Um surto de ebola que atinge países da África pode se transformar em uma das maiores epidemias da doença já registradas, segundo alerta divulgado por pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). O principal foco da crise sanitária está na República Democrática do Congo, onde os números continuam crescendo de forma acelerada.
Apenas nas últimas 24 horas, o país confirmou mais 71 casos da doença. Com isso, o total de infectados chegou a 452 pessoas, enquanto 82 mortes já foram registradas em decorrência do vírus.

De acordo com os cientistas, a variante Bundibugyo — considerada rara e altamente letal — pode ter começado a circular no Congo entre janeiro e fevereiro deste ano, meses antes da identificação dos primeiros casos suspeitos pelas autoridades sanitárias.
As projeções apresentadas pelo CDC indicam um cenário preocupante. Caso apenas uma pequena parcela dos infectados seja identificada e isolada rapidamente, existe uma probabilidade significativa de que o número de casos ultrapasse 20 mil nos próximos três meses. Por outro lado, a ampliação da testagem e do isolamento dos pacientes pode reduzir drasticamente esse risco.
Diante da situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o CDC África anunciaram uma mobilização internacional para arrecadar cerca de US$ 518 milhões — aproximadamente R$ 2,67 bilhões — destinados ao fortalecimento da resposta sanitária nos países afetados.
O objetivo é ampliar a capacidade de diagnóstico, vigilância e atendimento médico, especialmente em regiões que enfrentam dificuldades estruturais. Atualmente, não existe vacina ou tratamento específico aprovado para combater a cepa Bundibugyo.
Como ocorre a transmissão
Segundo o Ministério da Saúde, o ebola é transmitido por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. O contágio também pode ocorrer por meio de objetos contaminados ou pelo contato com corpos de vítimas da doença.
Os sintomas iniciais costumam incluir febre alta repentina, dores musculares, fadiga intensa e dor de cabeça. Nos casos mais graves, podem surgir vômitos, diarreia, lesões na pele, comprometimento dos rins e do fígado, além de hemorragias internas e externas.
Desafios para conter a doença
As autoridades de saúde enfrentam obstáculos adicionais para controlar o avanço do surto. Muitas das áreas afetadas possuem infraestrutura hospitalar precária e enfrentam conflitos armados, dificultando o acesso das equipes médicas e a implementação de medidas de vigilância epidemiológica.
Além do Congo, Uganda também já confirmou 19 casos da doença. O temor das organizações internacionais é que o vírus ultrapasse fronteiras e alcance outras regiões do continente africano, ampliando ainda mais a emergência sanitária.