A indústria brasileira voltou a perder fôlego em 2025 e caiu para a 64ª posição em um ranking internacional de desempenho que compara 83 países, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). O resultado representa uma deterioração significativa em relação a 2024, quando o País ocupava o 24º lugar, e marca o pior desempenho desde 2022.
A perda de dinamismo se intensificou no último trimestre do ano passado. O Brasil caiu da 28ª para a 72ª posição na comparação entre os quartos trimestres de 2024 e 2025. No período, a indústria de transformação saiu de uma expansão de 3,9% para uma retração de 1,8%, em linha com o enfraquecimento da atividade ao longo do ano.

De acordo com o Iedi, o principal fator por trás da piora no desempenho foi o elevado nível de juros, que afetou tanto o consumo quanto o investimento. O diretor-executivo da entidade, Rafael Cagnin, afirma que o custo do crédito e a atratividade de aplicações financeiras de baixo risco reduziram o incentivo à produção. “O juro foi corroendo todas as bases do dinamismo industrial”, disse.
Enquanto a indústria global acelerou, com crescimento de 3,9% em 2025, ante 2,1% no ano anterior, o Brasil registrou variação próxima da estabilidade, de 0,1%. Em 2024, a expansão havia sido de 3,2%. Pela metodologia da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve queda de 0,2% na indústria de transformação em 2025, após alta de 3,7% no ano anterior.
Na comparação internacional, o desempenho brasileiro ficou atrás de economias como China, Rússia, Chile, Argentina e Estados Unidos, que registraram crescimento industrial positivo. Ainda assim, superou países como México, Alemanha e África do Sul, que tiveram retração no período.
Analistas avaliam que o resultado de 2024 foi pontual e não sinalizou uma recuperação estrutural. Para João Leme, da Tendências Consultoria, o ambiente de juros elevados e o aumento do endividamento das famílias limitam a retomada do setor. “A indústria segue pressionada tanto pelo custo do investimento quanto pela demanda enfraquecida”, afirma.
As perspectivas para 2026 permanecem moderadas. A Tendências projeta crescimento de 0,3% para a indústria de transformação e de 0,8% para a indústria geral, com contribuição maior do setor extrativo. No horizonte mais longo, fatores como a reforma tributária e o acordo entre Mercosul e União Europeia são apontados como potenciais vetores de estímulo, ainda que seus efeitos devam ocorrer de forma gradual.
O cenário internacional também contribui para a cautela. A incerteza global aumentou com a guerra no Oriente Médio, enquanto políticas comerciais nos Estados Unidos têm impactado cadeias produtivas. No quarto trimestre de 2025, a produção industrial mundial cresceu 0,5%, enquanto houve retração na América do Norte e na América Latina, indicando um ambiente externo menos favorável para a indústria brasileira.