A indústria do Rio Grande do Norte gerou R$ 12,77 bilhões em valor de transformação industrial (VTI) em 2024, equivalente a 6% de toda a riqueza produzida pelo setor industrial do Nordeste, que somou R$ 213,3 bilhões no período. Os dados constam na Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), divulgada nesta quarta-feira 24, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e reforçam o peso da atividade industrial na economia potiguar, especialmente nos segmentos de alimentos e petróleo.
Segundo o levantamento, o Estado contava com 2.057 empresas industriais com cinco ou mais pessoas ocupadas. Juntas, elas empregavam 66.548 trabalhadores e desembolsaram mais de R$ 2,38 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. A remuneração média dos empregados da indústria potiguar foi equivalente a dois salários mínimos.

A receita líquida de vendas das indústrias do Rio Grande do Norte alcançou R$ 28,32 bilhões em 2024. Entre as atividades com maior participação nesse resultado, destacaram-se a fabricação de produtos alimentícios, responsável por R$ 6,74 bilhões em receitas, a extração de petróleo e gás natural, com R$ 3,09 bilhões, e os serviços de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, que movimentaram R$ 2,34 bilhões.
A pesquisa também mostra que os custos das operações industriais chegaram a R$ 15,30 bilhões no período. A diferença entre o valor bruto da produção e esses custos resulta no Valor da Transformação Industrial, indicador considerado uma das principais medidas da riqueza efetivamente gerada pela atividade industrial.
A fabricação de produtos alimentícios manteve posição de destaque na estrutura produtiva potiguar. O segmento liderou 12 dos 13 indicadores analisados pelo IBGE, incluindo número de estabelecimentos, emprego, receita líquida, salários e valor bruto da produção industrial. Ao todo, eram 550 unidades locais em operação, empregando 16.472 pessoas. O setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios apareceu logo atrás em número de trabalhadores, com 15.514 ocupados.
No valor bruto da produção industrial, a indústria alimentícia respondeu por R$ 6,70 bilhões, o equivalente a 23,89% de toda a produção industrial do Estado, estimada em R$ 28,07 bilhões. O resultado foi mais que o dobro do registrado pela atividade de extração de petróleo e gás natural, que ocupou a segunda posição com R$ 3,07 bilhões.
Apesar da liderança dos alimentos em praticamente todos os indicadores, a atividade petrolífera assumiu o primeiro lugar quando analisado o Valor da Transformação Industrial. O setor de extração de petróleo e gás natural gerou R$ 2,49 bilhões em VTI, correspondendo a 19,55% da riqueza industrial produzida no Estado. A fabricação de produtos alimentícios ficou na segunda posição, com R$ 2,09 bilhões, ou 16,35% do total.
A diferença entre os dois segmentos está diretamente ligada à estrutura de custos. Enquanto a indústria alimentícia desembolsou cerca de R$ 4,60 bilhões em custos das operações industriais, a atividade de extração de petróleo e gás registrou custos de aproximadamente R$ 577 milhões. Isso significa que uma parcela maior da receita gerada pelo setor extrativo converte-se em valor agregado.
O analista da pesquisa do IBGE, Marcelo Miranda, explica que o VTI mede a riqueza efetivamente criada pela indústria após descontados os custos de produção. Segundo ele, atividades extrativas costumam apresentar elevada capacidade de geração de valor mesmo sem liderar indicadores como emprego ou massa salarial.
“Dessa forma, a extração de combustíveis fósseis pode apresentar um VTI elevado mesmo sem liderar as demais variáveis. Geralmente, as atividades extrativas possuem um alto valor agregado por unidade produzida, ou seja, mesmo empregando menos trabalhadores, mesmo tendo menor participação em salários totais, entre outras variáveis, a extração gera maior riqueza a partir da exploração de recursos naturais”, afirmou Miranda.
A divulgação dos dados de 2024 também marca uma nova etapa metodológica das pesquisas econômicas do IBGE. O instituto informa que houve uma ruptura definitiva da série histórica em razão da substituição das bases administrativas utilizadas para atualização do Cadastro Central de Empresas (Cempre). A mudança envolveu a troca da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) pelo eSocial e, posteriormente, a incorporação de um novo indicador de atividades oriundo dos registros da Receita Federal.
Segundo o IBGE, essas alterações modificaram o universo de empresas pesquisadas e os critérios de seleção das amostras, tornando inadequadas comparações diretas entre os dados mais recentes e aqueles produzidos antes das mudanças metodológicas. Em 2023, o instituto adotou procedimentos de calibração para reduzir distorções decorrentes da transição. Já em 2024, foi iniciada oficialmente uma nova série estatística para as pesquisas estruturais econômicas.
Os resultados mostram que a indústria potiguar mantém uma estrutura produtiva diversificada, com forte presença dos setores de alimentos, petróleo, vestuário e serviços industriais. Ao mesmo tempo, evidenciam o peso da atividade extrativa na geração de riqueza e seu papel estratégico para a economia do Rio Grande do Norte, que continua entre os principais produtores terrestres de petróleo do País.