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Sono

Uso do celular ao acordar pode aumentar ansiedade e prejudicar concentração

Especialistas afirmam que a exposição imediata a notificações, mensagens e notícias no celular pode elevar os níveis de ansiedade e comprometer a concentração ao longo do dia
Por O Correio de Hoje
11/06/2026 | 12:48

Para muitas pessoas, a primeira ação do dia acontece antes mesmo de sair da cama: pegar o celular e verificar mensagens, redes sociais, e-mails ou notícias. Embora essa prática tenha se tornado comum em meio à rotina cada vez mais conectada da sociedade moderna, especialistas em saúde mental alertam que o hábito pode trazer consequências para o funcionamento do cérebro, o equilíbrio emocional e a qualidade de vida.

O comportamento, repetido diariamente por milhões de pessoas, parece inofensivo à primeira vista. Afinal, os smartphones se transformaram em ferramentas indispensáveis para o cotidiano, reunindo relógio, despertador, agenda, meio de comunicação, entretenimento e acesso instantâneo à informação. No entanto, segundo psicólogos, a forma como esses dispositivos são utilizados nos primeiros minutos após o despertar merece atenção.

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Pesquisas indicam que pessoas que usam o celular nos primeiros minutos após despertar apresentam mais dificuldade de concentração - Foto: Magnific

O problema não está apenas no tempo gasto diante da tela, mas principalmente no impacto imediato que a enxurrada de informações pode provocar em um cérebro que ainda está saindo do estado de repouso. A exposição instantânea a notificações, demandas profissionais, mensagens e notícias pode desencadear respostas fisiológicas e emocionais capazes de influenciar todo o restante do dia.

De acordo com o psicólogo Alfredo Rodríguez-Muñoz, o cérebro passa por uma mudança abrupta quando a primeira atividade do dia é consultar o celular.

Segundo ele, nesse momento o organismo deixa rapidamente um estado voltado à recuperação física e mental para entrar em modo de alerta. Quando o usuário se depara com notificações inesperadas, cobranças, mensagens urgentes ou notícias negativas, o sistema nervoso responde quase instantaneamente, elevando os níveis de estresse logo nas primeiras horas da manhã.

Essa reação pode ter reflexos diretos no humor. A depender do conteúdo visualizado, a sensação de preocupação ou tensão pode acompanhar a pessoa durante boa parte do dia, influenciando seu estado emocional e sua capacidade de lidar com as tarefas cotidianas.

Outro aspecto destacado pelos especialistas envolve a impulsividade associada ao hábito. Para a psicóloga Laura Fuster, o comportamento de pegar imediatamente o celular ao acordar está frequentemente relacionado à dificuldade de controlar a necessidade de verificar o que aconteceu durante o período de sono.

A especialista observa que muitas pessoas sentem uma urgência quase automática de conferir mensagens recebidas, atualizações das redes sociais ou acontecimentos recentes, mesmo antes de realizarem atividades básicas da rotina matinal.

Segundo análises publicadas pelo portal Psychology and Mind, indivíduos com esse perfil costumam apresentar maior dificuldade para controlar impulsos, mesmo quando reconhecem que determinado comportamento pode ser prejudicial. Em muitos casos, a ação é seguida por sentimentos de culpa ou insatisfação, especialmente quando o uso do aparelho acaba consumindo mais tempo do que o planejado.

Os especialistas também chamam atenção para a relação entre impulsividade e regulação emocional. Pessoas que enfrentam dificuldades para administrar emoções intensas tendem a tomar decisões precipitadas, o que pode reforçar ciclos de ansiedade e dependência da conexão constante.

Os efeitos dessa rotina já vêm sendo observados por pesquisas científicas. Um estudo publicado na revista Behavioral Neuroscience identificou que indivíduos que utilizam o celular nos primeiros 15 minutos após acordar apresentam níveis mais elevados de ansiedade e maior dificuldade de concentração ao longo do dia.

Os pesquisadores observaram que a exposição imediata a informações digitais pode comprometer a capacidade de direcionar a atenção para atividades importantes, além de aumentar a sensação de urgência permanente.

Segundo Rodríguez-Muñoz, esse padrão favorece uma percepção contínua de pressa e excesso de demandas. Em vez de iniciar o dia de forma gradual, o cérebro é lançado diretamente em um ambiente de estímulos intensos, criando uma sensação de sobrecarga mental.

O especialista afirma que esse estado permanente de vigilância pode produzir efeitos semelhantes aos observados em situações de estresse prolongado. Entre eles estão fadiga mental, dificuldade de relaxamento, irritabilidade e sensação constante de esgotamento.

Quando esse comportamento se mantém por meses ou anos, os riscos tendem a aumentar. Psicólogos alertam que a hiperconectividade pode favorecer o surgimento de problemas emocionais persistentes, especialmente em pessoas já predispostas à ansiedade. A incapacidade de se desconectar, somada ao fluxo incessante de informações e notificações, contribui para a construção de uma rotina marcada por estímulos contínuos e poucas oportunidades de descanso mental.

Embora o celular tenha se tornado uma ferramenta indispensável na vida contemporânea, especialistas defendem a necessidade de estabelecer limites para seu uso, especialmente nos primeiros momentos do dia. A recomendação é criar uma transição mais gradual entre o despertar e o contato com o ambiente digital, permitindo que o cérebro conclua seus processos naturais de recuperação antes de ser submetido às exigências da hiperconectividade.

Nesse contexto, pequenas mudanças de hábito — como evitar o celular logo ao acordar, dedicar alguns minutos a atividades de autocuidado ou simplesmente iniciar a manhã sem notificações — podem contribuir para reduzir o estresse, melhorar a concentração e favorecer uma relação mais equilibrada com a tecnologia.