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Saúde

Síndrome dos Ovários Policísticos passa a ter novo nome após consenso internacional

Condição passa a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)
Redação
12/05/2026 | 17:26

Uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva passou a ter uma nova denominação após consenso internacional publicado nesta terça-feira 12 na revista médica The Lancet. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passa a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP).

A mudança é resultado de um processo que reuniu 56 organizações científicas, clínicas e de pacientes de diversas regiões do mundo, além de mais de 14 mil respostas em pesquisas globais. O Brasil participou por meio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com representação da endocrinologista Poli Mara Spritzer, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

tratamento da sindrome dos ovarios policisticos
Síndrome dos Ovários Policísticos passa a ter novo nome após consenso internacional - Foto: Divulgação

Segundo especialistas, a alteração busca corrigir uma imprecisão do termo anterior, que associava a síndrome à presença de “cistos” nos ovários. Na prática, o que é observado são múltiplos folículos com crescimento interrompido. “A denominação antiga era errônea porque focava apenas nos chamados cistos, que na verdade não são cistos, mas folículos com crescimento interrompido”, afirma Spritzer.

Além da imprecisão, o nome anterior levava à interpretação de que a condição seria exclusivamente ginecológica, o que não corresponde ao quadro clínico. A síndrome envolve alterações hormonais e metabólicas, incluindo resistência à insulina, presente em aproximadamente 85% das pessoas afetadas.

O novo nome incorpora o termo “poliendócrina”, indicando a participação de diferentes sistemas hormonais, como insulina, androgênios, hormônio luteinizante (LH) e hormônio antimülleriano (AMH).

De acordo com o artigo, até 70% das mulheres com a condição permanecem sem diagnóstico. “Ovários policísticos é um termo enganoso. Ele sugere que a doença seja causada por cistos nos ovários, quando, na verdade, muitas vezes não se trata de cistos patológicos”, explica Alexandre Hohl, diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina da SBEM.

A síndrome está associada a riscos como obesidade, pré-diabetes, diabetes tipo 2, colesterol elevado, pressão alta e doenças cardiovasculares. Entre os sintomas, estão ciclos menstruais irregulares, dificuldade para engravidar, acne, aumento de pelos, queda de cabelo e ganho de peso.

A condição também apresenta associação com ansiedade, depressão e redução da qualidade de vida.

A mudança de nome não altera os critérios diagnósticos nem o tratamento. O diagnóstico em mulheres adultas continua sendo baseado na presença de pelo menos dois entre três critérios: disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e alterações ovarianas identificadas por exames.

O tratamento permanece individualizado, podendo incluir anticoncepcionais hormonais, antiandrogênicos, metformina, indutores de ovulação e acompanhamento metabólico.

A transição para a nova nomenclatura será gradual, ao longo de três anos, com atualização de sistemas de saúde, diretrizes clínicas e classificações internacionais, incluindo o CID.

Segundo especialistas, a mudança pode ampliar a compreensão da condição e influenciar políticas públicas e pesquisas sobre a síndrome.