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Dia de Finados
Vivência do luto na pandemia aumenta sofrimento psíquico
Com as mortes causadas pelo coronavírus no Brasil, familiares e amigos das vítimas da doença tendem a enfrentar um processo de luto solitário, podendo acarretar sofrimento emocional e psíquico
Redação
31/10/2020 | 05:35

Ampliação do luto, aparecimento ou agravamento do sofrimento psíquico. Esses são alguns dos resultados que serão refletidos no dia 2 de novembro, Dia de Finados que acontece em meio à pandemia da Covid-19. Com as mortes causadas pelo vírus no Brasil, familiares e amigos das mais de 159 mil vítimas da doença tendem a enfrentar um processo de luto solitário, podendo acarretar em sofrimento emocional e psíquico, além dos já vivenciados, de acordo com o Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Norte (CRP-RN).

Os enlutados ficam suscetíveis a reações físicas e emocionais como sensibilidade, agitação psicomotora, tristeza, saudades, desespero, raiva, sentimento de culpa pela exposição ao contágio e revolta com a realidade. Transtornos psicológicos como o estresse pós-traumático, a depressão e o pânico podem surgir neste processo de enlutamento, onde a sensação de vazio pode rebaixar o humor e a expectativa de melhora.

Segundo o CRP-RN, a pandemia trouxe uma série de mudanças em rituais como sepultamentos, velórios e cerimônias religiosas, consideradas importantes na expressão cultural do luto – o que gerou um processo de luto coletivo diante às inúmeras perdas afetivas, sociais e econômicas.
“Perdemos o direito de se despedir, de velar, sepultar. Os lutos individuais e coletivos vão para além da pandemia. Temos algo que foi experienciado. Essas pessoas vão retomar suas vidas com um vazio significativo, após muitas perdas, e a falta de pessoas que partiram”, afirmou psicóloga Julita Sena.

A vivência do luto na pandemia piorou um cenário já complexo, ainda mais no caso de pessoas com problemas anteriores, que são agravados pelo atual contexto.
Além disso, há o chamado “luto complicado” que afeta o enlutado menos resiliente, com baixo apoio social e financeiro, gerando dificuldades na aceitação e superação do luto por mais tempo.

Para a psicóloga Julita Sena, a rede de apoio (composta por amigos e parentes), é fundamental para ajudar o enlutado a superar o momento de dor. Nesse sentido, o uso de tecnologias pode ser uma alternativa. “São dispositivos que possibilitam estar junto, estar presente, mesmo que diante de uma tela. Esse formato de expressão de afeto não implica em uma ausência total, possibilitando estar presente com aquilo que a gente dispõe”, disse.

A profissional ressalta a importância do acompanhamento psicológico para o tratamento psíquico. “É de suma importância o acompanhamento psicológico especializado, pois requer um cuidado, uma atenção e uma perspectiva de prevenção para a reorganização psíquica e social”, sublinhou a psicóloga.

Onde buscar ajuda?

Com a retomada da dinâmica social, o atendimento no formato presencial está sendo feito por parte da categoria de psicólogos. O atendimento no formato online continua sendo uma alternativa. As pessoas que estão afetadas pelo luto ou por outras condições podem procurar auxílio através do Sistema Único de Saúde (SUS): nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAS), e ainda em casos de urgência devem acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

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