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Covaxin
Vacina indiana Covaxin tem 80,6% de eficácia contra Covid-19
Alta participação de idosos e de pessoas com comorbidades nos testes é um dos pontos altos da pesquisa, indicam especialistas
Correio Braziliense
04/03/2021 | 08:26

A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Índia é mais um dos imunizantes que demonstraram alto nível de proteção. A notícia foi divulgada ontem pelos desenvolvedores do fármaco, a empresa Bharat Biotech, que contabilizou uma taxa de mais de 80% de eficácia da Covaxin. O índice é resultado de uma análise prévia da terceira fase dos testes clínicos — além da conclusão desse estudo, falta a revisão por pares.

O imunizante já é usado no país asiático, após uma aprovação polêmica. A expectativa do grupo farmacêutico é de que ela seja comercializada, em breve, para todo o mundo — o Brasil anunciou, na semana passada, a compra de mais de 20 milhões de doses.

A análise prévia incluiu uma revisão de dados de segurança. Os cientistas observaram poucos efeitos adversos graves e os consideraram “equilibrados entre os grupos vacina e placebo”. Os ensaios clínicos vão continuar, e uma segunda análise prévia será divulgada quando forem registrados 87 casos de infecção pelo novo coronavírus entre os analisados, além de uma revisão final após a marca de 130 infectados. “Todos os dados da segunda análise intermediária e da final serão compartilhados por meio de servidores de pré-publicação e serão submetidos a um periódico revisado por pares para publicação”, informou, em comunicado, a Bharat Biotech.

Variantes

Outra análise com a vacina — dessa vez feita pelo Instituto Nacional de Virologia da Índia — mostra que ela foi eficaz contra as cepas do coronavírus que surgiram no Reino Unido. “Covaxin demonstra tendência de alta eficácia clínica contra a covid-19, além de uma imunogenicidade significativa contra essas variantes emergentes que têm se espalhado rapidamente”, frisou Krishna Ella.

Assim como a vacina Coronavac, a Covaxin utiliza, em sua fórmula, um vírus inativado em laboratório para carregar a forma inteira do Sars-CoV-2. Outros imunizantes apostaram no uso de apenas um pedaço do patógeno — como o desenvolvido pela Universidade de Oxford. A vacina indiana é administrada em duas doses, com 28 dias de intervalo entre as aplicações, e pode ser armazenada em freezer comum (temperatura entre 2 a 8 °C).

Ana Karolina Barreto Marinho, imunologista e membro da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), destaca como ponto alto dos dados da Covaxin o perfil distinto dos participantes do ensaio clínico. “São resultados expressivos de eficácia que foram obtidos em um grupo bastante diversificado, com um número considerável de idosos e de pessoas com comorbidades. Isso é importante porque abre a possibilidade de usar esse imunizante em todo o público. Além disso, há o fato de o projeto ser tocado por uma empresa que já desenvolveu outras vacinas”, detalhou. “É algo positivo para a Índia e para todo o mundo. Teremos mais uma opção para prevenir a covid-19.”

A especialista também explica que a estratégia usada pelos cientistas no desenvolvimento do imunizante foi inteligente e pode explicar os resultados obtidos com as variantes britânicas. “As novas cepas carregam mutações em proteínas distintas. Então, quando você usa, na fórmula da vacina, o patógeno inteiro e não apenas a proteína spike, que é a responsável pela replicação do patógeno, isso garante que essas mudanças não passem despercebidas e a resposta imune ainda seja alta.”

Para saber mais

Boicote médico

A Covaxin é aplicada na população indiana desde janeiro, antes da conclusão dos dados relativos à última fase de análises em voluntários. A decisão de antecipar a aplicação das doses fez com que muitos profissionais de saúde da Índia que estão na linha de frente do combate ao vírus se negassem a receber o imunizante.

Alguns políticos resolveram se vacinar com a fórmula, como o primeiro-ministro Narendra Modi, para aumentar a confiança dos indianos. Além da Covaxin, a Índia utiliza a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela empresa AstraZeneca, que também é produzida no país. A campanha de imunização, porém, segue a passos lentos, com apenas 11% da população foi vacinada até agora.

Maior imunidade após cepa sul-africana

Pesquisadores sul-africanos anunciaram, ontem, que indivíduos infectados pela variante da covid-19 detectada no país têm uma maior imunidade a outras mutações do coronavírus. No trabalho, os investigadores utilizaram amostras sanguíneas de 44 pessoas contaminadas na primeira e na segunda ondas da pandemia e constataram que a variante 501Y.V2 foi capaz de neutralizar outras cepas com alta eficácia.

“Vimos que os anticorpos neutralizantes produzidos pela nova variante sul-africana são, de alguma forma, diferentes em sua capacidade de reconhecer não apenas o próprio vírus, mas outras formas do patógeno. Ao contrário dos anticorpos que foram acionados pela variante inicial, essas células têm um pouco mais de amplitude. Essa é uma notícia potencialmente boa”, detalhou Penny Moore, pesquisador do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e um dos autores do trabalho científico.

Identificada no fim de 2020, a cepa 501Y.V2 rapidamente se tornou dominante no país africano, preocupando autoridades. Zweli Mkhize, ministro da Saúde da África do Sul, declarou, durante uma reunião on-line realizada ontem, que essa descoberta é “uma boa notícia para todos”, pois representa um grande impulso para o controle da pandemia.

Segundo a imunologista Ana Karolina Barreto Marinho, a notícia é bastante positiva caso se confirme em trabalhos futuros. “Aumentaria o espectro da resposta imunológica e o da proteção de um modo geral, um ganho que pode contribuir bastante para redução dos casos”, justificou.

A médica também enfatiza que entender melhor o comportamento das novas variantes é um trabalho importante. “As mutações são fenômenos naturais dos vírus, sabemos que elas vão continuar surgindo, mas a grande questão é entender as possíveis mudanças severas, como uma maior transmissibilidade ou o agravamento da doença. São essas questões que precisam ser monitoradas constantemente, é importante acompanhar o que está acontecendo para sempre estarmos preparados.”

Pandemia leva à queda de 7% na emissão de CO2

As emissões globais de CO2 diminuíram cerca de 7% em 2020 em comparação aos níveis de 2019, mostram cientistas ingleses em um artigo publicado, ontem, na revista especializada Nature Climate Change. Após uma série de cálculos e análises comparativas, eles chegaram à conclusão de que essa redução considerável está relacionada principalmente às extensas políticas implementadas em todo o mundo para desacelerar o contágio pelo novo coronavírus.

Os investigadores avaliaram os níveis de emissão de cada país durante o ano passado e avaliaram o impacto das medidas de contenção adotadas em função da pandemia da covid-19. Constataram que as taxas caíram cerca de 2,6 gigatoneladas (Gt) em 2020, a maior redução observada até hoje. “Isso representa diminuição de cerca de 7% em relação ao período anterior, um número bem mais alto do que era esperado por todos os cientistas da área”, destacam os autores no trabalho, que foi liderado por Corinne Le Quéré, pesquisadora da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

A equipe também analisou as tendências da emissão de CO2, conforme a renda de países, desde a adoção do Acordo do Clima de Paris, em 2015. Observou-se que, no grupo de renda alta, a queda nas emissões foi de, em média, 0,8% ao ano desde que o pacto climático foi firmado. Em 2020, foi de 9%. No grupo de países de renda média alta, o crescimento das emissões diminuiu 0,8% ao ano, e caiu 5% em 2020. Os dados mais expressivos estão relacionados aos locais de renda baixa: as emissões que aumentavam 4,5% ao ano desde 2015 diminuíram 9% em 2020.

Os especialistas também destacam que, para a era pós-pandemia, são urgentes as reduções globais de 1Gt a 2Gt de CO2 por ano, ao longo da década de 2020, para se chegar às metas firmadas no Acordo de Paris. “Para sustentar a diminuição das emissões globais e, ao mesmo tempo, apoiar a recuperação econômica, serão necessárias estratégias como a implantação em larga escala de energia renovável e o desinvestimento em infraestrutura de combustíveis fósseis em todo o mundo”, apontam.

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