A suspensão de R$ 38,8 bilhões em investimentos em energias renováveis no Nordeste, prevista para o biênio 2025-2026, acendeu um alerta no setor elétrico brasileiro e trouxe impactos diretos para o Rio Grande do Norte. Representantes da indústria apontam que cortes forçados de geração (curtailment), limitações na infraestrutura de transmissão, insegurança regulatória e ausência de incentivos fiscais têm comprometido a expansão de novos projetos .
Segundo entidades do setor, o movimento reflete um ambiente de incerteza que tem levado empresas a reavaliar investimentos e considerar a migração para outras regiões. O presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (Aper), Williman Oliveira, afirma que a dificuldade de escoamento da energia produzida e a necessidade de interromper a geração têm gerado prejuízos relevantes. “Acredito que isso aconteceu muito pela dificuldade quando as empresas têm que bloquear a sua geração, gerando um prejuízo incalculável”, disse .

A avaliação é compartilhada por representantes nacionais. O diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Francisco Silva, observa que o cenário de incerteza, especialmente em relação aos cortes de geração, tem inviabilizado novos empreendimentos. “Todos os geradores estão verificando qual é o melhor momento para investir novamente nesse mercado”, afirmou .
No plano regional, especialistas alertam para efeitos econômicos mais amplos. O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos, aponta risco de demissões e fuga de capital, enquanto o presidente da Comissão de Energias Renováveis da Fiern, Sérgio Azevedo, destaca possível perda de competitividade. Segundo ele, o Estado pode enfrentar adiamento de projetos, redução da geração de empregos e enfraquecimento da cadeia produtiva local .
O debate ocorre em paralelo à implementação da Lei nº 15.269/2025, que moderniza o marco regulatório do setor elétrico e estabelece diretrizes para segurança energética e operação do sistema. Apesar de avanços, agentes do setor ressaltam a necessidade de regulamentação mais célere, especialmente em relação aos mecanismos de compensação dos cortes de geração e estímulo ao armazenamento de energia .
Mesmo diante das incertezas, empresas com atuação no Nordeste indicam manutenção de interesse na região. Companhias como Casa dos Ventos e Vestas afirmam seguir investindo e defendem ajustes estruturais para destravar novos aportes. O cenário, segundo executivos, dependerá da capacidade de coordenação entre governo e setor privado para restaurar previsibilidade e garantir a continuidade da expansão da matriz renovável no país.