A Grande Pirâmide de Gizé, um dos monumentos mais antigos ainda preservados no planeta, continua chamando atenção de pesquisadores pela capacidade de resistir ao tempo e a fenômenos naturais extremos. Um estudo recente concluiu que a estrutura construída há cerca de 4.600 anos no Egito apresenta comportamento estável diante de vibrações sísmicas e consegue suportar terremotos que atingiram a região ao longo dos séculos.
O trabalho analisou a resposta estrutural da pirâmide por meio de simulações e medições relacionadas à propagação de ondas sísmicas no interior da construção. Segundo os pesquisadores, a estabilidade observada está diretamente ligada às características arquitetônicas e à forma como o peso foi distribuído pelos construtores egípcios.

A Grande Pirâmide de Gizé foi erguida durante o reinado do faraó Quéops e permanece como a maior das pirâmides do complexo localizado nos arredores do Cairo. Inicialmente, o monumento tinha cerca de 147 metros de altura, embora atualmente apresente aproximadamente 138,5 metros devido à erosão natural e à retirada de parte do revestimento externo ao longo da história.
A estrutura ocupa aproximadamente 5,3 hectares e foi construída com enormes blocos de calcário. O formato piramidal, associado à base extremamente ampla e ao estreitamento gradual em direção ao topo, é apontado como um dos fatores responsáveis pela resistência do monumento.
Pesquisadores afirmam que a pirâmide foi projetada com um sofisticado sistema interno de câmaras e corredores que influencia diretamente na dissipação de energia causada pelas vibrações sísmicas.
“Esses elementos juntos criam uma estrutura bem equilibrada e coerente”, disse o sismólogo Mohamed ElGabry, do Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica do Egito, autor principal do estudo.
Segundo ele, os construtores egípcios demonstravam conhecimento avançado sobre estabilidade, comportamento de fundações, distribuição de massa e transferência de carga.
“Os construtores de Gizé indicam claramente que tinham conhecimento prático relacionado à estabilidade, comportamento de fundações, distribuição de massa e transferência de carga”, afirmou.
O estudo identificou que a maior parte das vibrações registradas dentro da pirâmide apresentava frequência compatível com a estrutura inteira, indicando que o monumento se movimenta de maneira uniforme durante os tremores.
“Então, embora eu hesite em afirmar que projetaram intencionalmente a pirâmide especificamente para resistir a terremotos, acredito que desenvolveram soluções arquitetônicas e geométricas que naturalmente se mostraram eficazes a longo prazo”, declarou Mohamed ElGabry.
Os pesquisadores também analisaram o comportamento sísmico em diferentes câmaras internas da pirâmide, incluindo a Câmara do Rei, considerada uma das principais áreas internas do monumento. A investigação mostrou que a amplificação das vibrações aumentava em áreas mais elevadas da estrutura, especialmente próximas à câmara principal.
Apesar disso, dentro de algumas câmaras específicas a amplificação foi reduzida, o que pode indicar mecanismos internos de dissipação de energia. “Isso sugere que essas câmaras ajudam efetivamente a dissipar a energia sísmica e proteger a Câmara do Rei — uma das áreas mais críticas de tremores excessivos”, explicou ElGabry.
A pesquisa reforça a imagem da Grande Pirâmide como uma das obras de engenharia mais complexas e duradouras já produzidas pela humanidade. O monumento enfrentou diferentes terremotos registrados historicamente no Egito, incluindo tremores ocorridos entre os séculos 19 e 20.
Os cientistas citam especialmente os terremotos de 1847 e 1992, que atingiram o Cairo e outras regiões do país. O sismo de 1992 matou mais de 500 pessoas e deixou milhares de feridos, além de provocar danos em diversos edifícios. Mesmo assim, a Grande Pirâmide sofreu apenas danos considerados mínimos. Para os pesquisadores, a capacidade de resistência da estrutura está relacionada não apenas ao tamanho monumental da obra, mas também à precisão geométrica e ao domínio técnico dos antigos egípcios.
“A Grande Pirâmide não é apenas uma conquista extraordinária da engenharia, mas também uma obra de arte profunda e de visão humana. Sua simetria perfeita, escala monumental e proporções elegantes criam uma beleza atemporal que continua a inspirar admiração mesmo após 4.600 anos”, afirmou ElGabry.
O pesquisador também chamou atenção para o nível de planejamento necessário para a construção do monumento em uma época sem tecnologias modernas. “Além de sua beleza física, o que mais me impressiona é a incrível gestão de projetos e domínio organizacional que ela representa”, disse. Segundo ele, a construção exigiu coordenação rigorosa.