Professores, técnicos e estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vão às urnas eletrônicas na terça-feira 10 para definir quem dirige a instituição de 2027 a 2031. Na eleição para a reitoria da UFRN, três chapas pedem o voto da comunidade acadêmica, encabeçadas pelos professores Alessandro Câmara, Rubens Maribondo e Walter Pinheiro, todos da casa. Os três apresentaram propostas e trocaram avaliações sobre a universidade no debate da quinta-feira 5, transmitido pela TV Universitária, pela Rádio Universitária e pelo canal institucional da UFRN no YouTube.
O voto é secreto e dado pela internet, no SIGEleição. Têm direito a votar os docentes e os técnicos administrativos de cargo efetivo que estejam em exercício e os alunos com matrícula ativa em cursos regulares. A chapa que somar mais de 50% dos pontos dos votos válidos leva a disputa já no primeiro turno; se nenhuma chegar a esse patamar, haverá segundo turno na quinta-feira 26.

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Regras
Proclamado o resultado, o Conselho Universitário (Consuni) precisa homologar a eleição e enviar à Presidência da República os nomes da chapa vencedora, a quem cabe a nomeação. O rito obedece à Lei nº 15.367/2026, que acabou com a lista tríplice e passou a eleger diretamente as chapas que dirigem as universidades federais, para mandatos de quatro anos, admitida uma recondução.
Ainda não há data para a posse da nova gestão. O reitor em exercício, Daniel Diniz Melo, assumiu o atual mandato em 1º de julho de 2023 e declarou apoio à Chapa 2. Quem vencer herda, entre outros projetos, a obra do novo bloco de alta complexidade do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), cujo contrato de R$ 85 milhões, do Novo PAC, foi assinado pelo Ministério da Educação (MEC) em 22 de outubro, com prazo de 24 meses para a conclusão, como mostrou o Agora RN.
Durante o debate, os candidatos concordaram sobre os principais problemas da instituição: assistência estudantil, saúde mental, financiamento público e funcionamento dos campi. O que os separou foi a receita para enfrentá-los e o julgamento que cada um faz das práticas administrativas da universidade.
Chapa 1
À frente da chapa “UFRN com você: Ouvir, incluir e avançar”, o arquiteto e urbanista Alessandro Câmara, que dirigiu o Centro de Tecnologia por dois mandatos e chefiou a Pró-Reitoria de Planejamento, centrou o discurso na participação da comunidade nas decisões. Na avaliação dele, a universidade tem de voltar a escutar os professores, os técnicos e os estudantes que convivem com as dificuldades do dia a dia. “Precisamos fazer uma gestão mais democrática, com os conselhos mais participativos. Pensamos em tornar os conselhos superiores ainda mais abertos”, disse.
O candidato prometeu criar fóruns para discutir temas estratégicos, entre eles inteligência artificial, orçamento, interiorização e internacionalização, abertos a especialistas da UFRN e de outras instituições. Na assistência estudantil, defendeu garantir alimentação, moradia, segurança e transporte para que o aluno consiga terminar o curso, além de um novo restaurante universitário em Natal e da expansão da pós-graduação no interior, respeitadas as particularidades de cada região.
Sobre o dinheiro da universidade, Alessandro descartou privatizar, mas disse apoiar acordos com outros entes. “Nós somos a favor, sim, de parcerias com o setor público e com o setor privado. Isso sempre existiu e isso não é privatizar.” O vice na chapa dele é Antônio de Lisboa Lopes Costa, conhecido como Costinha.
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Chapa 2
Rubens Maribondo, que lidera a chapa “Somos UFRN”, apoiou-se na experiência como pró-reitor de Pós-Graduação, cargo que ocupa desde 2015, e nos avanços acadêmicos obtidos pela instituição. A proposta dele é consolidar essas conquistas, acolher melhor a comunidade e diminuir as desigualdades entre as unidades acadêmicas. “Precisamos fazer que a assistência estudantil chegue em todos os pontos da nossa universidade”, afirmou o professor, que também propôs políticas de saúde mental, de combate ao assédio e às violências e de melhores condições de trabalho e estudo.
No orçamento, Rubens quer rever a divisão interna dos recursos para levar em conta o custo de funcionamento de cada unidade, sobretudo das menores e das que ficam no interior. “Mesmo com o mesmo valor, a gente precisa distribuir de maneira mais equilibrada”, declarou. Para ele, os indicadores de produção acadêmica devem ser lidos junto com a análise dos gastos indispensáveis. “O bolo precisa ser dividido em fatias que sejam compatíveis com a necessidade de cada um.” A chapa, com Jeferson de Souza Cavalcante na vice, defende ainda que os estudantes participem da escolha das prioridades da assistência.
Chapa 3
Professor da área de Educação, Walter Pinheiro foi o mais crítico à administração atual. Cabeça da chapa “A UFRN são as pessoas”, ele apontou a concentração das decisões, o adoecimento dos servidores e a fragilidade das fontes alternativas de financiamento. “Nosso compromisso político e ético é com um projeto de universidade democrática, inclusiva e popular”, disse.
Segundo Walter, a expansão da universidade só se sustenta com mais pessoal, infraestrutura e boas condições de trabalho. “Então, a que preço nós estamos fazendo ou vamos fazer a expansão na nossa universidade?”, questionou. O candidato quer dar mais autonomia administrativa aos campi, com equipes de direção do tamanho de suas demandas, e promete brigar por mais vagas para docentes e técnicos e pelo custeio das universidades por meio do MEC.
Provocado por Rubens a respeito das receitas próprias, Walter respondeu que a questão principal é outra. “A questão não é deixar de arrecadar ou arrecadar. A questão é a transparência do orçamento da nossa universidade.” A candidata a vice-reitora na chapa dele é Tássia Rejane Monte dos Santos.
Candidatos
Chapa 1, “UFRN com você: Ouvir, incluir e avançar”: Alessandro Câmara (reitor) e Antônio de Lisboa Lopes Costa, o Costinha (vice). Chapa 2, “Somos UFRN”: Rubens Maribondo do Nascimento (reitor) e Jeferson de Souza Cavalcante (vice). Chapa 3, “A UFRN são as pessoas”: Walter Pinheiro Barbosa Junior (reitor) e Tássia Rejane Monte dos Santos (vice).
O debate entre os candidatos foi relatado pelo Correio de Hoje na edição desta sexta-feira 6.
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