A Petrobras anunciou, nesta quarta-feira 1º, um aumento de 54,63% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras em abril. Os reajustes do combustível seguem contratos que preveem atualização mensal, sempre no início de cada mês.
A alta ocorre em meio à escalada do preço internacional do petróleo, que superou US$ 100 por barril após a intensificação dos conflitos no Oriente Médio, incluindo ataques envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã e o fechamento parcial do Estreito de Hormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Os combustíveis de aviação seguem a paridade internacional e têm preços diretamente influenciados pelas oscilações externas. O QAV abastece aeronaves a jato, turboélices e helicópteros, enquanto a gasolina de aviação é utilizada em aviões com motores a pistão.
Apesar de ser um importante produtor, o Brasil ainda depende de importações para cerca de 20% da demanda doméstica de querosene de aviação. No mercado de distribuição, a Vibra Energia — antiga BR Distribuidora — concentra a maior participação, por meio da BR Aviation, responsável pelo abastecimento de aproximadamente 60% das aeronaves em cerca de 90 aeroportos no País, incluindo o Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante — principal terminal do Rio Grande do Norte. A empresa já havia sinalizado a alta nos preços na última semana.
Diante do aumento, o Ministério de Minas e Energia solicitou ao Ministério da Fazenda a avaliação de uma possível redução das alíquotas de PIS e Cofins sobre o QAV. A medida está em análise pela equipe econômica e busca atenuar os efeitos da valorização do petróleo sobre o setor aéreo.
Atualmente, os tributos federais podem chegar a R$ 71,20 por metro cúbico do combustível, incidindo tanto na importação quanto na comercialização. A eventual redução teria como objetivo diminuir o custo para as companhias aéreas e evitar repasses imediatos aos consumidores.
O governo federal também prepara um pacote de medidas para enfrentar a alta dos combustíveis de aviação. Entre as alternativas em discussão está a criação de uma linha de crédito emergencial com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), destinada à compra de combustível pelas empresas do setor.
O impacto da elevação do QAV tende a ser direto sobre o custo das passagens. Atualmente, combustíveis e lubrificantes representam cerca de 30,6% das despesas das companhias aéreas no Brasil. Um aumento superior a 50% no preço do insumo, se mantido por um período prolongado, pode pressionar tarifas e afetar a demanda por voos.
No fim de fevereiro, a companhia anunciou aumento de 9,4%, equivalente a R$ 0,31 por litro, válido a partir de março. Já no final de janeiro, havia informado uma redução de 0,5%, ou R$ 0,02 por litro, para fevereiro.
Integrantes do governo têm feito críticas à política de preços da companhia, especialmente após a privatização da BR Distribuidora. O combustível representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas e, diante de margens operacionais reduzidas — inferiores a 4% em média global —, aumentos expressivos tendem a ser repassados ao consumidor final.
Além da pressão sobre as tarifas, a alta do QAV pode afetar a oferta de voos, sobretudo em rotas menos rentáveis ou que atendem regiões afastadas dos grandes centros urbanos. O Brasil ainda depende de importações para suprir cerca de um quinto da demanda interna pelo combustível.
O diretor financeiro da Abra, holding que reúne as companhias aéreas Gol e Avianca, Manuel Irarrazaval, avaliou que o reajuste anunciado pela Petrobras para abril tende a ser “moderado” em relação à alta registrada no mercado internacional. Segundo ele, o modelo de correções mensais adotado pela estatal contribui para diluir variações de custo ao longo do tempo e facilita o planejamento das companhias aéreas.
Apesar disso, o executivo afirmou, durante conferência com analistas, que repasses aos consumidores podem ser necessários sempre que houver elevação no preço do combustível. De acordo com ele, uma alta de US$ 1 por galão no querosene de aviação pode exigir reajustes próximos de 10% nas tarifas.
A Azul informou na semana passada que já promoveu aumento superior a 20% no preço médio das passagens ao longo de três semanas, em resposta ao avanço dos custos.
A companhia também anunciou medidas para ajustar a operação, incluindo a limitação do crescimento da malha aérea. Entre as ações previstas está a redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre.