de fala. Além da propriedade de fala, eu tenho conhecimento de causa também”, afirmou.

Ao defender sua candidatura ao Senado, Tércio também disse que pretende ocupar, no Senado, o espaço hoje representado pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que não disputará a reeleição por questões de saúde. Segundo ele, a saída da parlamentar deixará uma lacuna na defesa nacional dos direitos das pessoas com deficiência.

“Com certeza. Mara Gabrilli é uma amiga que eu tenho. Falei com ela segunda-feira agora por telefone. O Senado vai ficar com um vácuo muito grande e eu quero ocupar essa cadeira que hoje é lugar dela”, declarou, lembrando que a senadora foi relatora da Lei Brasileira de Inclusão quando exercia mandato de deputada federal.

Durante a entrevista, Tércio também utilizou sua atuação na Câmara Municipal de Natal para rebater críticas e sustentar que possui experiência na área da inclusão. Segundo ele, sua eleição marcou uma mudança na política municipal para pessoas com deficiência.

“A gente tem o ano de 2020 e tem o pós-2020 em relação às pessoas com deficiência. Conseguimos muitos avanços”, afirmou, lembrando o ano de sua primeira eleição para a Câmara.

Entre as iniciativas citadas, Tércio destacou a inclusão de 33 emendas sobre acessibilidade durante a revisão do Plano Diretor de Natal, a implantação de intérpretes de Libras em eventos públicos e privados, a gratuidade para acompanhantes de pessoas com deficiência em eventos, a gratuidade no transporte coletivo para pacientes que realizam tratamento na rede privada e a criação da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). Segundo ele, mais de 4 mil carteiras já foram emitidas na capital.