Uma mulher denunciou ter sido agredida por um policial militar durante uma abordagem na Vila de Ponta Negra, em Natal. O caso ocorreu no domingo 5 e ganhou repercussão nesta sexta-feira 10, após relatos da vítima.
Em entrevista à TV Tropical, Sandra Casado, gerente de restaurante, afirmou que passava pelo local quando viu familiares sendo abordados. “Eu trabalho em um restaurante e trabalho como cabeleleira a domicílio. Eu ia fazer um cabelo e ia para o restaurante. Me deparei com uma abordagem na Vila de Ponta Negra. Eu vi que era minha sobrinha, o esposo dela e o filhinho e parei meu carro. Até porque não tinha como passar pois a viatura estava impedindo. Eu fui pegar o filhinho dela para não ver aquela abordagem. Em nenhum momento eu atrapalhei. Sempre respeito os policiais, foi isso que minha mãe me ensinou”, disse.

Segundo ela, a situação se intensificou quando tentou retirar a criança do local. “Fui pegar a criança e o policial que estava abordando o marido da minha sobrinha impediu. Eu disse que ia, porque não queria que ela visse a cena. Quando saio para o meu carro, ele vem atrás de mim para dizer que era para voltar e devolver a criança. Eu falei que não iria devolver. Ele ficou muito alterado, chamando palavrões”, relatou.
Parte da ocorrência foi registrada em vídeo. “Minha sobrinha pega a criança. Quando isso acontece, ele me chama de palavrão, me dá um tapa na cara e diz: ‘Agora vá embora com esse tapa na cara'”, afirmou.
Sandra Casado disse que enfrenta dificuldades após o episódio. “Para mim, está sendo muito difícil. Desde domingo, eu fico sem dormir, não me alimento direito. Estou à base de remédio, mas Deus está me dando força”, declarou.
O caso foi encaminhado à corregedoria da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. O advogado da mulher, Bruno Fragoso, informou que serão adotadas medidas legais. “Vamos entrar com as medidas criminais e cíveis cabíveis para que sejam apuradas as possíveis práticas dos crimes relatados pela vítima”, disse.
Em nota, a Polícia Militar informou que “ao tomar conhecimento de imagens veiculadas em redes sociais sobre a conduta de policiais lotados no 5º BPM, determinou ao comando da referida unidade o afastamento imediato dos envolvidos das atividades operacionais”.
A corporação também comunicou que “foi determinada a abertura de procedimento administrativo para a rigorosa apuração dos fatos”. Por fim, o Comando Geral declarou que “sua atuação é pautada pela legalidade e pelo respeito ao cidadão, reafirmando que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes”.