As novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida entram em vigor nesta quarta-feira 22, ampliando o limite de renda para até R$ 13 mil e o valor máximo de financiamento para até R$ 600 mil. Segundo o governo federal, a medida pode beneficiar cerca de 87,5 mil famílias no País e tende a impactar diretamente o mercado imobiliário no Rio Grande do Norte, com expectativa de aumento da demanda por novos empreendimentos.
Para o setor da construção civil, a mudança reforça o papel do programa como principal motor da produção habitacional. Gabriel Wanderley, do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RN), afirma que o ajuste nos limites de renda tem efeito direto sobre o poder de compra das famílias. Com a reclassificação das faixas, parte dos compradores passa a acessar juros menores, ampliando a capacidade de financiamento e facilitando a aquisição de imóveis.

A ampliação também alcança a classe média, que enfrentava restrições de crédito fora do programa, especialmente em um cenário de juros elevados. No Estado, o impacto deve ocorrer tanto nas faixas mais baixas, em municípios da Grande Natal, quanto nas faixas superiores, que agora contemplam imóveis de até R$ 600 mil, incluindo unidades em áreas mais valorizadas que vinham com baixa liquidez devido à dificuldade de acesso ao crédito pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do RN (Creci-RN), a medida amplia o perfil de compradores e pode destravar vendas em segmentos intermediários. Imóveis que antes estavam concentrados em valores entre R$ 140 mil e R$ 280 mil passam a competir com unidades de padrão mais elevado, incluindo opções com maior metragem e melhor localização, especialmente para famílias enquadradas na nova faixa de renda.
Apesar do cenário positivo para a demanda, o setor aponta desafios estruturais. A escassez de mão de obra qualificada, a lentidão nos processos de licenciamento e o aumento dos custos de insumos podem pressionar preços no curto prazo. A expectativa é de ajuste ao longo de até 18 meses, até que a oferta acompanhe o ritmo das vendas.
Ainda assim, mecanismos de controle tendem a limitar distorções. A Caixa Econômica Federal mantém critérios técnicos para avaliação dos imóveis, o que restringe financiamentos acima do valor de mercado e reduz o risco de elevações artificiais de preços. O desempenho do programa, segundo agentes do setor, dependerá do equilíbrio entre expansão da demanda, capacidade produtiva e acesso efetivo ao crédito imobiliário.