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Acordo na oposição

Rogério Marinho admite deixar disputa pelo Senado se Tereza Cristina se mostrar mais competitiva

Em entrevista na TV, senador potiguar diz conversar todos os dias com a colega do PP e prevê definição até o fim do ano; vitória exige 41 votos
Agora RN
06/11/2026 | 16:17

O senador Rogério Marinho (PL-RN) está disposto a abandonar a candidatura à presidência do Senado e apoiar Tereza Cristina (PP-MS) se a colega se mostrar, dentro da oposição, mais capaz de vencer a eleição. A declaração foi dada ao Jornal da Globo, em entrevista que foi ao ar na noite desta quinta-feira 5. Marinho contou que conversa diariamente com a senadora e que, até o fim do ano, os dois vão medir qual candidatura é mais competitiva para definir o nome do grupo.

Perguntado se de fato desistiria em favor de Tereza, foi direto: “Não tenho dúvida”. Ao explicar a disposição, afirmou que “o nosso projeto não é um projeto pessoal” e disse que o mesmo acordo deve valer no sentido contrário, caso seja ele quem mostre maior poder de atrair votos.

Os senadores Tereza Cristina e Rogério Marinho na bancada do plenário do Senado
Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) em sessão no plenário do Senado, em imagem de arquivo — Carlos Moura/Agência Senado

“Se no final desse ano — e nós vamos conversar, estamos conversando todos os dias — ela demonstrar que tem melhores condições do que eu, de ter êxito, não terei nenhuma dificuldade de estar ao lado dela e eu acredito que vai acontecer o mesmo da parte dela em relação a mim”, afirmou o senador.

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Do outro lado, Tereza Cristina tem reiterado que pretende concorrer, mas condiciona a candidatura a um entendimento com Marinho, de quem é aliada no mesmo campo político, conforme publicou O Correio de Hoje. Questionada se abriria mão da disputa caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pedisse a unificação da oposição em torno do potiguar, a senadora não antecipou uma resposta.

“Eu não sei se o presidente me pediria isso, mas é claro que eu e o Rogério Marinho temos conversado desde o início. Ele tem dito isso, eu tenho repetido, mas parece que as pessoas não conseguem entender. Nós temos uma estratégia. A estratégia do nosso campo é ganhar o Senado”, disse.

Votos

Marinho, que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pretende enfrentar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tenta continuar no comando da Casa. Ele lembrou que PL e Novo, os partidos que lançaram sua candidatura, somarão 32 cadeiras na próxima legislatura. A vitória exige 41 votos.

O lançamento ocorreu na quarta-feira 4, em Brasília, como mostrou o Agora RN, e a eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Das 32 cadeiras citadas pelo senador, 29 serão do PL, que terá a maior bancada entre os 81 senadores, e três do Novo.

Apesar da origem partidária, Marinho apresenta a candidatura como um projeto institucional, voltado a recuperar a credibilidade do Parlamento, e acusa o Senado de ter deixado de exercer as funções de investigar e fiscalizar. “Basta de um Senado omisso, que engaveta pedidos de CPIs, que não cumpre o seu dever constitucional de apurar crimes de responsabilidade”, afirmou. Na avaliação dele, quando o Senado não responde ao que a sociedade cobra, cresce a sensação de impunidade e a legitimidade das instituições sai enfraquecida.

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Supremo

Quanto aos pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador defendeu que sejam examinados, mas negou que o tema vá ser a única prioridade de uma eventual gestão. Pelo caminho que descreveu, os requerimentos passariam pela Procuradoria do Senado e seguiriam o rito previsto sempre que houvesse elementos para sustentar a abertura dos processos.

“A questão do impeachment não é uma pauta monotemática, mas é um resgate de credibilidade para que a população entenda que a Constituição serve para todos”, declarou. “O que existe hoje é omissão, e o Senado não será omisso, mas também não praticará vingança nem vindita.”

No caso específico de Alexandre de Moraes, Marinho disse ver indícios públicos que justificam a análise das acusações, mas ressalvou que não pretende julgar antes da hora e que Moraes poderia se defender se um processo fosse aberto. “Agora, eu não vou pré-julgar, porque você precisa cumprir o rito, inclusive, da presunção da inocência”, disse. “Então, ele vai ter todas as oportunidades de se defender caso, de fato, seja apresentado e seja instalado esse processo.”

O parlamentar ainda reprovou o que vê como atuação política de membros do Judiciário e eventuais interferências na escolha do comando do Senado. Para ele, cada Poder deve respeitar as próprias competências constitucionais, e manifestações de ministros sobre temas estranhos aos processos desequilibram essa relação. “Então essa hipertrofia de um poder ou essa intervenção, essa invasão de competências, ela faz mal à democracia brasileira.”

Nas sabatinas de indicados pelo presidente da República ao Supremo e às agências reguladoras, Marinho quer que sejam avaliadas qualificação, especialização e idoneidade. Ele acusou as agências de terem virado “balcão de negócios” e defendeu critérios que impeçam o uso político desses cargos.

Governo Lula

Embora crítico do governo, Marinho afirmou que manteria com Lula uma relação “absolutamente institucional” e que as propostas do Executivo seriam pautadas e decididas pelos senadores. “Eu não pretendo estabelecer ruptura, não pretendo boicotar eventuais agendas governamentais. Elas serão colocadas em pauta e votadas. Quem vai decidir é a maioria do plenário”, declarou.

Na área econômica, o senador acusou o governo de elevar gastos sem receitas que os sustentem e ligou essa política à alta da inflação, dos juros e da dívida. Defendeu também o fim da reeleição e um Senado que fiscalize o Executivo, apresente alternativas e reabra a discussão do pacto federativo. “Um ajuste fiscal talvez não seja possível, mas pelo menos frear o crescimento das despesas”, afirmou.

Marinho cobrou ainda ajustes na reforma tributária. Pelas contas dele, a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado pode alcançar 30%, mais que o percentual que o governo apresentou no início, o que traria dificuldades para setores da economia. “O governo vendeu que nós teríamos um IVA de 26%, que já era o maior do mundo”, criticou. Mesmo com as ressalvas, disse apoiar a meta de simplificar o sistema: “Nós somos favoráveis ao fim da cumulatividade, ao fim da guerra fiscal, à simplificação”.

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