Em uma nova tentativa de estreitar relações com o eleitorado evangélico, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou, na noite desta segunda-feira, uma carta direcionada ao segmento religioso na qual enfatiza ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e evita abordar temas tradicionalmente associados à pauta de costumes, como o aborto. O documento foi elaborado após o IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do partido, que reuniu lideranças petistas, entre elas o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.
Ao longo do texto, o PT procura reforçar iniciativas adotadas pelo governo voltadas à comunidade evangélica, mencionando leis que, segundo a legenda, garantem a liberdade de culto e facilitam a criação de igrejas. O documento também destaca decretos que reconheceram a música gospel como manifestação cultural e patrimônio nacional, além da instituição do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e do Dia Nacional da Marcha para Jesus.

A carta ressalta ainda que a relação entre os governos petistas e as igrejas evangélicas sempre foi pautada pelo respeito.
“Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica”, afirma o texto.
Em outro trecho, o partido declara estimular “a presença ativa das evangélicas e dos evangélicos nos debates públicos, na formulação de propostas e na construção dos caminhos que definirão o futuro do país”.
O documento também sustenta que a defesa de “um Brasil mais justo, solidário e inclusivo” não decorre do “uso eleitoral da fé” e acrescenta que “não se deve tirar proveito político de uma coisa sagrada”.
Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-ministro Gilberto Carvalho, integrante da coordenação da pré-campanha de Lula, já havia antecipado que questões ligadas aos costumes ficariam de fora da carta. Segundo ele, o objetivo do texto é destacar convergências entre os valores cristãos e as políticas defendidas pelo governo.
“O tom é a demonstração de uma coincidência que há entre os objetivos, os princípios do projeto do governo Lula com os princípios evangélicos, que é cuidar dos pobres, que é combater a injustiça, que é a misericórdia. Os temas morais não foram abordados, como essa questão do aborto”, afirmou Carvalho.
Em seguida, acrescentou:
“Até porque não há nenhuma posição do governo Lula favorável ao aborto. Nem consta em nosso programa de governo. A nossa política em relação ao aborto é a política de respeitar o que já está na legislação. Isso já é histórico”.
Além do discurso voltado à liberdade religiosa, o núcleo evangélico do PT defende na carta a ampliação de programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, bem como outras políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.
O texto afirma que “a defesa da democracia, da justiça social, da reforma agrária, o enfrentamento à fome, a valorização do trabalho e a proteção dos mais vulneráveis fazem parte da mensagem de Jesus”. O documento também manifesta apoio ao fim da escala de trabalho 6×1.
Na área da segurança pública, a carta defende políticas de combate ao crime organizado e de proteção às famílias brasileiras. O texto também destaca a necessidade de ampliar ações voltadas à saúde integral da mulher e ao enfrentamento da violência de gênero, propondo políticas públicas focadas no acolhimento e na proteção da saúde física e mental feminina.
Outro eixo abordado pelo documento é a defesa da soberania nacional, tema que vem sendo explorado pelo governo Lula diante das recentes tensões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos.
Segundo a carta, “a soberania fortalece a capacidade do povo brasileiro de decidir seu próprio destino, proteger seus recursos estratégicos e construir um projeto de desenvolvimento comprometido com a justiça