O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) encerra sua programação de três dias em Natal neste sábado 2, no evento do diretório feminino do partido, o PL Mulher, que ocorrerá com a participação de sua presidente, Michelle Bolsonaro, no Holiday Inn. Ontem, no maior salão de eventos do local, Bolsonaro, o senador Rogério Marinho e aliados fizeram o lançamento da Academia Brasileira de Política Conservadora. Além dos deputados bolsonaristas fiéis General Girão e Sargento Gonçalves, o deputado Robinson Faria, ausente da programação do primeiro dia, apareceu com cara de pouca alegria.
Mas, uma ausência das programações não passou despercebida: o senador Styvenson Valetim (Podemos), que em 2018 foi eleito na onda bolsonarista. Styvenson até postou uma foto no seus Stories mostrando o atraso do voo Latam JJ 3758, que decolou de Brasília somente as 9h57 e desembarcou em Natal às 12h37. Mas, todos sabem que o capitão-senador, que já posou de direita, hoje tem votado em Brasília em matérias de interesse do Governo Lula. Em recente evento de prestação de contas de seu mandato, Styvenson confirmou que vai distribuir R$ 35 milhões só em emendas Pix para os municípios. O potiguar tem conseguido recursos extras com a ajuda do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articulador do Governo Lula no Congresso Nacional.

PL
No evento do PL ontem, só quatro tiveram direito a discursar: o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, a médica Roberta Lacerda, que preside o PL Mulher no RN, o senador Rogério Marinho e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os outros foram citados. Também não houve filiação de prefeitos e de nenhuma liderança grande ao partido bolsonarista. No seu discurso, o ex-presidente disse que os prefeitos foram enganados por Lula, destacando algumas ações do seu governo, como a criação do Pix e melhora no valor do Bolsa Família.
2026
Em coletiva antes de subir ao palco do Hotel Holliday Inn, Bolsonaro delegou poderes a Rogério Marinho para conduzir o processo sucessório de Natal. Ele não citou seus fiéis seguidores Girão e Gonçalves para concorrer à Prefeitura do Natal, como vem fazendo em outros estados. Já no palco, deixou claro o projeto do PL no RN: fazer quase um terço de todos os prefeitos do Rio Grande do Norte e vencer a disputa pelo Governo do Estado com Rogério Marinho em 2026.
Sem citação
Até o fechamento da coluna, Styvenson Valentim não tinha feito nenhum post sobre a visita de Jair Bolsonaro a Natal. Nem mesmo desejando boas-vindas. Ele anda colado com o grupo da oposição no Rio Grande do Norte, mas em Brasília contrariou o senador Rogério Marinho (PL) por exemplo na votação da reforma tributária, onde, ao lado da senadora Zenaide Maia (PSD), votou com a bancada do Governo Lula.
13º salário
Apesar de o secretário de Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, ter dito em entrevista à rádio Difusora que o 13º salário dos servidores do Estado deverá ser pago em três parcelas até 10 de janeiro, o calendário final ainda não está fechado. Datas oficiais mesmo só serão conhecidas na segunda-feira 4, quando houver o anúncio da governadora Fátima Bezerra (PT). Até lá, só especulações.
Árvore de Natal
De volta à capital potiguar depois de passar boa parte da semana em Brasília, o prefeito Álvaro Dias acendeu ontem a tradicional Árvore de Mirassol, a principal atração das festividades do Natal em Natal. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) era esperado ontem à noite na praça da árvore. Em 2022, Álvaro foi o coordenador da campanha bolsonarista na capital. Mas, este ano rompeu com o senador Rogério Marinho (PL) e agora se diz aliado do Governo Lula.
Mossoró
O prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) também não deu palco ao evento bolsonarista. Ontem esteve o dia na capital do Oeste, onde recebeu o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Amílcar Maia e o presidente do TRE-RN, Cornélio Alves, para juntos instalarem a 4º Vara Criminal de Mossoró. Allyson é cotado para concorrer ao Governo do Estado na próxima eleição, mas Bolsonaro lançou Rogério Marinho.
Quem diria
Para quem não sabe, o ministro da Justiça, Flávio Dino, construiu uma parte importante de sua carreira política na oposição a José Sarney e seu clã no Maranhão. Prova de que, entre poderosos, nada é para sempre — nem as mágoas —, um dos primeiros atos de Dino, ao ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Lula, foi conversar com Sarney e pedir seu apoio. O ex-presidente do Senado, e da República, não só se comprometeu a ajudar o rival como saiu telefonando para senadores da sua ampla rede de influência em defesa de Dino.