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Raridade

Apenas 2% da população tem olhos verdes, os mais raros

Combinação genética específica e baixa quantidade de melanina explicam raridade da tonalidade presente em cerca de 2% da população mundial
Por O Correio de Hoje
20/05/2026 | 12:26

A grande maioria dos seres humanos tinha olhos castanhos até cerca de 10 mil anos atrás. Com o surgimento de mutações genéticas que passaram a reduzir a produção de melanina na íris, começaram a aparecer tonalidades mais claras, como azul, cinza e verde.

Entre todas as cores naturais, o verde é considerado o tom mais raro. De acordo com a Academia Americana de Oftalmologia (AAO), apenas cerca de 2% da população mundial apresenta essa coloração. Em alguns países, no entanto, a proporção pode ser maior. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que 9% da população tenha olhos verdes, embora a tonalidade continue sendo menos comum que o azul e o castanho.

Olhos verdes
Raridade está diretamente ligada à genética - Foto: Freepik

A raridade está diretamente ligada à genética. A cor dos olhos é determinada principalmente pela quantidade de melanina presente na íris. Quanto maior a concentração desse pigmento, mais escuros tendem a ser os olhos. Menores quantidades favorecem tons mais claros.

Embora a herança da cor dos olhos seja frequentemente explicada de forma simplificada, como se olhos castanhos fossem dominantes e olhos azuis recessivos, o processo é mais complexo. Diversos genes atuam em conjunto para definir a tonalidade final.

Um dos principais é o OCA2, responsável por cerca de 75% da variação da cor dos olhos. Esse gene participa da produção e do armazenamento da melanina. Outro gene importante é o HERC2, que regula a atividade do OCA2. Algumas variantes genéticas reduzem a produção de melanina, o que favorece o aparecimento de olhos mais claros.

No caso dos olhos verdes, é necessária uma combinação específica de genes que resulte em uma quantidade intermediária de pigmento castanho. Ao contrário do que o nome sugere, não existe pigmento verde na íris.

A tonalidade surge da interação entre pequenas quantidades de melanina e do lipocromo, um pigmento amarelado presente também em alimentos como gema de ovo e manteiga. Quando a luz incide sobre essa combinação, ela se dispersa de forma a produzir a aparência esverdeada.

Fenômeno semelhante ocorre com os olhos azuis. Nesse caso, a quantidade de melanina é ainda menor, e a dispersão da luz faz com que predominem os comprimentos de onda azulados.

Por depender de uma combinação genética pouco frequente e de um equilíbrio muito específico entre pigmentos e reflexão da luz, os olhos verdes permanecem como a cor natural mais rara entre os seres humanos.