A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a superar numericamente a desaprovação pela primeira vez desde dezembro de 2024, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira 15. O levantamento aponta que 48% dos brasileiros aprovam a gestão petista, enquanto 47% a desaprovam. A recuperação foi impulsionada principalmente pela melhora da avaliação em grupos que historicamente apresentam maior resistência ao presidente, como homens, eleitores de renda mais elevada e o eleitorado independente.
No cenário eleitoral, Lula manteve a liderança em todas as simulações realizadas pela pesquisa. No principal cenário de segundo turno, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% do adversário. Em relação ao levantamento anterior, divulgado em junho, Lula oscilou de 44% para 45%, enquanto Flávio passou de 38% para 37%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

No primeiro turno, o presidente também permanece à frente. Lula registra 40% das intenções de voto, um ponto percentual acima da pesquisa anterior, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 28%, um ponto abaixo do levantamento de junho. Entre os eleitores sem identificação partidária, o petista ampliou a vantagem: no primeiro turno, lidera por 30% a 15%; no segundo turno, passou de 37% para 40%, enquanto Flávio avançou de 24% para 27%. Nesse segmento, a margem de erro é de quatro pontos percentuais.
Os números acenderam um sinal de alerta na campanha do senador do PL. Segundo aliados, mais do que a manutenção da vantagem de Lula, a pesquisa evidencia os efeitos de uma sequência de desgastes enfrentados pela pré-campanha de Flávio desde maio, reforçando a avaliação interna de que será necessário ampliar o diálogo com dirigentes partidários, parlamentares e lideranças regionais. Apesar das críticas dirigidas ao senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação política da campanha, não há, neste momento, discussão sobre mudanças na equipe.
Flávio reagiu ao levantamento pelas redes sociais. O senador ironizou os resultados e elogiou a proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo para os institutos de pesquisa que apresentarem maior precisão nas eleições. A manifestação provocou reação de empresas do setor, que criticaram a iniciativa.
Na campanha de Lula, a estratégia será explorar o elevado índice de rejeição do principal adversário, que alcançou 57% na pesquisa. Integrantes da equipe petista pretendem intensificar ataques relacionados à proximidade de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de explorar os desgastes provocados pelo conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ao mesmo tempo, aliados do presidente identificaram um ponto de atenção para a própria campanha: 62% dos entrevistados afirmaram que as investigações envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), no caso Banco Master, têm impacto negativo sobre o governo.
Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma das fases da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a suposta atuação do então líder do governo no Senado em favor de interesses do Banco Master no Congresso em troca de vantagens indevidas. O parlamentar criticou a operação, classificando-a como uma “patacoada”, admitiu conhecer Augusto Lima, sócio da instituição financeira, e resistiu a deixar a liderança do governo. Neste mês, Lula participou de um evento ao lado de Wagner na Bahia e fez elogios públicos ao aliado, que disputará a reeleição.
Na avaliação do PT, a recuperação da popularidade do governo está diretamente associada ao conjunto de medidas econômicas anunciadas nos últimos meses. Entre elas estão o programa Desenrola 2.0, a proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, o fim da chamada “taxa das blusinhas” e a expansão das linhas de crédito. A pesquisa mostra ainda que 69% dos entrevistados apoiam o fim da jornada de trabalho na escala 6×1, uma das principais bandeiras defendidas pelo governo.
A melhora na avaliação aparece de forma mais clara em segmentos onde Lula tradicionalmente enfrenta maior resistência. Entre os homens, a desaprovação caiu de 53% em junho para 50%, enquanto a aprovação subiu para 46%. Entre os jovens de 16 a 34 anos, o cenário também se inverteu: em junho, o governo era desaprovado por 50% e aprovado por 43%; agora, registra 48% de aprovação e 46% de desaprovação.
Entre os eleitores independentes, a avaliação também evoluiu. O índice de aprovação chegou a 45%, igualando a desaprovação. Em junho, o governo era aprovado por 41% e desaprovado por 47%; em abril, a desaprovação alcançava 58%, contra 52% de aprovação. Também houve melhora entre os brasileiros com renda familiar superior a cinco salários mínimos. Nesse grupo, a desaprovação caiu de 60% para 54%, enquanto a aprovação passou de 35% para 41%, reduzindo a diferença entre os dois índices de 25 para 13 pontos.
Outro segmento em que o governo reduziu a resistência foi o dos evangélicos. Desde abril, a desaprovação entre esse público caiu de 68% para 58%, enquanto a aprovação cresceu de 28% para 37%. Apesar da melhora nos indicadores, a maioria dos entrevistados ainda considera que Lula não merece um novo mandato: 51% responderam que o presidente não deveria ser reeleito, enquanto 45% defendem sua permanência no cargo. A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 13 de julho, com 2.004 entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.