O Rio Grande do Norte deu mais um passo na consolidação da política de incentivo à economia de impacto com o lançamento do Portal da Economia de Impacto. A plataforma, apresentada na última quinta-feira 9, permitirá que empreendedores realizem o cadastro de seus negócios e emitam o Certificado de Negócio de Impacto de forma digital, facilitando o acesso a políticas públicas, linhas de financiamento, compras governamentais e oportunidades comerciais voltadas a empresas que conciliam retorno financeiro com benefícios sociais e ambientais.
O lançamento ocorreu durante evento no Auditório da Governadoria, em Natal, que também marcou a posse dos novos integrantes do Comitê da Estratégia Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social (Cenis). A iniciativa integra a política estadual de fortalecimento do setor e busca ampliar a visibilidade dos empreendimentos certificados.

Negócios de impacto são empresas que, além da sustentabilidade econômica, têm como propósito enfrentar desafios sociais ou ambientais por meio de seus produtos, serviços ou modelo de atuação. A certificação oficial reconhece esse perfil e fortalece a credibilidade das organizações perante investidores, instituições financeiras, grandes empresas e órgãos públicos.
Segundo a gerente de Desenvolvimento Rural e Negócios de Impacto do Sebrae-RN, Mona Nóbrega, a plataforma representa um avanço para o ecossistema estadual ao facilitar o reconhecimento formal desses empreendimentos.
“A plataforma vai certificar e reconhecer negócios que conseguem conciliar geração de lucro com soluções para problemas sociais e ambientais. Esse reconhecimento abre novas oportunidades, como acesso a benefícios, compras públicas, novos mercados e parcerias com grandes empresas que buscam implementar práticas ESG. Além disso, dá mais visibilidade a esses empreendimentos, fortalece o ecossistema e incentiva que esse modelo de negócio seja cada vez mais conhecido e replicado.”
Durante o evento, empreendedores apresentaram iniciativas que ilustram o conceito de economia de impacto. Um dos exemplos foi a Fazenda Matina Ambiental, que atua com produção de alimentos orgânicos, agroecológicos e aquapônicos, além da criação de tilápias e de ações voltadas à educação ambiental.
Segundo Leonardo Tinoco, responsável pelo empreendimento, a proposta combina produção sustentável com difusão de conhecimento para agricultores e estudantes. “A gente recebe muitos grupos de agricultores familiares e estudantes para mostrar que é viável fazer uma agricultura de baixo impacto, de baixo carbono, entregando um serviço ambiental e alimentos de excelente qualidade, principalmente sem agrotóxicos.”
Outra experiência apresentada foi a da Primar Orgânica, empresa que atua há 33 anos na produção de alimentos orgânicos e mantém o único laboratório de reprodução de ostras nativas das regiões Norte e Nordeste. A fundadora, Márcia Kafensztok, destacou a integração entre pesquisa científica e produção comercial.
“Trabalhamos muito com pesquisa, temos parceria com universidades federais e nossa produção chega a todo o Rio Grande do Norte.”
Também participou do encontro a professora do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) Socorro Silva, que apresentou o trabalho desenvolvido pela ONG Yalode Instituto Afroacademia Lélia Gonzalez. A organização promove ações de formação voltadas a mulheres quilombolas, indígenas e ciganas, com foco na ampliação do acesso ao ensino superior e à pós-graduação. “Criamos a Yalode para apoiar essas mulheres e ampliar seu acesso à graduação, ao mestrado e ao doutorado.”
O fortalecimento da política estadual de economia de impacto é coordenado pelo Comitê Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social (Cenis), colegiado formado por representantes do poder público, instituições de ensino, setor financeiro e entidades empresariais. O grupo atua na formulação e no acompanhamento de ações voltadas ao desenvolvimento desse segmento.
O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado brasileiro a instituir uma legislação específica para investimentos e negócios de impacto. Em 2021, criou a Comissão Estadual de Qualificação de Empreendimentos com Negócios de Impacto Social (Ceqnis), responsável pelo processo de certificação das empresas. Em 2024, o Estado também aderiu ao Sistema Nacional de Economia de Impacto (Simpacto), iniciativa vinculada à Estratégia Nacional de Economia de Impacto (Enimpacto), coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Com o novo portal, todo o processo de reconhecimento passa a ocorrer de forma digital. A expectativa é ampliar o número de empreendimentos certificados, fortalecer o ambiente de inovação e facilitar a conexão entre empresas de impacto, investidores e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.