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Cotidiano

Família cobra explicações sobre morte de engenheiro em jet ski na Lagoa do Bonfim e aponta piloto embriagado

Carlos Eugênio estava sem colete e o passeio ocorreu duas horas depois do fim das atividades náuticas, diz a marina
Agora RN
08/09/2026 | 17:51

Os parentes do engenheiro civil Carlos Eugênio Leopoldo Nunes Filho, de 27 anos, querem saber exatamente como ele morreu. O jovem se afogou ao cair de uma moto aquática na Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta, e a família cobra explicações sobre o que houve ali. Era por volta das 20h30 de domingo 6; o corpo só apareceu na manhã da segunda-feira 7, a uns sete metros de profundidade.

Ele ia na garupa quando os dois foram ao chão d’água no meio da travessia de uma margem à outra. O piloto conseguiu subir de volta no equipamento; Carlos sumiu debaixo da água. Ao Corpo de Bombeiros, testemunhas relataram duas coisas: que o piloto estaria embriagado, e que uma manobra brusca teria provocado a queda dos dois. As circunstâncias serão investigadas pela Polícia Civil.

Retrato de Carlos Eugênio, engenheiro civil de 27 anos
Carlos Eugênio Leopoldo Nunes Filho, de 27 anos, estava na garupa da moto aquática quando caiu na água — Foto: Reprodução/Redes sociais

O colete que não chegou a ser vestido

A família diz que ele não usava colete salva-vidas no momento em que tudo aconteceu, e pergunta por que o passeio chegou a sair daquele jeito. Conta que alguém chegou a estender o equipamento ao rapaz antes da partida — só que o piloto acelerou antes de Carlos conseguir vesti-lo.

Outro ponto que a família questiona é a conduta do condutor depois da queda: ele teria deixado o local sem prestar qualquer esclarecimento. Dizem também que pertences dele acabaram guardados dentro do carro que o havia trazido de carona até ali. Essa versão de que o piloto foi embora sem esperar chegou igualmente ao Corpo de Bombeiros.

Há ainda duas perguntas que a família não larga: o horário em que aquele jet ski estava rodando, e o tamanho da fiscalização sobre as condições de quem o pilotava. Familiares contam que funcionários da marina já haviam advertido o condutor em outras ocasiões sobre o jeito como ele usava a moto aquática.

“Se o estabelecimento fecha às 18 horas, não se pode mais andar de jet ski às 18 horas, por que ele estava com o jet ski às 20h20, rodopiando, fazendo manobra? Outra, se é proibido lá dirigir alcoolizado, por que permitiram que ele dirigisse?”, cobrou a tia de Carlos, Netânia Maria.

O que diz a marina

Por nota, a Marina Proguard — ponto de onde a embarcação saiu naquela noite — lamentou a morte e fez questão de frisar que Carlos viajava como passageiro num veículo aquático de propriedade particular, e não da casa. O colete, acrescentou, ele não usava: equipamento que a marina classifica como de segurança obrigatória para esse tipo de navegação.

A empresa lembrou ainda que pilotar à noite não é permitido e que, aos domingos, a operação náutica se encerra às 18h em ponto. Pela versão da empresa, portanto, o estabelecimento já estava fechado no momento em que o acidente ocorreu, por volta das 20h30.

Ainda pela nota, é o comandante ou piloto de cada embarcação quem responde pela própria segurança e pela de quem leva a bordo. A empresa acrescentou que não dispõe de poder de polícia nem de fiscalização — o que lhe cabe é orientar — e informou que só aceita cliente habilitado na guarderia.

Segundo a Proguard, ela acionou as autoridades e cedeu catamarã, lanchas e outras estruturas às equipes dos bombeiros e da Capitania dos Portos enquanto durou a busca.

A busca que atravessou a noite

Os bombeiros entraram na água ainda no domingo à noite, mas tiveram de interromper o trabalho: faltava luz para seguir. Na manhã seguinte a busca recomeçou, desta vez com mergulhadores e com equipes espalhadas num catamarã e ao longo de toda a beira da lagoa.

Por volta das 8h10 o corpo foi achado, a uns sete metros abaixo da superfície — pertinho de onde ele havia sumido na véspera.

Oficial de operações da corporação, o tenente França contou que o que chegou às equipes indicava duas coisas: Carlos ia na garupa, e quem pilotava havia bebido.

“O que aconteceu é que esse jovem, o Carlos, vinha na garupa de um jet ski com um piloto, que, segundo informações, teria se embriagado. Durante o trajeto, de uma margem para a outra margem da lagoa, houve uma manobra mais brusca, e aí os dois acabaram caindo do jet ski. Um conseguiu retornar ao jet ski e o outro, infelizmente, não e veio a acontecer essa tragédia”, relatou.

Um bom nadador em sete metros de água

Nascido em Picos, no Piauí, Carlos Eugênio vivia em Natal desde criança e tocava a carreira de engenheiro civil por aqui.

Segundo os parentes, ele nadava bem e já tinha encarado mar aberto — e é exatamente por isso que a dinâmica do afogamento continua sem fazer sentido para a família.

“Outra coisa que intriga é que ele era um excelente nadador, nadava em alto-mar, ele tem um porte físico atlético e tudo, e como é que ele se afogou numa profundidade de sete metros, bem perto de onde ele foi encontrado”, questionou Netânia.