A mãe da universitária Zaira Cruz, Maria Ozanete Dantas, criticou a decisão judicial que determinou a reintegração de Pedro Inácio Araújo de Maria à Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Condenado a 20 anos de prisão pelo estupro e homicídio da jovem, ele cumpre atualmente a pena em regime semiaberto domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.
Ao comentar o retorno do policial aos quadros da corporação, Ozanete afirmou que respeita a decisão da Justiça, mas considera necessário questionar o que a medida representa para familiares de vítimas.

“E como não questionar o retorno desse homem, desse assassino, ao trabalho, ser remunerado, nós como cidadãs, trabalhar para pagar um condenado de tornozeleira. Quer dizer, eu como mãe, como a população, a gente questiona, sim. E minha família carrega a dor, a ausência da nossa filha”, declarou.
“Que mensagem estamos passando para essas famílias?”
Ozanete afirmou que a decisão provoca questionamentos não apenas como mãe de Zaira, mas também como mulher e cidadã.
“Respeito, assim, a decisão da Justiça, mas não deixo de questionar, como mãe, como mulher, como cidadã. Me pergunto que mensagem estamos passando para essas famílias, que segurança nós vamos ter”, disse.
A mãe da universitária acrescentou que a mobilização da família vai além da busca por justiça no caso da filha.
“Digo que minha luta não é apenas por Zairinha, é pela dignidade da minha filha, é pela dignidade de outras vítimas. E que as outras famílias, que muitas mães, que muitos pais não passem pelo que a gente tem passado”, afirmou.
Ozanete também reforçou que pretende manter viva a memória da universitária.
“E eu digo que minha filha jamais será esquecida. Ela ultrapassou o mundo, né? Ela ultrapassou o mundo de forma grandiosa e jamais será esquecida”, declarou.
Justiça suspendeu expulsão de Pedro Inácio
O desembargador Cláudio Santos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, suspendeu a expulsão de Pedro Inácio da Polícia Militar e determinou sua imediata reintegração à corporação. A decisão, proferida na segunda-feira 17, atendeu a um mandado de segurança apresentado pela defesa do policial contra o ato administrativo que havia determinado sua exclusão.
Pedro Inácio havia sido excluído da PM em julho. A decisão administrativa considerava que a condenação criminal era incompatível com sua permanência na corporação.
A decisão judicial suspendeu os efeitos do ato administrativo de exclusão até a análise do mandado de segurança apresentado pela defesa. O processo administrativo havia considerado que a condenação criminal era incompatível com a permanência do policial nos quadros da corporação.
Em dezembro de 2025, Pedro Inácio foi condenado pelo Tribunal do Júri a 20 anos de prisão pelos crimes de estupro e homicídio qualificado de Zaira Cruz. Os jurados reconheceram as qualificadoras de emprego de asfixia e de homicídio praticado para garantir a impunidade do estupro.
Zaira tinha 22 anos e foi encontrada morta em 2 de março de 2019, durante o Carnaval de Caicó, no Seridó potiguar.
Em março deste ano, Pedro Inácio passou do regime fechado para o semiaberto domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. O Ministério Público do Rio Grande do Norte recorreu da progressão de regime.