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Saúde

Tumor cerebral exige diagnóstico rápido

Especialista afirmou que dores de cabeça incomuns, convulsões e déficits neurológicos podem indicar lesões cerebrais e defendeu maior estrutura no SUS para tratamento
Por O Correio de Hoje
29/05/2026 | 13:16

A campanha Maio Cinza busca ampliar a conscientização sobre tumores cerebrais e reforça a importância do diagnóstico precoce da doença. Em entrevista à rádio 94 FM, o neurocirurgião Wladimir Melo explicou que a iniciativa surgiu a partir da Sociedade Americana de Neurocirurgia, posteriormente incorporada pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, com foco em discutir o combate ao câncer cerebral e alertar a população sobre os sinais da doença.

“Todo mês de maio a gente comemora o Maio Cinza e traz esse debate. Algo muito similar ao que já acontece em determinados meses com campanhas, por exemplo, Novembro Azul, com câncer de próstata, Outubro Rosa, com câncer de mama, e que agora a gente vem trazendo também o foco da nossa área, que são os tumores cerebrais”, afirmou.

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Neurocirurgião Wladimir Melo alerta que sintomas como dores de cabeça incomuns, crises convulsivas, dormências e fraqueza muscular podem estar associados a tumores cerebrais e devem ser investigados. - Foto: Reprodução

Segundo o especialista, os sintomas dos tumores cerebrais podem ser confundidos com outras manifestações neurológicas, o que exige atenção dos pacientes e dos profissionais de saúde. Entre os sinais citados estão dores de cabeça incomuns, crises convulsivas em pessoas sem histórico de epilepsia, dormências, fraqueza muscular e paralisia facial.

“Os sinais e sintomas de um tumor cerebral muitas vezes são muito similares a qualquer outra manifestação neurológica. É uma dor de cabeça não habitual, é aquele paciente que não é epilético e, do nada, abre um quadro de crise convulsiva. Às vezes um sinal muito sutil, uma dormência em algum membro, mão ou perna, uma fraqueza, uma paralisia facial”, explicou.

De acordo com o médico, qualquer déficit neurológico focal pode indicar a presença de uma lesão expansiva, incluindo tumores cerebrais. Ele ressaltou que o diagnóstico precoce é determinante para aumentar as chances de cura e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

“A gente percebe, e isso é muito bem relatado, que quanto mais precoce você trata, maior a chance de cura para aqueles tumores que são curáveis, ou maior a taxa de sobrevida, maior a qualidade de vida para aqueles pacientes que conseguem tratar o quanto antes”, disse.

O neurocirurgião informou que os tumores cerebrais correspondem a cerca de 4% dos casos de câncer tratados na oncologia. Apesar da prevalência considerada menor em comparação a outros tipos de câncer, ele destacou que a mortalidade é elevada.

“Se você pegar todos os cânceres que a gente trata, 4% deles se configuram como tumor cerebral, como câncer cerebral. Porém, um fato que traz destaque é que, desses 4%, a mortalidade é muito mais alta em relação a outros tipos de tumores”, afirmou.

Wladimir Melo explicou ainda que os tumores cerebrais podem ser divididos, de forma didática, entre benignos e malignos. Entre os benignos, o meningioma é apontado como o mais comum. Segundo ele, dependendo da localização, do tamanho do tumor e da rapidez no tratamento, existe possibilidade de cura.

“O meningioma, por exemplo, que é o tumor benigno mais comum, a depender da sua localidade, do seu tamanho, da precocidade do tratamento, a gente muitas vezes consegue a cura”, relatou.

O médico também abordou as sequelas associadas à doença e ao tratamento. Segundo ele, os danos podem ocorrer tanto pela ação do tumor quanto pela intervenção cirúrgica, especialmente quando a lesão atinge áreas consideradas eloquentes do cérebro, responsáveis por funções como fala, movimento e sensibilidade.

“Se você tem um tumor que nasceu na área da fala, uma sequela e um sintoma possível do tumor é o que a gente chama de afasia, que é a incapacidade de se expressar”, explicou.

Ele destacou os avanços tecnológicos na neurocirurgia, que têm permitido reduzir sequelas em pacientes submetidos ao tratamento. Além do diagnóstico precoce, o especialista defendeu melhorias na estrutura do sistema público de saúde para garantir acesso a exames e tratamento. Ele citou a necessidade de ampliação da oferta de tomografias, ressonâncias magnéticas, leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva) e equipes multidisciplinares especializadas.

“A estrutura de saúde tem que estar amplamente amparada para conseguir tratar esses pacientes, com leito de CTI disponível, com estrutura para a cirurgia em si”, declarou.

O médico também ressaltou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento à maior parte da população brasileira. “A maior parte da nossa população depende diretamente do SUS. Também trazer a discussão para o sistema de saúde, especialmente o sistema público, para que ele consiga elaborar um sistema de saúde amplo, que a porta seja aberta a todos que precisam”, disse.