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Meio ambiente

UFRN encontra nitrito em lagoas da Grande Natal, entre elas Bonfim e Extremoz

Projeto de extensão monitora 11 lagoas duas vezes por ano, e pesquisadores alertam que o composto sozinho não define se a água é imprópria
Agora RN
25/09/2026 | 15:42

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) detectou íons nitrito em lagoas da Região Metropolitana de Natal. As análises são do Laboratório de Toxicologia e alcançam 11 lagoas — cinco na parte Norte e seis na parte Sul da região —, com duas coletas por ano em cada ponto.

O levantamento integra um projeto de extensão batizado de “Monitoramento de íons nitrito em águas de lagoas da região metropolitana de Natal/RN – ano 2026”. Quem o desenvolve é o Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas, ligado ao Centro de Ciências da Saúde da universidade (DACT/CCS/UFRN), sob coordenação da professora Aline Schwarz.

Lagoa de água escura cercada por vegetação e coqueiros, com pessoas na margem, uma delas sentada em primeiro plano
Lagoa da Região Metropolitana de Natal: o projeto da UFRN acompanha 11 delas, com coletas duas vezes por ano — Cícero Oliveira/O Correio de Hoje

Encontrar o composto não é o mesmo que declarar a água imprópria para consumo nem que apontar risco imediato à população. Para chegar a esse tipo de conclusão é preciso saber em que concentração o nitrito aparece, que características tem cada lagoa e o que dizem os demais parâmetros físico-químicos e microbiológicos.

“O nosso projeto vem em cima disso mesmo, vem em cima da qualidade da água”, explicou a coordenadora. “O foco são lagoas da Região Metropolitana de Natal.”

Aline detalhou como é feito o trabalho de campo: “Então existem as duas regiões metropolitanas, Norte e Sul, e a gente coleta periodicamente, duas vezes por ano – semestralmente, assim dizendo –, amostras de 5 lagoas da região Norte e 6 lagoas da região Sul”. Sobre a etapa atual, acrescentou: “E agora estamos aqui no laboratório fazendo as análises dessas águas coletadas”.

Duas das lagoas monitoradas, a do Bonfim e a de Extremoz, estão ligadas ao abastecimento público. Outras servem ao turismo, caso de Carcará e Pitangui. Em todas elas, o que vai para o laboratório é a água bruta, recolhida antes de qualquer etapa de tratamento — trabalho feito em articulação com a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN).

“Muito da água captada vem de algumas das lagoas que a gente analisa, como Bonfim e Extremoz – água que chega às nossas casas através da torneira”, afirmou a pesquisadora. Ela fez a ressalva sobre o que é analisado: “Evidentemente, essas águas são tratadas; o que a gente faz é analisar a água bruta coletada diretamente da lagoa, sem tratamento algum”. E explicou como a lacuna é coberta: “Então, essa lacuna a gente preenche trabalhando junto, por exemplo, com a CAERN”.

Os números de 2026 não ficarão isolados. A intenção é confrontá-los com o que foi reunido de 2020 a 2025, montando uma série histórica capaz de indicar se os níveis de nitrito mudaram, como oscilam conforme a época do ano e se há tendência de alta ou de queda nas concentrações.

Como o nitrito chega à água

Forma nitrogenada, o nitrito aparece na água tanto por caminhos naturais quanto por interferência humana. Lançamento de esgoto doméstico, decomposição de matéria orgânica e escoamento vindo de áreas onde se aplicam fertilizantes nitrogenados estão entre as origens possíveis.

As concentrações oscilam também por causa das chuvas, do modo como a água circula e da distância entre a lagoa e as áreas urbanizadas. Daí a leitura que os pesquisadores fazem: a presença do composto é uma das informações usadas para avaliar as condições ambientais dos corpos d’água, e não um veredito isolado.

O parâmetro adotado pelo projeto para água de consumo humano é de 1 mg/L de nitrito, no máximo. Esse valor, sozinho, não serve para dizer se uma lagoa é potável ou imprópria, ponderam os pesquisadores: a interpretação exige considerar a quantidade que de fato foi encontrada, o tipo e a destinação daquele corpo d’água e os outros resultados de laboratório. O material divulgado sobre o projeto não informa qual concentração foi verificada em cada uma das 11 lagoas monitoradas.

Análise periódica, avalia a UFRN, ajuda a perceber mudanças nas condições ambientais e gera informação aproveitável em ações de saneamento, em fiscalização, no planejamento urbano e na preservação dos recursos hídricos.

Lixo, fossa e lençol freático

“O projeto tem esse perfil extensionista para levar de volta essas informações à população sobre a qualidade da água das lagoas e também informar a respeito de como preservar esses corpos aquáticos”, disse Aline.

Fora a produção de dados, estão previstas ações de conscientização em três frentes: preservação ambiental, descarte de resíduos e saneamento básico. Como a ocupação do entorno das lagoas é um dos pontos observados pela equipe, a coordenadora recorre aos locais de turismo e lazer para exemplificar o problema.

“As lagoas de potencial turístico são diversas que a gente analisa, como Carcará e Pitangui”, contou. “Você chega a ver muitos bares, pedalinhos para alugar, enfim, muita gente usufruindo dessas lagoas lindas.” A seguir, apontou o objetivo do trabalho com essas comunidades: “A intenção nossa é tentar colaborar com a qualidade da água destas lagoas, trazendo a informação de não deixar lixo nas lagoas e, para quem mora ali próximo, alertar sobre a situação das fossas”.

O alerta sobre as fossas foi detalhado pela pesquisadora: “Fazer manutenção periódica dessas fossas… se não houver manutenção, ocorre um extravasamento que vai poder contaminar o lençol freático e a água dessas lagoas”.

Resultados e material educativo devem ser divulgados ao longo do projeto. A proposta é deixar os dados produzidos no laboratório ao alcance de quem mora na Região Metropolitana e ampliar o acompanhamento da situação das lagoas.