A Meta iniciou uma nova rodada global de demissões e reorganização interna como parte da estratégia do presidente-executivo Mark Zuckerberg de acelerar os investimentos em inteligência artificial e ampliar a eficiência operacional da companhia.
Os comunicados começaram a ser enviados aos funcionários na quarta-feira 20, inicialmente para equipes da Ásia, e devem atingir empregados em diferentes regiões ao longo dos próximos dias. Segundo documentos internos obtidos pela Bloomberg News, a empresa eliminará cerca de 8 mil postos de trabalho em todo o mundo, ao mesmo tempo em que amplia gastos bilionários em infraestrutura e desenvolvimento de IA.

A reestruturação deve atingir principalmente áreas de engenharia e desenvolvimento de produtos. Na Irlanda, onde fica a sede europeia da companhia, a expectativa é de corte de aproximadamente 20% da força de trabalho local, o equivalente a até 350 empregos, segundo o jornal Irish Times.
A Meta orientou funcionários a trabalharem remotamente durante o período de notificações e reorganização das equipes. Pessoas familiarizadas com os planos afirmam que novas demissões ainda podem ocorrer ao longo do ano.
Os cortes ocorrem poucos dias após a empresa informar internamente que cerca de 7 mil empregados foram transferidos para novos grupos focados em iniciativas ligadas à inteligência artificial, incluindo produtos automatizados e agentes de IA.
A companhia encerrou março com pouco menos de 80 mil funcionários antes das demissões e remanejamentos. Paralelamente, a Meta ampliou o volume de investimentos destinados à infraestrutura tecnológica voltada à IA.
A empresa projeta mais de US$ 100 bilhões em gastos de capital apenas neste ano, valor que pode alcançar US$ 145 bilhões, além de centenas de bilhões adicionais previstos até o fim da década.
Em memorando interno, a diretora de Recursos Humanos da Meta, Janelle Gale, afirmou que a empresa busca estruturas mais enxutas e ágeis.
“Estamos agora em um estágio em que muitas organizações podem operar com uma estrutura mais horizontal, com equipes menores, em grupos que podem se mover mais rápido e com mais autonomia”, escreveu.
O movimento reforça a prioridade estratégica dada por Zuckerberg à inteligência artificial, em uma disputa direta com rivais como Google e OpenAI.
Nos últimos anos, a Meta passou por sucessivas rodadas de cortes de custos, enquanto direcionava recursos para acelerar o desenvolvimento de ferramentas automatizadas, sistemas generativos e infraestrutura computacional de alto desempenho.
A estratégia vem provocando desgaste entre funcionários. Mais de mil empregados assinaram uma petição contra medidas adotadas pela companhia para monitoramento de dispositivos corporativos com objetivo de treinar sistemas de IA.