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História

Filme retrata companheiros de Che

Filme francês reúne depoimentos e imagens de arquivo para contar a trajetória de três guerrilheiros que sobreviveram à campanha de Che Guevara na Bolívia
Por O Correio de Hoje
20/05/2026 | 13:52

A imagem de Ernesto Che Guevara permanece como um dos maiores símbolos das revoluções do século 20. Com a boina e o rosto estampados em camisetas ao redor do mundo, o guerrilheiro argentino segue como ícone político décadas após sua morte, em 1967, na Bolívia. Menos conhecida, porém, é a história dos homens que lutaram ao seu lado e conseguiram sobreviver.

É essa trajetória que o documentário Che Guevara: The Last Companions (“Che Guevara: Os Últimos Companheiros”) leva ao Festival de Cannes nesta quarta-feira 20, na mostra de exibições especiais. Dirigido pelo cineasta francês Christophe Dimitri Réveille, o filme acompanha os últimos combatentes do grupo de Che e mostra como três deles escaparam de uma das mais intensas caçadas militares da história recente da América Latina.

filme che cor
Jornalista Régis Debray com ator Christophe Dimitri Réveille, do documentário Che Guevara - Foto: cannes / reprodução

O documentário começa com imagens do corpo de Che Guevara exposto em uma escola de um pequeno vilarejo boliviano, logo após sua execução por tropas do Exército. A poucos metros dali, seis de seus companheiros permaneciam escondidos na mata, sem saber que o líder havia sido morto. Cercados por helicópteros e por milhares de soldados, eles decidiram continuar lutando.

Ao final, apenas três sobreviveram: Harry Villegas, conhecido como Pombo, um dos homens de maior confiança de Che; Leonardo Tamayo Núñez, o Urbano, então um jovem camponês cubano de 15 anos que atuava como mensageiro e hoje é o único ainda vivo; e Daniel Alarcón Ramírez, o Benigno, que se tornaria capitão do Exército rebelde.

Durante cinco meses, os guerrilheiros evitaram a captura por mais de 4 mil soldados bolivianos, percorreram cerca de 2.400 quilômetros e enfrentaram fome, sede e ferimentos em uma tentativa desesperada de escapar do cerco.

A narrativa é construída a partir de entrevistas, imagens de arquivo e sequências de animação que reconstituem episódios da fuga. Segundo Réveille, o objetivo do filme é deslocar o foco do mito para aqueles que participaram diretamente da revolução.

“Como perderam tudo, a vida deles não tinha muito significado. É por isso que seguiram Che”, afirma o diretor. “Che está em todos os livros de história. Eu foquei as pessoas que realizaram as revoluções, mas cujos nomes não aparecem em nenhum lugar.”

Em vez de revisitar apenas a figura de Guevara, o documentário busca iluminar personagens quase esquecidos que dedicaram a vida a um projeto político e pagaram alto preço por isso. Ao dar voz a esses sobreviventes, o filme oferece um olhar mais humano sobre um dos capítulos mais emblemáticos da história latino-americana.