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Contra Alcolumbre

Rogério Marinho recebe apoio público de senadores eleitos de três partidos para presidir o Senado

Marcel van Hattem, Guilherme Derrite e Ubiratan Sanderson gravaram vídeo em defesa do nome do potiguar, que enfrenta Davi Alcolumbre na eleição de 2027
Agora RN
08/11/2026 | 14:18

O senador Rogério Marinho (PL-RN) recebeu apoio público de três senadores eleitos, de partidos diferentes, para a candidatura à presidência do Senado. Em vídeo gravado, Marcel van Hattem (Novo-RS), Guilherme Derrite (PP-SP) e Ubiratan Sanderson (PL-RS) defendem o nome de Marinho para comandar a Casa a partir de 2027.

“Três partidos diferentes, Novo, PL, Progressistas. Estamos com Rogério Marinho para presidente do Senado”, afirmou Van Hattem, ao lado dos futuros colegas de bancada. Derrite também declarou apoio: “Com certeza, a gente vai resgatar a nossa democracia com Rogério Marinho, presidente do Senado Federal. Estamos juntos”.

Rogério Marinho fala ao microfone no plenário do Senado, cercado por outros senadores
Rogério Marinho (PL-RN) em sessão no plenário do Senado (arquivo) — Ton Molina/Agência Senado

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Sanderson aproveitou a gravação para defender mudanças na relação entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF). O senador eleito disse esperar uma Casa capaz de realizar reformas e de “tirar ministro do Supremo que não presta para nada a não ser atrapalhar o andamento do Brasil”.

Os três já haviam manifestado apoio à candidatura nas últimas semanas. A nova manifestação ocorre em meio às articulações pela sucessão de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca permanecer no comando do Senado. A eleição para a presidência da Casa será no início de 2027. Marinho tenta reunir apoios além do PL, partido que ampliou a bancada nas eleições de outubro.

Marinho lançou candidatura e criticou Alcolumbre

Marinho, líder da oposição, ex-ministro de Jair Bolsonaro e ex-coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), lançou a candidatura em reunião com mais de 30 parlamentares, nos últimos dias. No discurso, criticou Alcolumbre por rejeitar pautar o impeachment de ministros do STF e por priorizar pautas de interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno.

O senador acusou Alcolumbre de “cooptar” votos oferecendo vantagens a senadores. “Ele pode cooptar. Como? Com um sorriso bonito? Um abraço fraterno? Não. Com aquilo que ele não pode dizer: com verbas, com vantagens e com atalhos”, disse Marinho. Alcolumbre voltou a falar de “agentes políticos” que se elegem a partir de “ataques” ao chefe do Legislativo.

Os dois estão em confronto público há alguns meses, em torno da definição da pauta durante a campanha presidencial e da recusa de Alcolumbre em dar andamento ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, apresentado sob a alegação de envolvimento com o Banco Master.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra de Bolsonaro e líder do PP, também disputa a presidência do Senado e é aliada de Marinho. Marinho a poupou de críticas e pediu aos parlamentares presentes que não façam nem incentivem ataques a ela. “No momento oportuno, pelo nosso acerto, nós vamos convergir”, disse. Ele afirmou que os dois são “companheiros”, “alinhados no mesmo propósito”, o de derrotar Alcolumbre.

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Nas últimas semanas, Marinho e Tereza têm repetido que caminharão juntos e que um dos dois deverá desistir em favor do outro, vencendo quem tiver mais apoios contra o atual presidente. Estratégia semelhante foi usada na disputa pela Câmara dos Deputados em 2025, quando o então líder do União Brasil, Elmar Nascimento (BA), e o líder do PSD, Antonio Brito (BA), se aliaram contra o atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB). Venceu Motta.

Bolsonaristas criticam Tereza nas redes por “dividir a direita” e por, segundo eles, beneficiar Alcolumbre ao manter a candidatura. Alcolumbre e Tereza se dizem amigos. No início da disputa, Alcolumbre conseguiu o anúncio público de apoio da Federação União Progressista, da qual ele e Tereza fazem parte, à sua reeleição, o que surpreendeu parte da bancada. Tereza disse que a próxima legislatura tomará posse e terá “autonomia” para decidir em quem votar.

Aliados de Alcolumbre afirmam ter maioria para reelegê-lo, com apoio do MDB, do PSD e do governo Lula, enquanto Marinho conta com a bancada recém-eleita do PL, com os senadores do Novo e com dissidentes de outros partidos.

Marinho promete diálogo entre os Poderes

Em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta sexta-feira 6, Marinho afirmou que pretende inaugurar uma relação institucional entre os Poderes baseada na independência, no respeito à Constituição e na recuperação da credibilidade das instituições. Se eleito, disse que pedirá, nos primeiros dias de mandato, audiências com os presidentes da República, da Câmara dos Deputados e do STF, para estabelecer uma agenda de trabalho.

O senador disse que o Senado precisa recuperar a autonomia e voltar a exercer a fiscalização e o equilíbrio entre os Poderes, em vez de atuar como “puxadinho do governo”. “Temos hoje uma crise moral em curso, pela degradação da credibilidade das instituições perante a opinião pública”, afirmou, ao dizer que o problema atinge também o Legislativo e o Executivo.

Marinho rejeitou a ideia de que sua eleição significaria confronto permanente com o governo federal. “Não iremos impedir o funcionamento da máquina pública. Não vamos impedir que os projetos que o governo federal encaminhar ao Congresso Nacional sejam tramitados, sejam discutidos. Quem vai decidir é o Congresso, soberanamente”, afirmou.

Ele disse que o Senado não poderá se omitir diante das obrigações legais, incluindo a análise fundamentada de pedidos de impeachment de autoridades, com respeito ao devido processo legal e sem perseguições políticas. Para o candidato, a prerrogativa de analisar crimes de responsabilidade de ministros do STF foi capturada por conveniências e é usada como moeda de troca pela atual presidência. “Nós banalizamos o que não deveria ser permitido. Achamos que a invasão das prerrogativas constitucionais é uma coisa absolutamente normal. Não podemos aceitar mais essa situação”, declarou.

Marinho sustentou que a disputa vai além das diferenças partidárias e que o Senado deve garantir previsibilidade jurídica, liberdade de expressão, respeito às prerrogativas parlamentares e equilíbrio entre os Poderes. “A nossa candidatura é uma candidatura que representa a instituição, defende a democracia e pretende resgatar a credibilidade do Senado da República”, afirmou.

Nesta quinta-feira 5, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, pediu ao STF para se encontrar com Marinho e Tereza Cristina.

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