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Sandra Sá

Sandra Sá celebra 40 anos de álbum que marcou sua carreira

Cantora revisita o clássico de 1986 em show comemorativo, enquanto prepara EP de inéditas, lança selo musical e aposta em novos projetos.
Por O Correio de Hoje
16/07/2026 | 14:34

A cantora Sandra Sá chega aos 71 anos com novos projetos em andamento e, ao mesmo tempo, revisita um dos momentos mais marcantes de sua trajetória. No próximo dia 9, ela sobe ao palco do Festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro, para celebrar os 40 anos do álbum Sandra Sá, lançado em 1986 e conhecido pelo público como “o disco da boneca”, trabalho que consolidou sua carreira e reuniu alguns de seus maiores sucessos.

Mesmo voltada para novos lançamentos, a artista afirma que abriu uma exceção para revisitar esse capítulo de sua discografia. Além da apresentação comemorativa, Sandra prepara um EP com composições inéditas, inaugura o selo De Sá Música, criado para lançar novos artistas, e participa de gravações com diferentes gerações da música brasileira.

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Cantora de 71 anos comemora quatro décadas do trabalho que consolidou sua carreira na música brasileira - Foto: reprodução

Entre os projetos estão uma parceria com a banda Black Pantera e o lançamento de uma gravação inédita que reúne o tecladista Reinaldo Arias e o cantor Cazuza, amigo pessoal da artista e padrinho de seu filho, Jorge.

Lançado após a cantora deixar a gravadora RGE e assinar contrato com a RCA, o álbum Sandra Sá marcou uma nova fase da carreira iniciada em 1980, quando ela foi revelada no Festival MPB 80 com a música Demônio Colorido. Na época, Sandra já havia conquistado espaço ao lado de Tim Maia e alcançava grande repercussão com a regravação de Enredo do Meu Samba, composição de Jorge Aragão e Dona Ivone Lara utilizada como tema de abertura da novela Partido Alto.

O disco de 1986 transformou-se no maior sucesso comercial da cantora até então. Faixas como Retratos e Canções, Solidão, Joga Fora, Não Vá e Entre Nós, esta última gravada em dueto com Michael Sullivan, ganharam espaço nas rádios e ampliaram o público da artista.

A capa do álbum, produzida com uma escultura em massinha representando a cantora cercada por referências pessoais, permanece como uma das imagens mais conhecidas de sua carreira.

“Aquela boneca é como se fosse eu, eu encarnei naquela boneca. Sou eu me divertindo, é como se fosse eu e as coisas que eu curto. É um disco de certa forma romântico, mas ali tem Janis, umas coisas rock’n’roll que são a minha cara. O romantismo está ali de várias formas. Você pode ser romântica falando ‘joga fora no lixo!’”

Na época do lançamento, Sandra passou a interpretar baladas românticas compostas por Michael Sullivan e Paulo Massadas, dupla responsável por diversos sucessos da música brasileira nos anos 1980. A mudança levou parte da crítica a considerar que a cantora estaria se aproximando de um repertório mais comercial.

Quatro décadas depois, ela afirma que o diferencial sempre esteve na interpretação.

“Eu, cantando a parada romântica, é de um jeito. A Joanna cantando é de outro jeito. A Simone cantando é de outro jeito. Cada um tem a sua parada. A música, em si, não é nada até que alguém interprete do seu jeito.”

Segundo Sandra, o álbum retrata diferentes formas de amor, sem se limitar ao romantismo tradicional.

“Uma das importâncias desse disco é a interpretação do amor, seja ele do jeito que for. O amor de quando você está puto, de quando você tá apaixonado, de quando você está namorando alguém, ou o amor pela sua vida, pela sua pele, como é em ‘Olhos Coloridos’, que eu fiz questão de ter nesse disco.”

Gravado no estúdio da RCA, em Copacabana — atual Companhia dos Técnicos —, o trabalho contou com produção musical de Michael Sullivan e Paulo Massadas, além dos arranjadores Júnior Mendes, Lincoln Olivetti e Robson Jorge. O álbum incorporou recursos eletrônicos, sintetizadores e baterias programadas, características marcantes da produção musical da década de 1980.

Para Sandra, o uso da tecnologia foi resultado de escolhas musicais conscientes.

“É a evolução consciente, aquele lance de você usar a máquina e não a máquina usar você. A galera sabia usar a máquina e ela foi muito bem usada.”

Ela também afirma que algumas características do disco anteciparam sonoridades que se popularizariam anos depois.

“Eu tô sempre na frente e as pessoas não entendem! Se eu for cantar o samba, vou cantar com a minha verdade. Meu termômetro é o arrepio. O disco da boneca foi feito num ambiente muito leve, muito gostosão. Ele é a Sandra naquele momento. Todinha, todinha, todinha.”

Ao lembrar daquele período, a cantora destaca o ambiente de convivência entre artistas da música brasileira nos anos 1980 e a importância do programa comandado por Chacrinha para a divulgação dos lançamentos.

“Uma coisa de que eu sinto falta é que a gente andava mais junto. Às vezes ia lá para casa o pessoal do RPM, do Capital Inicial… era todo mundo muito junto. E tinha o (programa do) Chacrinha, onde iam Roberto Carlos, Marcos Sabino, Joanna, o Cauby Peixoto, o Djavan… ia tinha todo mundo.”

Foi justamente no Cassino do Chacrinha que Sandra recebeu o primeiro Disco de Ouro da carreira, conquistado com o álbum lançado em 1986.

Ao recordar a homenagem, ela relembra também a forma como era anunciada pelo apresentador.

“O Chacrinha não me chamava de Sandra. Ele me apresentava assim: ‘A negona que estourou oito milhões de músicas na parada de sucessos!’”