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Natal

UPA em Natal tem água suja, matagal e fios elétricos expostos

Logo na entrada da unidade, é possível perceber também a indiligência com a estrutura física do local
Isabelly Noemi
02/09/2023 | 09:00

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade da Esperança, na Zona Oeste de Natal, passa por situação precária e de descaso com pacientes e acompanhantes, que relataram dificuldades para serem atendidos e falta de eficácia na hora do diagnóstico. Logo na entrada da unidade, é possível perceber também a indiligência com a estrutura física do local.

A estrutura física do local apresenta desgastes. Há um matagal que cresce ao redor da unidade e, em toda estrutura externa do prédio, é possível notar a ferrugem. De acordo com o relato dos pacientes, o local está assim há meses. Na recepção, onde os pacientes e acompanhantes aguardam serem chamados para atendimentos, existe uma poça de água suja e parada. Além disso, há uma série de cabos desencapados e fios elétricos expostos.

Estrutura física da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Cidade da Esperança apresenta desgastes; pacientes reclamam de atendimento demorado - Foto: José Aldenir / agora Rio Grande do Norte
Estrutura física da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Cidade da Esperança apresenta desgastes; pacientes reclamam de atendimento demorado - Foto: José Aldenir / agora rn
Água suja acumula na recepção da unidade, onde acompanhantes ficam - Foto: José Aldenir / Agora RN
Água suja acumula na recepção da unidade, onde acompanhantes ficam – Foto: José Aldenir / Agora RN

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não respondeu aos questionamentos sobre a unidade até o fechamento desta matéria.

Na quinta-feira 31, o AGORA RN esteve na unidade e ouviu relatos de pacientes e acompanhantes sobre os atendimentos feitos. Segundo eles, o secretário de Saúde de Natal, George Antunes, esteve presente no local e disse que tentaria providenciar transferências atrasadas de pacientes que estão na UPA em estado grave. Os pacientes relataram a presença de uma paciente em surto psicótico amarrada nua em uma cadeira dentro da unidade.

Fios elétricos e cabos desencapados estão expostos na entrada da UPA - Foto: José Aldenir / Agora RN
Fios elétricos e cabos desencapados estão expostos na entrada da UPA – Foto: José Aldenir / Agora RN

Demora para atendimento

A demora para atendimento é a principal queixa dos pacientes, assim como a quantidade desproporcional de médicos em relação à quantidade de pessoas que esperam por atendimento. A dona de casa Iris Alves, que estava acompanhando o marido Carlos Antônio, relatou que apesar de os médicos atenderem bem, são poucos funcionários para dar conta da alta demanda e a espera se torna desgastante. Quando precisam esperar resultados de exames, segundo ela, a demora é ainda maior.

Na unidade acompanhando a sogra, o pedreiro Joilson Bonfim contou que mesmo ela sendo idosa e sem conseguir andar, não foi priorizada. “É um absurdo. A gente vem até aqui porque precisa e é tratado dessa maneira. Os médicos saem para conversar e demoram horas para voltar e chamar o próximo paciente a ser atendido enquanto a gente fica aqui esperando. Se a gente não precisasse não estaria aqui”.

Matagal cresce ao redor da UPA da Cidade da Esperança, na Zona Oeste - Foto: José Aldenir / Agora RN
Matagal cresce ao redor da UPA da Cidade da Esperança, na Zona Oeste – Foto: José Aldenir / Agora RN

Quem procura a ala pediátrica da UPA também passa pela mesma situação de longa espera. A mãe e diarista Williane de Medeiros, que estava com o filho aguardando atendimento, reclamou: “É necessário melhorar muito, são poucos funcionários para muitas crianças doentes, se tem um exame, é de 2 a 3 horas para receber. Não deixam de receber, mas a demora é grande”.

A mãe e dona de casa Gisele Acioly relatou ainda que existe “desinteresse dos médicos, temos que insistir muito para eles fazerem o básico e atenderem nossos filhos. Tem que melhorar os médicos, precisa de aparelhos e equipamentos que faltam aqui, não tem como fazer uma radiografia. O tempo de espera para atendimento, para fazer exames e até para receber é demorado”. (*Sob a supervisão de Nathallya Macedo).