A Itaipu Binacional iniciou testes para geração de energia solar sobre o espelho d’água de seu reservatório, em um projeto-piloto que busca ampliar a diversificação da matriz elétrica. A iniciativa utiliza uma estrutura flutuante com 1.584 painéis fotovoltaicos instalados em uma área inferior a 10 mil metros quadrados, com capacidade de 1 megawatt-pico (MWp), suficiente para abastecer cerca de 650 residências .
O experimento funciona como laboratório para avaliar a viabilidade técnica e ambiental da tecnologia. Entre os aspectos analisados estão a influência das placas sobre a temperatura da água, o comportamento de peixes e algas, além da resistência da estrutura a ventos e variações do reservatório. A energia gerada, por ora, é destinada exclusivamente ao consumo interno da usina, sem conexão com o sistema hidrelétrico .

Com cerca de 1,3 mil km² de área e capacidade instalada de até 14 mil megawatts, o reservatório apresenta potencial relevante para expansão da geração solar. Estimativas técnicas indicam que, em cenário teórico, a ocupação de 10% da superfície com painéis poderia equivaler à capacidade de uma nova usina de Itaipu, embora a hipótese ainda dependa de estudos e ajustes regulatórios no tratado binacional .
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de inovação energética da usina, que também inclui pesquisas em hidrogênio verde, armazenamento em baterias e produção de biogás. Esses projetos são conduzidos no Itaipu Parquetec, ecossistema tecnológico que reúne universidades, empresas e centros de pesquisa para desenvolvimento de soluções voltadas à transição energética .
No campo do hidrogênio verde, a usina opera uma planta experimental baseada em eletrólise da água, com potencial de aplicação em setores industriais e no transporte. Já na área de biocombustíveis, resíduos orgânicos são convertidos em biometano, utilizado para abastecer veículos da própria operação. Em quase nove anos, mais de 720 toneladas de resíduos foram processadas, gerando combustível suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros .
Com investimento inicial de US$ 854,5 mil, o projeto solar reforça o papel da Itaipu como plataforma de testes para novas tecnologias energéticas. A evolução dessas iniciativas dependerá de avanços regulatórios, escala de investimentos e integração com políticas públicas.