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Economia

RN lança portal para certificar negócios de impacto e ampliar acesso a incentivos

Plataforma permitirá emissão digital de certificado para empreendimentos com impacto social e ambiental, facilitando acesso a políticas públicas e financiamentos
Por O Correio de Hoje
10/07/2026 | 13:41

O Rio Grande do Norte deu mais um passo na consolidação da política de incentivo à economia de impacto com o lançamento do Portal da Economia de Impacto. A plataforma, apresentada na última quinta-feira 9, permitirá que empreendedores realizem o cadastro de seus negócios e emitam o Certificado de Negócio de Impacto de forma digital, facilitando o acesso a políticas públicas, linhas de financiamento, compras governamentais e oportunidades comerciais voltadas a empresas que conciliam retorno financeiro com benefícios sociais e ambientais.

O lançamento ocorreu durante evento no Auditório da Governadoria, em Natal, que também marcou a posse dos novos integrantes do Comitê da Estratégia Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social (Cenis). A iniciativa integra a política estadual de fortalecimento do setor e busca ampliar a visibilidade dos empreendimentos certificados.

Cenis Copia
Plataforma permitirá certificação digital e ampliará as compras públicas - Foto: Carmem Felix / Assecom

Negócios de impacto são empresas que, além da sustentabilidade econômica, têm como propósito enfrentar desafios sociais ou ambientais por meio de seus produtos, serviços ou modelo de atuação. A certificação oficial reconhece esse perfil e fortalece a credibilidade das organizações perante investidores, instituições financeiras, grandes empresas e órgãos públicos.

Segundo a gerente de Desenvolvimento Rural e Negócios de Impacto do Sebrae-RN, Mona Nóbrega, a plataforma representa um avanço para o ecossistema estadual ao facilitar o reconhecimento formal desses empreendimentos.

“A plataforma vai certificar e reconhecer negócios que conseguem conciliar geração de lucro com soluções para problemas sociais e ambientais. Esse reconhecimento abre novas oportunidades, como acesso a benefícios, compras públicas, novos mercados e parcerias com grandes empresas que buscam implementar práticas ESG. Além disso, dá mais visibilidade a esses empreendimentos, fortalece o ecossistema e incentiva que esse modelo de negócio seja cada vez mais conhecido e replicado.”

Durante o evento, empreendedores apresentaram iniciativas que ilustram o conceito de economia de impacto. Um dos exemplos foi a Fazenda Matina Ambiental, que atua com produção de alimentos orgânicos, agroecológicos e aquapônicos, além da criação de tilápias e de ações voltadas à educação ambiental.

Segundo Leonardo Tinoco, responsável pelo empreendimento, a proposta combina produção sustentável com difusão de conhecimento para agricultores e estudantes. “A gente recebe muitos grupos de agricultores familiares e estudantes para mostrar que é viável fazer uma agricultura de baixo impacto, de baixo carbono, entregando um serviço ambiental e alimentos de excelente qualidade, principalmente sem agrotóxicos.”

Outra experiência apresentada foi a da Primar Orgânica, empresa que atua há 33 anos na produção de alimentos orgânicos e mantém o único laboratório de reprodução de ostras nativas das regiões Norte e Nordeste. A fundadora, Márcia Kafensztok, destacou a integração entre pesquisa científica e produção comercial.

“Trabalhamos muito com pesquisa, temos parceria com universidades federais e nossa produção chega a todo o Rio Grande do Norte.”

Também participou do encontro a professora do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) Socorro Silva, que apresentou o trabalho desenvolvido pela ONG Yalode Instituto Afroacademia Lélia Gonzalez. A organização promove ações de formação voltadas a mulheres quilombolas, indígenas e ciganas, com foco na ampliação do acesso ao ensino superior e à pós-graduação. “Criamos a Yalode para apoiar essas mulheres e ampliar seu acesso à graduação, ao mestrado e ao doutorado.”

O fortalecimento da política estadual de economia de impacto é coordenado pelo Comitê Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social (Cenis), colegiado formado por representantes do poder público, instituições de ensino, setor financeiro e entidades empresariais. O grupo atua na formulação e no acompanhamento de ações voltadas ao desenvolvimento desse segmento.

O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado brasileiro a instituir uma legislação específica para investimentos e negócios de impacto. Em 2021, criou a Comissão Estadual de Qualificação de Empreendimentos com Negócios de Impacto Social (Ceqnis), responsável pelo processo de certificação das empresas. Em 2024, o Estado também aderiu ao Sistema Nacional de Economia de Impacto (Simpacto), iniciativa vinculada à Estratégia Nacional de Economia de Impacto (Enimpacto), coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Com o novo portal, todo o processo de reconhecimento passa a ocorrer de forma digital. A expectativa é ampliar o número de empreendimentos certificados, fortalecer o ambiente de inovação e facilitar a conexão entre empresas de impacto, investidores e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.