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Transição

Vencedora do leilão, Zurich deve assumir aeroporto de São Gonçalo em setembro

Empresa ofereceu R$ 320 milhões e arrematou terminal para uma gestão de 30 anos; Inframérica continua gestora até a transição
Redação
20/05/2023 | 12:04

A Zurich Airport International foi definida nesta sexta- -feira 19 como a nova operadora do Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. A nova concessionária deverá assumir em setembro.

A empresa ofereceu o maior lance em leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, e arrematou o terminal por R$ 320.000.012,00.

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Leilão para relicitação do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Foto: Daniel Cabral

A Zurich Airport já administra integralmente três aeroportos no Brasil: Florianópolis (SC), Macaé (RJ) e Vitória (ES). Além disso, opera no Aeroporto de Belo Horizonte (MG), em parceria com a CCR.

O leilão teve um ágio de 41%, já que o lance inicial partiu em R$ 226,9 milhões, por um contrato de 30 anos.

Duas empresas concorreram no leilão: a Zurich Airport e a NK 230 Empreendimentos e Participações, da XP, que ficou em 2º lugar.

A disputa começou com a abertura dos envelopes em que a Zurich ofereceu R$ 250 milhões e a NK, R$ 230 milhões.

Em seguida o certame foi para o viva-voz, em que a regra determinava propostas acima de R$ 5 milhões cada. Só nessa etapa, foram 26 ofertas das duas concorrentes. Para ganhar, a NK teria de elevar sua aposta para R$ 325 milhões e contar que a Zurich não cobrisse. Mas a empresa da XP desistiu do leilão. A diferença de R$ 1 deveu-se ao acúmulo das propostas.

O aeroporto de São Gonçalo do Amarante foi o primeiro do Brasil a ser concedido à iniciativa privada, em 2011, fazendo parte do primeiro leilão de aeroportos. O terminal foi inaugurado em 2014.

O contrato com a Inframérica teve início em 2012, por um prazo de 28 anos, e o terminal foi construído do zero, como parte das obras previstas para a Copa de 2014. A empresa também ficou responsável pela administração do aeroporto de Brasília.

Em 2020, no entanto, a Inframérica decidiu devolver a operação do terminal.

Para devolver o aeroporto potiguar, a Inframérica alegou que a movimentação de passageiros ficou aquém do projetado, e que a rigidez do contrato não permitia a revisão das regras. Um contrato mais flexível vai garantir uma melhor operação para a nova concessionária.

O aeroporto de Natal encerrou 2022 com um fluxo de 2,2 milhões de passageiros e 18.179 pousos e decolagens. O movimento representa um aumento de 24,6% da movimentação de pessoas, se comparado a 2021.

Na avaliação de Márcio França, ministro de Portos e Aeroportos, o leilão reforçou que é possível conciliar o público e privado nas operações de infraestrutura. Ele destacou ainda que o presidente Lula (PT) solicitou celeridade ao processo de relicitação. No entanto, como se tratava do primeiro realizado nesse formato e pelo novo governo, considera natural ter encontrado dificuldades no caminho.

“Estamos felizes de ter conseguido realizar ainda no primeiro semestre. A nova operadora vai poder organizar a operação já para o próximo Verão”, disse, durante a cerimônia de batida de martelo. Para o ministro, o ágio do leilão é menos importante, já que os valores já chegaram a ser muito altos em certames anteriores, inviabilizando a operação. “Queremos que o operador possa trabalhar com tranquilidade para oferecer um bom serviço”, disse.

Já a governadora Fátima Bezerra (PT), avaliou que o tempo em que o aeroporto ficou travado, após a devolução para o poder público, trouxe muitos prejuízos para o Estado. Por isso, comemorou o resultado. “O leilão foi exitoso e estamos dando um passo muito importante”, destacou a governadora, que ontem estava fazendo aniversário de 68 anos.

Zurich será ‘grande aliada do RN na atração de empresas’, diz secretário

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Jaime Calado, afirmou que a Zurich Airport vai transformar o terminal em um “aeroporto-cidade”. O secretário registrou que a nova concessionária tem expertise nesse tipo de investimento e que será uma “grande aliada” do Estado na atração de novas empresas.

“Nos aeroportos-cidades, tem tudo que tem a cidade. Não é como os aeroportos convencionais, que são apenas lugares de embarque e desembarque. Os locais que não têm estão transformando os aeroportos em aeroporto-cidade. Dois terços da receita que rendem ao aeroporto não são mais de embarque e desembarque, e sim do que ocorre dentro do aeroporto. São Gonçalo é o primeiro aeroporto que foi projetado para ser aeroporto-cidade. Tem Plano Diretor, tem lugar para indústria, para comércio e para serviços”, afirmou o secretário.

Jaime Calado destaca que a concessionária anterior, a Inframérica, não levou adiante o projeto de transformar São Gonçalo em um “aeroporto-cidade” devido à frustração de receitas com a operação do terminal e também porque a concessionária decidiu priorizar a gestão do Aeroporto de Brasília. Jaime Calado culpa, também, as amarras na legislação.

“Não houve um empenho para ele (o aeroporto) se transformar num aeroporto-cidade. Além disso, como foi o primeiro aeroporto a ser privatizado, o nível de exigência foi acima do que o negócio podia dar. Houve uma crise grande. O Brasil perdeu, entre 2014 e 2019, 7 milhões de passageiros, quando a projeção era que houvesse crescimento. Pelo contato, não podia modificar o contrato. Essa nova legislação procurou corrigir alguns equívocos”, lembra Jaime.

O secretário acrescenta que a Zurich Airport terá, no Rio Grande do Norte, as melhores condições de exploração.

“Eles são desenvolvedores de aeroporto, que é tudo que a gente quer. Nós ganhamos um grande aliado para atrair empresas e investimentos para o Rio Grande do Norte. Eles têm o melhor local do Estado. É a maior propriedade de São Gonçalo, com 1,4 mil hectares. Tem a melhor infraestrutura de energia, fibra óptica e segurança”, complementou.