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Juros

Juros cobrados por bancos batem recorde e chegam a 33,8% ao ano, aponta Banco Central

Taxa média para pessoas físicas e empresas é a maior da série histórica; governo aposta em novo Desenrola para reduzir endividamento das famílias
Agora RN
28/05/2026 | 12:57

Os juros médios cobrados pelos bancos de pessoas físicas e empresas atingiram 33,8% ao ano em abril, o maior patamar da série histórica iniciada em 2011, segundo dados divulgados nesta quinta-feira 28 pelo Banco Central.

No caso das pessoas físicas, a taxa média chegou a 39% ao ano, maior nível desde março de 2017, quando os juros ficaram em 40,6%. Já para as empresas, a taxa atingiu 22,3% ao ano, o maior patamar desde agosto de 2016.

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Taxa média de juros cobrados por bancos para pessoas físicas e empresas chegou a 33,8% ao ano em abril, maior patamar da série histórica do Banco Central Foto: Rodrigo Oliveira/Caixa Econômica Federal

Com o crédito mais caro e o aumento do endividamento das famílias, o governo federal aposta na nova edição do programa Desenrola para aliviar as dívidas, principalmente relacionadas ao cartão de crédito. Segundo o Ministério da Fazenda, desde o início da nova fase do programa, em 5 de maio, já foram renegociados R$ 10 bilhões em dívidas, em cerca de 1,1 milhão de pedidos.

Apesar do início da queda da taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano, o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que ainda é cedo para medir os impactos da redução dos juros básicos da economia nas taxas cobradas pelos bancos.

“A Selic atual ainda é elevada e restritiva. Não dá para saber quando haverá um impacto mais significativo para colocar os juros em trajetória de redução”, afirmou durante entrevista coletiva.

Um dos principais focos do novo Desenrola é o rotativo do cartão de crédito, que segue com taxas extremamente elevadas. Em abril, os juros médios dessa modalidade chegaram a 432,1% ao ano. A inadimplência no rotativo ficou em 60,6%, com leve queda de 0,5 ponto percentual no mês.

Segundo regra estabelecida pelo Banco Central, o total cobrado em juros e encargos financeiros no rotativo e no parcelamento da fatura não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida.

Os dados mostram ainda aumento da inadimplência no crédito não consignado, que chegou a 9,3%, alta de 0,4 ponto percentual. No consignado para trabalhadores do setor privado, o índice de atrasos subiu para 7,3%, maior nível desde março do ano passado.

Já a concessão de empréstimos consignados para trabalhadores com carteira assinada somou R$ 9,7 bilhões em abril, queda de 10,1% em relação ao mês anterior. As taxas cobradas nessa linha também recuaram levemente, para 56,3% ao ano.

No caso do consignado para aposentados do INSS, houve queda de 24,2% nas concessões. Segundo o Banco Central, a redução pode estar ligada à decisão cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu temporariamente novas operações devido a falhas nos sistemas do governo, além de uma postura mais cautelosa dos bancos na concessão de crédito.

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