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Economia

RN registra perda de vagas formais em fevereiro puxada por serviços e comércio

Estado perde 2,2 mil empregos com carteira assinada e figura entre piores resultados do País no mês
Elias Luz
01/04/2026 | 05:18

O Rio Grande do Norte encerrou fevereiro de 2026 com saldo negativo de 2.221 empregos formais, segundo dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado coloca o Estado entre os três piores desempenhos do País no período, ao lado de Alagoas e Paraíba, em um mês no qual 24 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo.

O desempenho contrasta com o cenário nacional, que apresentou abertura líquida de 255.321 vagas formais em fevereiro, impulsionada principalmente pelo setor de serviços, responsável por 177.953 novos postos no país.

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Fim de 2025 e início deste ano não foi bom para a geração de empregos - Foto: José Aldenir/Agora RN

No caso potiguar, embora o relatório não detalhe o saldo setorial por unidade da federação na apresentação principal, os dados nacionais indicam que atividades ligadas a serviços e comércio apresentaram forte volatilidade recente e foram responsáveis por oscilações relevantes no emprego, especialmente em estados com maior dependência desses segmentos.

No Brasil, o comércio teve saldo modesto de 6.127 vagas em fevereiro, após perdas nos meses anteriores, enquanto serviços lideraram a geração de empregos, mas também registraram forte retração no fim de 2025, com fechamento de vagas que ainda repercute no início de 2026.

O Rio Grande do Norte, cuja estrutura econômica é concentrada nesses dois setores, foi impactado por esse movimento. A retração no emprego formal no estado ocorre em um contexto de menor dinamismo no início do ano, período marcado por ajustes sazonais após as contratações temporárias do fim de 2025.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o RN também apresenta saldo negativo, de aproximadamente 1,4 mil vagas, reforçando a tendência de enfraquecimento do mercado de trabalho local no curto prazo.

Já no recorte regional, o Nordeste apresentou desempenho heterogêneo, com alguns Estados registrando perdas relevantes no mês, o que contribuiu para a presença da região entre os piores resultados do país em fevereiro.

Os dados do Novo Caged mostram ainda que o estoque total de empregos formais no Brasil chegou a 48,8 milhões de vínculos, mantendo trajetória de crescimento no agregado nacional, apesar das quedas pontuais observadas em algumas unidades da federação.

A divulgação integra o conjunto de estatísticas mensais do emprego formal produzidas pelo governo federal e serve de base para o acompanhamento do mercado de trabalho no País.

Jovens enfrentam alta informalidade e desemprego no RN

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a inserção de adolescentes no mercado de trabalho no Rio Grande do Norte ocorre de forma limitada e marcada por alta vulnerabilidade. Em 2025, entre a população de 14 a 17 anos, apenas 8 mil estavam ocupados, o equivalente a 0,6% do total de trabalhadores no Estado. Outros 3 mil estavam desocupados, representando 2,4% do contingente sem emprego.

A taxa de participação na força de trabalho nessa faixa etária foi de 5,5%, enquanto a taxa de desocupação alcançou 26,5%, evidenciando dificuldades de acesso ao emprego formal. A informalidade predomina: 7 mil adolescentes trabalhavam sem vínculo formal, o que corresponde a uma taxa de informalidade de 89,5%.

Entre os jovens que conseguem ocupação, as condições também refletem fragilidade. A média de horas efetivamente trabalhadas é de 24,5 horas semanais, e o rendimento médio mensal atinge R$ 726.

Já entre a população de 15 a 29 anos, os dados mais recentes, de 2024, mostram um cenário de transição entre estudo e trabalho. Apenas 12,2% conseguem conciliar ocupação e frequência escolar, enquanto 32,6% trabalham, mas não estudam. Por outro lado, 31,4% estão fora do mercado, mas ainda frequentam a escola.

O grupo mais vulnerável reúne 23,9% dos jovens, que não estudam nem trabalham, condição associada a maiores riscos sociais e menor inserção produtiva no médio prazo.

Indústria do RN lança plataforma de empregos e salários por setor

O Rio Grande do Norte passou a contar com uma plataforma digital que organiza e detalha os dados de emprego formal da indústria, reunindo informações sobre admissões, demissões, salários e perfil dos trabalhadores por setor e município. A ferramenta, denominada BI Empregabilidade Potiguar, foi desenvolvida pelo Observatório da Indústria Mais RN e apresentada à diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) e a representantes sindicais na última sexta-feira, 27.

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Casa da Indústria agora tem ferramenta que fornece raio X do emprego – foto: José Aldenir/Agora RN

A iniciativa consolida dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, e os reorganiza a partir da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), permitindo o acompanhamento segmentado do mercado de trabalho industrial no Estado.

De acordo com a coordenadora executiva de Relações Institucionais e com o Mercado da Fiern, Ana Adalgisa Dias Paulino, a plataforma permite monitorar, de forma sistemática, quais setores mais empregam, onde estão concentradas as vagas e qual a participação de cada segmento na economia estadual. “A gente setorizou as indústrias e fez uma plataforma para acompanhar, por CNAE, o emprego que já é divulgado pelo Caged. Hoje, monitoramos quais os setores que mais empregam, em quais municípios e também por sindicato”, afirmou.

A ferramenta abrange dados de 31 sindicatos ligados à federação e possibilita análises detalhadas por atividade econômica. Com isso, é possível identificar, por exemplo, o peso da construção civil ou da indústria de transformação na geração de empregos no estado, além de acompanhar a evolução do saldo de vagas em cada segmento.

Além do recorte setorial, o BI também disponibiliza indicadores sobre remuneração média, idade, gênero e escolaridade dos trabalhadores, permitindo uma leitura mais aprofundada da estrutura do mercado de trabalho industrial. Segundo a Fiern, os dados serão atualizados mensalmente, ampliando a capacidade de acompanhamento conjuntural.

Para o assessor técnico do Observatório da Indústria, Pedro Albuquerque, a plataforma funciona como uma “radiografia” do emprego no estado. “É uma visão geral com microdados da empregabilidade do Rio Grande do Norte”, afirmou.

A ferramenta ainda não reúne informações sobre oferta de vagas, mas organiza o histórico e o comportamento do mercado formal, com foco na indústria. A expectativa da federação é que o acesso sistematizado aos dados contribua para decisões empresariais, planejamento de políticas públicas e atração de investimentos.

Segundo Ana Dalgisa, a disponibilização pública das informações também permitirá que os setores industriais evidenciem sua participação na economia e identifiquem oportunidades de ajustes, inclusive em questões como remuneração e qualificação da mão de obra.