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Judiciário

CNJ identifica juízes que ganharam mais de R$ 1 mi por mês

Comissão do CNJ terá 180 dias para apresentar propostas sobre verbas pagas a juízes e impactos no teto constitucional
Redação
07/06/2026 | 09:14

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Edson Fachin, criou um grupo de trabalho para revisar os chamados penduricalhos pagos a magistrados e elaborar propostas voltadas à transparência da remuneração no Judiciário. A comissão terá prazo de 180 dias para apresentar um relatório com sugestões.

Segundo o CNJ, o objetivo é construir um modelo permanente para reduzir distorções salariais e ampliar o controle sobre os rendimentos da magistratura.

Fachin vai propor contracheque único para pagamento de juízes - Foto: Agência Brasil
Fachin cria grupo para revisar penduricalhos e propor mudanças na remuneração de magistrados - Foto: Agência Brasil

O grupo será responsável por analisar os pagamentos feitos a juízes em todo o país, identificar e classificar verbas remuneratórias e indenizatórias e avaliar os impactos desses valores sobre o teto constitucional do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

De acordo com o CNJ, já foram identificados casos de magistrados que receberam mais de R$ 1 milhão em um único mês.

A criação da comissão integra um conjunto de medidas adotadas nos últimos meses para ampliar a transparência sobre os vencimentos da magistratura. Em março, o STF estabeleceu limites para critérios de pagamento de verbas indenizatórias. Em maio, o CNJ instituiu um contracheque único nacional para magistrados, com detalhamento das remunerações.

Agora, a intenção é produzir um diagnóstico sobre as diferentes práticas adotadas nos mais de 90 tribunais brasileiros e discutir alternativas para o sistema remuneratório da magistratura.

“Essa medida é muito importante para a sociedade brasileira. Também é importante para magistratura brasileira, porque, de forma transparente e completamente às claras, vamos examinar essa matéria ouvindo todos os segmentos interessados”, disse Fachin.

O ministro afirmou que o grupo também irá analisar possíveis mudanças legislativas relacionadas ao tema.

“E, ao final desse trabalho, desse exame de soluções legislativas, vamos propor de modo estrutural uma solução, um encaminhamento para o sistema remuneratório da magistratura brasileira. Assim, cada cidadã e cidadão brasileiro saberá com nitidez o que recebe e o que paga para o magistrado brasileiro”.

A comissão será formada por representantes da magistratura e integrantes de outras instituições, incluindo Ministério Público, Defensorias Públicas, Congresso Nacional e Tribunal de Contas da União (TCU).

A proposta, segundo o CNJ, é ampliar a discussão sobre a política remuneratória do Judiciário e incluir diferentes órgãos no debate sobre a remuneração dos magistrados.